Autor Tópico: A dificuldade de achar um Karatê Tradicional  (Lida 857 vezes)

Offline Cabadapest

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Re:A dificuldade de achar um Karatê Tradicional
« Resposta #15 Online: Dezembro 02, 2016, 17:49:37 »
Não há nada de horrível nos vídeos que postei, nem mesmo no vídeo português, nem mesmo no vídeo do Karate de Campinas, porque eu acredito que todos os praticantes de Karate merecem RESPEITO, independente de como fazem. Porém nenhum dos vídeos tem nada de excepcional, mas será que eles são profissionais? Tem o incentivo, o investimento, a disponibilidade para treinar para chegar a este nível:


Minha intensão com os primeiros vídeos não foi denegrir as entidades que se intitulam “Karate tradicional”, até mesmo porque fazem parte da minha história, mas mostrar que não encontro um abismo de diferenças que vocês veem. Meu Sensei veio da JKA, recebendo três Dans das mãos de Teruyuki Okazaki (aluno de Funakoshi), ele formou dezenas de faixas-preta, muitos com nível técnico limitado e muitos com nível técnico superior, mas cada um desenvolveu seu Karate de acordo com seu próprio potencial e esforço.
Também acho deselegante a forma como é defendido o Karate tradicional quando usam termos pejorativos e desrespeitosos contra a CBK, sabendo que no tópico existem pessoas participantes, acho que este espaço pode ser compartilhado por todos de forma democrática, e não somente por aqueles que tiveram o privilégio de vir de uma “linhagem pura” ou uma casta superior que tem o direito reservado de citar O’Sensei Gichin Funakoshi. Até mesmo porque falar em Karate-do sem HUMILDADE, RESPEITO e CORTESIA, para mim é blefe.
Já fui bombardeado outras vezes por defender esta ideia, pois sempre acham que defendo a CBK. Só para constar, sou independente de federação há mais de 10 anos, porém sempre sou muito bem recebido em Dojo’s de Karate, seja da CBK, JKA, CBKI, CBMA, seja em grandes academias como a do Sensei Machida em Belém, como em um simples Dojo de 20 metros quadrados que visitei em outro lugar. Isto para mim é Karate-do e não ser “bom de porrada” e não praticar o Dojo kun.
Acho que deveríamos trabalhar para resgatar o fórum, evitando repetir as cenas que só afastam as pessoas.

OSU!
"Aquele que está consciente de suas próprias fraquezas será senhor de si mesmo em qualquer situação." Funakoshi.

Offline PSekiMG

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Re:A dificuldade de achar um Karatê Tradicional
« Resposta #16 Online: Dezembro 02, 2016, 20:23:34 »
Osu,

Acredito que a postagem se refira "a dificuldade de achar um Karate Tradicional". Neste ponto, buscamos trazer conceitos sobre tradição, tentando balizar quais seriam os supostos requisitos, correto? Creio que os exemplos expostos em vídeo não resumem o Karate-Do, expondo tão somente algo que para uns pode ser ruim ou bom. Particularmente, excetuando as competições (questão particular), percebo algumas coisas que parecem lógicas e outras nem tanto, mas vamos por partes.

Certamente, qualquer pessoas merece respeito, seja ela praticante ou não de Karate-Do, motivo pelo qual opinar ou evidenciar ponto de vista não me parece desrespeitar. Entretanto, embora isto não signifique um parêntese, parece ultrapassar a razoabilidade dizer que, por exemplo, aquele estilo "Shobu Ryu" seja Karate-Do assim como Wado, Shito, Shotokan etc. Somente para exemplificar:



Acerca disto, infelizmente não possuímos legislação suficiente para coibir a depreciação do Karate-Do por entidade de visão unicamente lucrativa. Embora seja registrada, possua aval governamental, creio que tal modalidade exposta em vídeo está muito aquém do que tradicionalmente se compreende por Karate-Do.

Sobre os vídeos de atletas de alto rendimento, acredito que o nome já diz tudo: "alto rendimento". Utilizam daquilo que se concretizou como Karate-Desportivo como forma de superarem os obstáculos dos avanços técnicos, cujas prioridades, como bem demonstrado, enfatizam a velocidade, explosão etc. Isto está muito presente também em outras modalidades competitivas. Mesmo o Kata do Kurihara não é aquele executado por Osaka, motivo pelo qual a própria JKA atualmente precisa ter cautela para não acompanhar os moldes europeus, cujos Kata são extremamente plásticos, conforme o conceito artístico. Qual o nível ideal? Acredito que aqui sim cabe aquele respeito, pois as pessoas buscam no Karate-Do coisas que nem mesmo os mais antigos acreditavam ser capaz. Exemplo? Curar um câncer. Quantos também não viram nesta arte marcial uma forma de se fortalecerem mentalmente, driblando medos e ganhando mais autoconfiança? Os níveis são realmente variáveis.

Sobre algumas entidades federativas, infelizmente a realidade é esta. Concordo que sequer devem ser tratadas, pois relembrar algo para além daquilo que é razoável dentro do que se compreende por Karate-Do é complexante. Quem quer que esteja treinando num Dojo filiado a CBK não merece, realmente, sofrer descriminação, inclusive por muitos praticarem, como falei, aquele Karate-Do com extrema dedicação. Acontece que geralmente as entidades desportivas enxergam mais números do que qualidade, mas vamos superar.

Capadapest,

Noutra oportunidade, estávamos falando de tradicionalidade, culturalidade. Quando descrevi meus antecessores no Karate-Do, creio que lhe chegou como algo pejorativo. Contudo, tudo se resume em desentendimento. Naquele contexto, referia-me ao fato de herança cultural como aquilo que entendo por tradicional, deixando bem claro que outros Sensei também podem deter tais qualidades, mesmo além desta corrente. Existem, inclusive, excelentes praticantes que sequer tiveram um Sensei e que hoje possuem Dojo de renome fora do Brasil. Quebra de paradigma mais do que necessário. Entretanto, buscar na essência o conteúdo basilar da arte marcial é e sempre será fundamental. Como mencionei, possuímos, diferentemente de outras artes marciais, legados incríveis, desde vídeos, depoimentos sonoros e os livros. Acredito que este complemento de informação lhe elucidará, ao menos, meu ponto de vista. Inclusive, ter privilégios e compartilhá-los é sinal de humildade, respeito e cortesia. Algo que venho colhendo e semeando desde 2007, quando resolvi escrever minhas primeiras postagens.

Uma forma de resgatar o fórum é compartilhar o máximo de experiências no Karate-Do. Assim como o colega Platão demonstrou insatisfação com algumas questões particulares ligadas ao Karate-Do, certamente outros poderão, assim como o Cabadapest, trazer outras visões, inclusive dando algumas boas chamadas (das quais sou grato, pois todos deveremos receber chamadas), orientações, advertências...

... mas por favor, não me venham dizer que Shobu Ryu é Karate-Do! :o :o :o

Osu.
« Última modificação: Dezembro 02, 2016, 20:28:29 por PSekiMG »
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Offline Cabadapest

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Re:A dificuldade de achar um Karatê Tradicional
« Resposta #17 Online: Dezembro 03, 2016, 09:38:59 »
Osu,

... mas por favor, não me venham dizer que Shobu Ryu é Karate-Do! :o :o :o

Osu.

Aí você quer me dar um ashi-barai! Mas eu vou aceitar a provocação.
Isto é filosofia: "refletir sobre nossas práticas".
O Shobu-ryu é Caratê, porque se reconhecem como praticantes de Caratê e assim são reconhecidos por muitos. Entretanto, não é Karate-do, no sentido etimológico da palavra.
O mesmo se aplica aqui:


A diferença está na elaboração e produção, mas o princípio é mesmo.

A eficiência técnica para uma situação real de defesa pessoal ou a “marcialidade”, é uma outra discussão.

OSU!
« Última modificação: Dezembro 03, 2016, 10:17:08 por Cabadapest »
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Offline PSekiMG

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Re:A dificuldade de achar um Karatê Tradicional
« Resposta #18 Online: Dezembro 03, 2016, 11:39:49 »
Osu.

Cabadapest,

Não foi bem uma provocação, kkk!

Infelizmente, no nosso país há uma prevalência da subversão cultural. Questão ironicamente cultural, kkk, porém com certos requintes políticos. Neste sentido, denominamos aquilo que compreendemos como tal dentro de certos limites. Quando estas limitações são severas, parece mais fácil idealizar do que correr atrás do que se deseja saber. Certamente não deve ter sido o caso do Shobu-Ryu, cujas prerrogativas partiram de uma elaboração de arte marcial nacional. Aqui entra uma pequena observação: já que todas as nomenclaturas estão em português, por qual razão prezaram pela denominação Caratê, incluindo o nome do estilo em nítido nihongo? Popularidade, talvez.

Ponderações.

Osu.
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Offline brunoalex0

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Re:A dificuldade de achar um Karatê Tradicional
« Resposta #19 Online: Dezembro 19, 2016, 09:55:49 »
Infelizmente hoje em dia o karatê está muito desvalorizado,aqui na minha cidade por exemplo não tem nenhuma academia de karatê enquanto essas artes morderninhas e modinhas tem em toda esquina, o unico dojo que tinha na minha cidade chamado de ASKAPA filiado a fks-ba da JKS, existia na minha cidade desde a decada de 80 e esse ano de 2016 fechou por falta de alunos,motivo disso se deve a essa praga dessas artes marciais modinhas ,hj eu treino a base de aulas particulares em uma academia filiada a federação de kickboxing e artes marciais,.

Offline Platão

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Re:A dificuldade de achar um Karatê Tradicional
« Resposta #20 Online: Dezembro 19, 2016, 10:26:28 »
BrunoAlex

A queda do Karatê está relacionado a decadência do Karatê em si, devido a esportivização e má formação dos professores, e também está ligado a modinha do MMA. Ninguém quer fazer Karatê ou Judô hoje em dia, só algumas crianças que o pai joga lá para aprender disciplina. Enquanto jiu-jitsu e muay thai tem em toda academia de musculação e ginástica, sempre cheias, mas com pouca gente graduada. Afinal, ninguém vai ganhar "ibope" postando foto no Facebook de treino de Karatê ou Judô. Ninguém vai lhe achar um porradeiro bad-boy.
OSS!


Offline PSekiMG

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Re:A dificuldade de achar um Karatê Tradicional
« Resposta #21 Online: Dezembro 19, 2016, 12:38:39 »
Osu.

Conforme venho sustentando, corrobora para com esta depreciação das artes marciais as entidades reconhecidas como legítimas por força de instrumento meramente formal, quando sabemos que nada substitui um bom instrutor. Entretanto, mesmo bons instrutores terminam aderindo ao superficialismo das competições como verdadeiras vitrines, pois ninguém nesta "sociedade moderna" deseja demorar para atingir a graduação ou colher resultados fáticos como medalhas e troféus, símbolos de uma vaidade incompatível com os preceitos do Karate-Do.

Assim como no Direito, todo conjunto filosófico, ético e moral que regem a estrutura, por exemplo, do Shotokan, devem ser compreendidos em conjunto; não individualmente, quando se pode, conforme a melhor circunstância, tirar proveito de um ou outro preceito para corroborar com a baixa perspectiva e falta de domínio sobre a arte marcial. Quantos instrutores o são apenas em parte? Muito bem sabem todos os Kata, mas sequer conseguem compreender o que fora legado por G. Funakoshi O-Sensei, que deixou este mundo sem acúmulos materiais, porém impregnando sua essência em cada oportunidade. Poucos possuem valores para prosseguirem no Karate-Do conforme o mestre.

Creio que além de um sistema que favorece a criação de qualquer instituição autoproclamada marcial, culturalmente as pessoas, principalmente nas regiões menos favorecidas do país, pouco buscam saber sobre aquilo que se deseja fazer. Falta leitura! Falta educação! Muitos instrutores, como se fossem professores de matemática, tentam transmitir equações equivocadas utilizando escalas numéricas incompletas. Inexiste um parâmetro universal para dizer "este é o artista marcial perfeito". Contudo, aqueles que buscam na essência de suas tradições tendem a se destacarem naturalmente, contribuindo com aquilo que lhes sejam mais próprios - ou vocês acham que todos os faixas-pretas são aprovados pelos mesmos quesitos? Existe um mínimo desejável, mas é comum ver uns se destacando por isso e outros por aquilo.

Infelizmente, os "guardiões" das tradições marciais estão aparentemente silenciados. Compreendo que muitos por puro desgaste (dignos de respeito, admiração e recordação), mas outros por mero comodismo. Há ainda os "tradicionalistas" que se converteram, banalizaram suas artes por vantagens institucionais. Eu sigo todos os dias, ao menos por onde possuo acesso, dizendo que se o "Funa" falou que "isso é isso", então "isso é isso"! Não tenho o que discutir! No máximo compreender seus sucessores, buscando entender suas perspectivas e as implementando na medida do essencialmente possível.

É lamentável que mais pessoas estejam sentindo esta ausência de Karate-Do por conta do "modernismo". Muitos instrutores simplesmente estão "miyagando", ou seja, lecionando arte marcial no estilo Miyagi, em total reclusão e em grupos restritos, como o eram em Okinawa. Só não compreendo como muitos, que levaram uma vida para aprender algo tão rico e vasto, simplesmente o trocam por alguns holofotes e uns penduricalhos de pescoço que somente prestam para posar na fotografia.

Osu.
« Última modificação: Dezembro 19, 2016, 12:41:28 por PSekiMG »
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