Autor Tópico: II-KARATE-BUDO E ALTO RENDIMENTO  (Lida 8233 vezes)

Offline Antonio Pêcego

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II-KARATE-BUDO E ALTO RENDIMENTO
« Online: Abril 16, 2008, 00:48:26 »
...continuando...

"Enfim, a importante pergunta que devemos fazer é:

Nós realmente estamos preparados para ir para a Olimpíada?

Nós realmente estamos preparados para ser esporte de alto rendimento no sentido literal da palavra?

Estamos nos organizando e fazendo tudo que é necessário para quando chegar este grande momento?

Conseguiremos ser esporte de alto rendimento sem romper com as tradições do karate que tem como origem a arte marcial?

Conseguiremos nos organizar como entidade e fazer com que o esporte e arte marcial caminhem juntos?

Com relação as duas ultimas perguntas, posso responder com convicção de forma positiva, SIM! Afinal! Como disse o samurai de mente evoluída: A pena e a espada podem caminhar lado a lado, sem nenhum inconveniente. Quanto as outras perguntas, só o tempo e muito trabalho responderão.

Estas são algumas perguntas que devemos fazer, para que quando estivermos lá, nos realmente tenhamos condições estruturais para ser esporte de massa, e gozar de todos os benefícios, advindo do status que adquirirá a modalidade. E para que consigamos conquistar multidões com esta arte maravilhosa que é o karate.

Ainda há muito por fazer, é muito comum a gente ver pessoas criticando negativamente e cruzando os braços esperando que outros façam tudo, quando falamos para esta pessoas que devemos trabalhar juntos em prol do karate, e que devemos ajudar a mudar as coisas que estão erradas, elas falam do alto do seu pedestal: foi sempre assim! Não vai mudar! Aquelas pessoas que estão lá na direção só fazem burradas!

E é sempre o mesmo blá blá blá. E o pior é que quando você ouve estas pessoas, a convicção delas é tão forte quando falam que você fica desanimado e na duvida se vale a pena continuar lutando!

As vezes são pessoas boas e honestas, formadoras de opinião, se você não tiver muita personalidade e firmeza com relação aos teus objetivos, você desanima mesmo, falo isso por experiência própria pois constantemente ouço frases como as citadas acima.

Mas ai eu me lembro da fábula do leão e do beija-flor, que talvez você leitor já tenha ouvido, mas não deu muita importância, é uma posição que os comodistas sempre se colocam, e que as vezes o joga pra baixo, se não tiver muita força interior.

A historia é bem simples mas muito exemplar, se você observar atentamente, todos os dias defrontará com uma figura parecida com o leão da fábula... ela é assim:

Havia uma floresta muito bonita e frondosa, onde os animais viviam felizes.

Num dia quente de verão, um distraído qualquer deixou cair uma faísca na vegetação. Já fustigada pelo sol, a mesma começou a queimar.

As chamas imensas e aparentemente sem controle, devastava a floresta que era a moradia e sobrevivência de inúmeros animais, todos corriam apavorados deixando seu lar a mercê do fogo que destruía tudo que tocava.

Todos gritavam apavorados! Esbravejavam! Jogavam pragas!!! E corriam abandonando o lar que tão bem os acolheu.

O leão que era o habitante mais respeitado e temido, no topo hierárquico da floresta, também partiu em disparada e gritava mais alto do que todos os outros animais:

SALVE-SE QUEM PUDER!

ESTA TUDO PERDIDO!

NÃO TEM JEITO!

A CASA CAIU!

F... MESMO!

(caro leitor, desculpa os gritos, mas o leão é assim mesmo, sempre grita muito alto, dizem que é para “impor” respeito, mas na maioria das vezes é muito covarde).

E quanto mais ele gritava, mais os habitantes da floresta se convenciam que estava tudo acabado mesmo, e fugiam, afinal! Ele era o rei dos animais, e ninguém duvidava de sua palavra, faziam tudo sem questionar sua autoridade, até o bicho preguiça corria! (nas costas da tartaruga, mas corria).

De repente, o castor que é muito observador e que jamais foge do trabalho por pior que seja, parou e chamou a atenção dos outros animais para uma cena incomum.

Um pequeno beija flor, voava rápido e constante ate uma fonte próxima, pegava água no seu pequeno bico voava ate o incêndio e jogava aquele pouquinho de água no fogo.

Já estava fraco e com suas penas chamuscadas, pois desde quando se iniciou o incêndio, ele estava tentando apagá-lo sem obter muito sucesso, tinha tudo para desistir, cansado e solitário na sua tarefa de salvar a floresta, mas continuou tentando.

Os animais vendo aquilo, pararam.

Momentaneamente ficaram meio que paralisados observando aquela cena insólita, e ficaram na dúvida sobre fugir e ficar.

O leão também parou, e em tom de gozação, começou a dar gargalhadas pelo gesto do beija-flor, e disse para o coitado já todo chamuscado em tom de gozação:

HÁ! HÁ! HA! VOCÊ TÁ MALUCO!

TOMOU ÁGUA DE PLACENTA QUANDO NASCEU?

ENDOIDOU DE VEZ?

TU VAI MORRER TORRADO IDIOTA!

IMAGINA! COMO VOCÊ É PRETENSIOSO!

EU! QUE SOU O PODEROSO LEÃO! O REI DESSA JOÇA TODA, EXEMPLO DE FORÇA E TUDO MAIS! NÃO CONSIGO APAGAR ESSE INCÊNDIO, IMAGINA VOCÊ! UM SIMPLES E FRÁGIL BEIJA-FLOR, ACHA QUE VAI CONSEGUIR?

E o beija flor respondeu ofegante: Eu amo essa floresta, nasci aqui, ela me deu alimento e vida, não posso deixá-la ser destruída pois se isso acontecer não haverá futuro para minha família e nenhum de nós, eu estou fazendo minha parte para que no futuro, eu tenha a minha consciência tranqüila.

Dito isso, ele educadamente pediu licença, disse que não tinha tempo a perder pois acreditava de coração que o incêndio poderia ser apagado e saiu voando em direção a fonte, não sem antes ouvir do leão: MAS TU É PRETENSIOSO MESMO HEIN MANÉ! ISSO É PURA UTOPIA!

Mas o beija-flor não deu ouvido e partiu para sua honrosa tarefa.

Os outros animais entre olharam-se, ainda meio com medo e assustados, e liderados pelo castor, correram atrás do beija-flor para ajudá-lo, mesmo sob as gargalhadas e até ameaças do leão.

Depois de algum tempo o fogo foi dominado, a floresta apesar de bastante danificada, foi recuperando-se aos poucos e na época das moções, ela se recuperou de vez.

O leão estava envergonhado, continuou fazendo suas criticas destrutivas e não moveu uma palha sequer para ajudar a recuperar a floresta, mas morava lá, de lá continuou a tirar seu sustento, quando ele saia da floresta para passear pelos arredores, para manter a pose, dizia para todos os outros animais de outras regiões que foi ele o salvador da floresta, (apesar de todos saberem que era pura mentira) os animais aprenderam a lição e trabalhavam duro para melhorar cada vez mais a floresta, trabalhavam sem se importarem com as criticas, apesar do leão, a floresta ficou melhor.

Não construíram nenhuma estátua para o beija-flor, durante muitos anos, seu ato foi comentado por muitos, depois caiu no esquecimento.

Porém isso não incomodava nem um pouco o beija-flor, teve uma atitude de desprendimento, mas não fez o que fez para contar bravatas, já velhinho dormia tranqüilo vendo seus filhos, netos e discípulos vivendo naquela linda floresta e vivia tranqüilo com a sensação do dever cumprido, sempre que passava perto da fonte, agradecia a Deus e a natureza por ter-lhe dado tanta força para continuar lutando por aquilo que ele acreditava.

Eu tenho o beija-flor como exemplo de vida, não acho que sou tão obstinado quanto ele, mas tento o tempo todo seguir seu exemplo, sei que jamais serei como ele, mas me acho parecido com o castor que vendo aquele gesto nobre, descruzou os braços e o ajudou.

Conheço e vejo muitos “leões” no karate, conheço alguns poucos beija-flores, mas conheço muitos castores que fazem a diferença. Tenho uma convicção dentro do coração, sei que não é utopia, a convicção de que juntos, vamos fazer com que nossa modalidade conquiste o mundo!

E você? A floresta esta queimando, vai ficar ai sentado e continuar a ouvir o leão?

Ou vai sem muito alarde ajudar a apagar o fogo da floresta?

Você já parou pra fazer uma análise a auto critica? Será que você não age e exemplifica o próprio leão da fábula?

Não se esqueça que o futuro dos teus alunos e amigos depende do que você fizer agora, Carpe Diem! Viva com responsabilidade e intensidade o momento presente, ele é uma dádiva de Deus, não o desperdice sendo mesquinho e preguiçoso! Vamos à luta?

OSS!"
« Última modificação: Abril 16, 2008, 00:53:24 por Antonio Pêcego »
Momo
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Offline J.Lezon

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Re: II-KARATE-BUDO E ALTO RENDIMENTO
« Resposta #1 Online: Abril 17, 2008, 19:09:16 »
Concordo com tudo o que está dito pois, vai exactamente de encontro ao que eu já disse algumas vezes aqui no fórum.

Mas, pelo que me é dado observar, tanto ele como eu, devemos estar a sonhar... 

Hai!!!
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Re: II-KARATE-BUDO E ALTO RENDIMENTO
« Resposta #2 Online: Abril 18, 2008, 11:27:15 »
A imagem que tenho do karate-do como atividade física e como Budo, é associada a  pessoas saudáveis e com uma predisposição genética á prática de exercício físico, já que possuem boa saúde, vigor físico e disposição mental.
Os benefícios que se manifestam sob todos os aspectos do organismo do ponto de vista músculo-esquelético, auxilia na melhora da força e do tônus muscular e da flexibilidade, fortalecimento dos ossos e das articulações. No caso de crianças, pode ajudar no desenvolvimento das habilidades psicomotoras.
Podemos ainda escolher nossas atividades, quer seja pela preferência pessoal, aptidão, risco associado à atividade (lesões comuns em determinados esportes) etc., e podemos associar isso tudo a uma via de escape de nossa energia pelo modo de vida estressante que levamos, sem contar os efeitos produzidos no convívio social do indivíduo, tanto no ambiente de trabalho quanto no familiar.
O que quero dizer com isso e que o karate tem que estar a serviço das pessoas que realmente necessitam e não apenas a uma minoria que busca apenas uma performance no esporte e a consequência busca por títulos.
Dizer que os “Esportes de Alto Rendimento” são uma saída para melhorar a imagem ou fazer crescer o karate-do é uma utopia, não precisamos aprender ganhar nem perder, mas simplesmente nos divertimos com aquilo que fazemos. Num dia normal de treino que você olha em volta e vê os olhos dos amigos brilhando de alegria por estar ali reunidos, suando, sofrendo junto e compartilhando com eles a alegria de estar ali, sem interesse nenhum. Não tem treino de alto rendimento que pague isso.
O karate como modo de vida  está mais para cooperação do que competição.

abraço a todos,

Ribas

Offline J.Lezon

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Re: II-KARATE-BUDO E ALTO RENDIMENTO
« Resposta #3 Online: Abril 18, 2008, 14:09:44 »
Caro Ribas,

Concordo em parte com a sua opinião, mas no fundo, o que o amigo diz e bem, que o Karate tem de estar ao serviço de todos e especialmente dos que necessitam.

Pois bem , serviços de todos inclui também aqueles que o querem praticar na via do desporto que, muito bem sabe, trata-se apenas e só de uma curta etapa da  vida de cada um que queira enveredar por ele. Não se esqueça que a grande maioria da juventude gosta de competir. Hoje a própria vida é uma competição.

Quero-lhe dizer que eu sou um tradicionalista, aliás dizem que até sou um prefeccionista, mas não deixei passar ao lado a via desportiva do Karate. E deixe que lhe diga, tem muitas coisas boas para aprender, acredite. Se formos a analisar o que se encontra de mau, temos também que reconhecer o que o tradicional também tem e muito...

O que está em causa é a convivência das duas vias que é perfeitamente viável e aconselhável a todos os títulos, caso contrario todos  saem a perder.

Hai!!!
« Última modificação: Abril 18, 2008, 14:11:54 por J.Lezon »
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Re: II-KARATE-BUDO E ALTO RENDIMENTO
« Resposta #4 Online: Abril 18, 2008, 15:28:44 »
Sensei Lezon,

Concordo com o Sr, quando diz "
O que está em causa é a convivência das duas vias que é perfeitamente viável e aconselhável a todos os títulos, caso contrario todos  saem a perder.", mas a base da pirâmide são pessoas comuns que esperam mais de uma aula de karate-do. Por exemplo dentro da sua linha de karate (Wado) existem uma variedade de treinamento (RENRAKUWAZA, KATA, IDORIS, TANTO DORIS, KUMITE etc) e são técnicas que dificilmente um atleta de alto rendimento treinaria. Porque apenas priorizar para uns poucos ?

Dizer que quanto melhor um indivíduo se adapta ao meio ambiente em transformação, maiores são suas chances de sobreviver não implica necessariamente dizer que o melhor modo de adaptação seja a competição.

No mundo globalizado a cooperação obtem um resultado melhor do que a competição.


Ribas

Neto110

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Re: II-KARATE-BUDO E ALTO RENDIMENTO
« Resposta #5 Online: Abril 18, 2008, 15:49:51 »
Citar
Nós realmente estamos preparados para ser esporte de alto rendimento no sentido literal da palavra?

Quem sabe o que é isto, não quer isto para seu esporte, quer para si mesmo como atleta ou para si mesmo como treinador.

Em esporte de alto rendimento só tem para poucos, a grande maioria vive de migalhas.

Offline J.Lezon

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Re: II-KARATE-BUDO E ALTO RENDIMENTO
« Resposta #6 Online: Abril 18, 2008, 15:52:03 »
Caro Ribas,

Também estou de acordo com o que vc muito bem disse. Mas o que eu vou dizer a seguir depende de cada instrutor.

Eu nunca obriguei ninguém a competir, tal como também nunca prescindi de ensinar os meus alunos de competição a treinarem o puro Wado e nem por isso deixei de formar muitos campeões.

Só que eu me dispunha a treinar competição fora das horas normais dos treinos de Wado, e só para aqueles que queriam de facto competir. Todos o smeus alunos sabem o estilo e nunca eu treinei alguém apenas destinado à competição. No entanto, reconheço que hoje das duas uma, para se ganhar algo de importante numa prova desportiva, é preciso dedicar muito mais tempo ao treino competitivo, caso contrário não terá hipóteses de vencer, uma vez que já existem profissionais de Karate que passam a treinar competição diariamente umas 6 a 8 horas.

Concretamente, num universo de por exemplo 100 alunos, só uns 10/15 fazem competição, isto nos seniores, porque já nos escalões mais jovens tudo se altera, a grande maioria quer competir e depois vêm certas desilusões...

O instrutor de Karate tem de ter uma imensa polivalência, o que não  é para todos...Ser instrutor de Karate não é o mesmo que ser de futebol ou andebol, é muito mais complicado...

Não podemos cortar as asas àqueles que querem voar no caminho da competição, sendo preciso lidar bem com eles para que quando chegarem ao fim da sua caminhada desportiva, não abandonarem o Karate como acontece a uma grande maioria deles, o que é muito triste e revelador de que algo falhou por parte de quem os ensinou.

Esta é a minha opinião.

Hai!!  
« Última modificação: Abril 18, 2008, 15:55:22 por J.Lezon »
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Re: II-KARATE-BUDO E ALTO RENDIMENTO
« Resposta #7 Online: Abril 18, 2008, 16:18:07 »
Exatamente Sensei Lezon, o lugar mais alto do podium está reservado apenas a uns poucos e essa sensação de vitória e de que sou o melhor é passageira e no final fica apenas a frustração.

Recentemente assistindo a uma aula de um conhecido atleta de competição que não vou citar o nome, fiquei admirado com sua movimentação e forma de ensinar os novos conceitos de competição dentro da regra atual (WKF). A minha decepção veio após seu professor retomar o curso da aula e treinarem fundamento e kata, ai sim deu para ver a fragilidade do karate de um atleta considerado de ponta.

Ribas 

Offline J.Lezon

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Re: II-KARATE-BUDO E ALTO RENDIMENTO
« Resposta #8 Online: Abril 18, 2008, 16:44:26 »
Ele há de tudo meu amigo...por isso eu disse que o instrutor é muito importante na vida do praticante.
Sabe, muitas das vezes eu vejo certas pessoas com cargos de ensino a serem muito renitentes à competição, ou mesmo contra ela, mas muitas das vezes é por falta de capacidade para se integrarem e/ou desenvolverem determinado trabalho específico que o Karate competivo requer. 

Depois sob a capa da tradição, etc, etc, tentam por todos os meios denegrir o Karate desportivo, esquecendo-se que ao fazê-lo, estão a prejudicar o próprio Karate em si e que a eles vai fazer ricochete...

Quando dizem tanto mal do Karate desportivo, estão a dar motivos para que também digam mal do tradicional. Ambas as vias têm coisas positivas e negativas, não pensem eles que no tradicional tudo é bom...

Enfim, uns sabem bem das suas proprias limitações e procuram escamoteá-las e/ou ocultá-las pondo o mal nos outros...

Eu estou prefeitamente à vontade para dizer o que é bom e mau na competição, como também no tradicional. E digo mais, o Karate desportivo deu-me também muito conhecimento técnico, mas especialmente no campo científico.

Hai!!!       
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Antoine

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Re: II-KARATE-BUDO E ALTO RENDIMENTO
« Resposta #9 Online: Abril 19, 2008, 15:47:59 »
Senhores, essa dicotomia é algo que está se tornando tão forte, cisória, que proponho que;

1 -  Aos que acreditam no Karate Esporte, que avaliem a possibilidade  e/ou necessidade de postar no Grupo Karate esporte do Fórum.

2 - Que talvez seja criado um grupo "Karate Budo" ou algo do gênero.

3 - Talvez daqui a um ano - pelo andar da carruagem - tenhamos dois Fóruns separados.

Caro Ss., Antonio, sequer passa pela cabeça de muita gente o Karate ser esporte, muito menos ser Olímpico.

Eu não pratico um esporte de alto ou sequer rendimento algum. Eu pratico e treino Karate Shotokan tradicional e sequer conseguiria conceituá-lo segundo os termos do vosso tópico. Com todo respeito, vamos separar;

Karate é Karate, mas,
Competição de karate é competição de Karate, me incluo nessa família,
Karate de competição é Karate de competição, Não estou nessa.
Karate Olímpico é Karate Olímpico, Parece Karate, mas é uma espécie de ginástica.
Karate de alto rendimento, acho que nem mais Karate é mais.

Desculpe a rudez do post e a ousadia de um Kohai.

Oss.

Offline Antonio Pêcego

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Re: II-KARATE-BUDO E ALTO RENDIMENTO
« Resposta #10 Online: Abril 22, 2008, 20:01:26 »
Prezados,

Finalmente, depois de dias sem conseguir postar neste fórum, agora a net me oportunizou.

Coloquei o prefácio do livro divulgado prematuramente para conhecimento, reflexão e debate no lugar certo, ou seja, onde trata de livros etc.

Concordo com o Amigo Lezon Sensei, dizendo que uma andorinha só não faz revoada.

Fui criado dentro do karate tradicionalista e treino ainda hoje o mesmo, mas isso não impede que tenha uma visão diversa daqueles que são contrários à competição.

Com efeito, o primeiro campeão mundial foi Kanazawa.  Muitos são contra a competição de karate, mas ao mesmo tempo muitos desses competiram no passado.

Ora, quem compete no karate, o vê como esporte de competição, e não como uma atividade de vida e/ou morte.

O que ocorre é que com o tempo há a natural evolução de toda e qualquer competição esportiva, havendo tendência de que todo "atleta" fique cada vez mais competitivo porque o nível assim o exige.

Na década de 90 fui Bi-Campeão Brasileiro de Tiro Policial (92/93); Vice-Campeão Brasileiro de Tiro Prático (1994), com 2,63% atrás do campeão e Campeão Sul Americano de Tiro Prático - IPSC (Argentina - 1994), além de outros títulos, tendo participado do Mundial em 1996 e integrante da seleção brasileira por oito anos.  Parei de treinar e competir tiro prático em 1996, após o Mundial, quando cheguei em uma pista a ficar no 13º Lugar.  À época, sem falsas modéstias, dava curso por todo o Brasil de tiro prático e era, digamos, uns dos melhores do país. 

À época, era classificado pela Confederação Brasileira de Tiro Prático como atirador Master, mas nos EUA não passaria de um classe A, embora no Mundial tivesse ganho em muitas pistas de vários profissionais americanos Master, contudo se fosse a um campeonato americano, com certeza, com sorte e bom desempenho, ficaria entre os trinta primeiros colocados.

Hoje em dia, há atiradores de tiro prático que são pentacampeões nacionais e no americano ficam entre os 10 primeiros colocados.  Estou falando de um amador perante profissionais que ganham por ano mais de um milhão de dólares só para atirar.  Pergunto: Por quê ??? a competição evoluiu, os atletas acompanharam essa evolução, porque quem não acompanhou ficou para trás como eu que nada significo para esse mundo atual, mas nem por isso tenho a sensação de frustração, muito pelo contrário, tenho a de satisfação por algo que já fiz e conquistei ao seu tempo.

Com o karate, mudando o que se deve mudar, não é muito diferente.  O conterrâneo Gustavo já competiu outrora e por aí vai com outros colegas, mas outra época em que lhe agradava competir, hoje não mais lhe interessa, mas nem por isso, e isso se aplica aos demais, há de se ficar insurgindo contra as competições de karate.

É saudável, ajuda na formação do homem e do caráter, desde que a essência do karate não seja deixada de lado, pois de outra forma, no dia que acabar as competições acabara o karate, e este deve ser para toda a vida, deverá ficar enraizado, forjado no praticante a sua essência para que, mesmo que tenha parado por alguns anos, possa um dia voltar a praticar aquilo que ficou bem registrado ou marcado em seu corpo e em sua cabeça.

Assim, acredito que possa caminhar na mesma trilha do karate a sua vertente esportiva (que sempre existiu) e sua vertente tradicionalista, pois afinal são apenas passos diversos que se dão no mesmo sentido.

É o que penso com respeito às opiniões em contrário.

Oss !!!
Momo
"Conhecer os outros é sabedoria, conhecer a si próprio é Iluminação." Lao-Tzu

Offline Luiz

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Re: II-KARATE-BUDO E ALTO RENDIMENTO
« Resposta #11 Online: Abril 23, 2008, 07:49:58 »
Muito bom Antonio, gostei muito do seu post e espero que os tão ferrenhos e contrários a competição também reflitam sobre.

OSS...
"Aqui se cultiva o corpo e a mente"

Offline J.Lezon

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Re: II-KARATE-BUDO E ALTO RENDIMENTO
« Resposta #12 Online: Abril 23, 2008, 08:33:49 »
...Mas eu pergunto:

Será que as pessoas não podem conviver?

Que motivos têm os renitentes à competição para não conviverem humanamente com aqueles que estão afectos a ela?

Será que essas  pessoas são "bicos" repelentes? Ou será que são eles próprios que estão conscientes que padecem desse mal?

Qual é afinal o problema?

Tal como diz o Luiz, reflitam todos sobre a questão...

Hai!!!

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Offline yama

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Re: II-KARATE-BUDO E ALTO RENDIMENTO
« Resposta #13 Online: Abril 23, 2008, 08:38:24 »
Oss

          A idade!!! :o

tudo pode ser trabalhado é só querer 8)

Oss
alberto/Santos.
yama-Alberto S. Almeida

Offline Pedro

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Re: II-KARATE-BUDO E ALTO RENDIMENTO
« Resposta #14 Online: Abril 23, 2008, 10:32:17 »
Olá!
Caro Antonio Pecego,embora tenha achado o seu texto muito bom e,sou contrário as competições de Karate e, como pediu o Amigo Luiz, venho refletindo os porques desta minha posição:
Muitos dos que como eu são contra competições, já participamos sim de competições em épocas outras, onde os Arbitros eram mais adequados, e com regras bem diferentes das de hoje.
Se o Karate é uma Arte Marcial, não pode ser encarado como esporte, mesmo porque o seu uso é traumatizante é também existe o  comportamento pesoal. Assim sendo, o que se fará em uma competição, é somente pirotecnia e fingimento de golpes.
Se o praticante treina com afinco,dedicação e com a disciplina que o Karate exige, estará conscio e terá a paciência em  não precisar provar a sua real eficiência.
Se o ato de competir não fosse apenas uma demonstração de vaidade, porque os competidores não treinam para uma maior eficiência como Arte Marcial ao invéz de uma maior eficiência em um jogo de quem pontua primeiro?
Mas, o maior problema que vejo nas competições, não é apenas a forma equivocada dos treinamentos de uma Arte Marcial, mas o comportamento inadequado nas posturas técnicas e das comemorações de golpes e vitórias, onde uma Arte Marcial faz Vc. sentir ao vencer seu oponente,apenas a tristeza. Também o comportamento inadequado dos arbitros e organizadores,que na maioria das vezes não é de muita cortezia nem de muita disciplina em organização.
O Karate não deve ser confundido com o esporte,é uma Arte Marcial.
Oss!
Pedro   
Com o "Obi", amarre seu corpo ao seu espirito,e vai em frente.