Autor Tópico: Pedofilia  (Lida 4455 vezes)

sandraherbst

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Pedofilia
« Online: Dezembro 28, 2010, 19:09:28 »
Oss,
O tópico anterior foi fechado, os motivos foram explicados, me pareceram justos (em função do vídeo, que poderia dar problemas de várias naturezas, inclusive criminais, prejudicando o site, seus administradores e a pessoa que o postou).
O assunto me pareceu importante e, após conversa mantida com o moderador, ficou acertado que os debates poderiam ser retomados em "Off-topic", sem postagens de vídeos, inclusive pelo acesso de menores ao site, o que o tornaria impróprio, mas com possibilidade de postagens de dados estatísticos, de saúde pública e dos benefícios que o karatê pode trazer para quem sofreu com abusos melhorando sua auto estima e autoconfiança, também válidos para casos de Bullying.
Pedófilos, em geral, são pessoas respeitáveis dentro da sociedade, acima de qualquer suspeita e usam esta fachada para fazer suas vítimas. Ele pode ser o padre da sua paróquia, o professor do seu filho, seu irmão, qualquer um. Existem traços característicos que podem nos ajudar a identificá-lo, diminuindo a possibilidade de sua ação dentro de dojôs e academias.
Conto com suas postagens, Lembrando: "Sem vídeos de Pedofilia, tipo : Pedófilos em ação".
Gde abç
Sandra

sandraherbst

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Pedofilia - Turismo sexual
« Resposta #1 Online: Dezembro 28, 2010, 20:04:05 »
Extraído de  http://br.monografias.com/trabalhos3/turismo-exploracao-sexual/turismo-exploracao-sexual.shtml

LISTA DE ABREVIATURAS
ABRAPIA Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência.

CEDCA Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente.

CEDECA Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará.

COMDICA Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente.

CONANDA Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.

ECA Estatuto da Criança e do Adolescente.

ECPAT End Child Abuse in Asian Tourism.

FUNCI Fundação da Criança e da Família Cidadã.

ILO International Labour Organization.

MPCP Movement to Prevent Child Prostitution.

POMMAR Prevenção Orientada a Meninos e Meninas em Risco.

SETAS Secretaria Estadual do Trabalho e da Ação Social.

SOMA Secretaria Estadual da Ouvidoria Geral e do Meio Ambiente.

UNICEF Fundo das Nações Unidas para a Infância.


RESUMO
A compreensão do significado antropológico da prostituição no Nordeste brasileiro, com implicações no desenvolvimento deste estudo sobre "Turismo e exploração sexual infanto-juvenil: Fortaleza - CE", não só contempla a investigação e análise das formas e fontes de exploração sexual através do turismo, mas também os efeitos do desenvolvimento do turismo sem planejamento ao longo do tempo. Essa prática há de ter um fim. Não podemos aceitar que crianças e adolescentes se transformem em produto turístico. Esse dilema social vem sendo debatido em diferentes disciplinas, que têm colaborado para o estudo desse fenômeno turístico na construção de uma atividade ética. A produção de um vídeo-denúncia tem como objetivo tornar-se um "produto convite" para o debate deste trabalho, que deve estimular o espectador a combater com mais afinco essa atividade cruel e perniciosa — um dos principais coadjuvantes do mercado da violência em nosso país.

1 INTRODUÇÃO
É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, crueldade e opressão.

As praias e a cultura diversificada do Nordeste brasileiro atraem um grande fluxo de turistas. Mas, nesse universo de cultura e lazer de "sol e mar", também surge o turismo sexual. Fortaleza passou a ser um dos destinos mais procurados para esse tipo de prática. Muitos turistas já chegam ao Ceará com o objetivo de manter relações sexuais com crianças e adolescentes.

O problema do turismo sexual no Brasil é mais sério do que se pensa. Um lugar com tantas belezas naturais e com uma oferta cultural tão diversificada como Fortaleza precisaria transformar suas crianças e adolescentes em produtos comercializáveis aos turistas? A convicção de que medidas efetivas devem ser tomadas vem crescendo, mas ainda há muito que fazer; e é nesse contexto que este trabalho está inserido. Um dos caminhos possíveis para minimizar esse problema social está na conscientização e no debate público capazes de enfrentar a complexidade dessa situação. As leis de proteção de crianças e adolescentes precisam ser respeitadas. Neste caso específico, os profissionais envolvidos com o turismo também precisam ter uma responsabilidade ética.

O objetivo deste estudo é apresentar alguns aspectos da exploração sexual infanto-juvenil que tem envolvido a comunidade de Fortaleza e os turistas, visando ampliar as discussões sobre o tema. As pesquisas de campo realizadas no segundo semestre de 2003 e no primeiro de 2004 resultaram em um vídeo-denúncia constituído de depoimentos e imagens, que evidenciam aspectos sociais e culturais relacionados ao crescimento dessa forma de prostituição.

Para compreender melhor o objeto de estudo como um problema social gestado no contexto político-econômico do capitalismo do século XX e início do século XXI, foram realizadas pesquisas conceituais e um histórico geral das relações entre o turismo e a exploração sexual infanto-juvenil. Complementarmente, foram realizados levantamentos de campo para o desenvolvimento de um mapa das zonas do turismo sexual da região da Avenida Beira-Mar de Fortaleza. Optou-se por apresentar esta pesquisa, que serviu de fundamentação ao vídeo-denúncia, no corpo deste trabalho, para instrumentalizar a reflexão crítica de outros pesquisadores.

Considerando que o turismo sexual é uma atividade totalmente contrária à ética do turismo, pois causa inúmeros problemas sociais, culturais e sanitários para a localidade, pretende-se através deste trabalho motivar novas abordagens sobre o tema. Avaliar a dimensão deste problema implica em aceitá-lo em suas várias esferas da realidade social, não só regional, mas como parte de um contexto sociopolítico e econômico brasileiro. O trabalho infantil é proibido, a renda familiar não basta para manter as famílias que vivem nas periferias das grandes cidades. Crianças e jovens, sem a possibilidade de inserção no mercado de trabalho, pela idade e pela desqualificação profissional, encontram na prostituição uma alternativa de sobrevivência.

Na medida em que me envolvia nas atividades de campo, os relatos da realidade redimensionavam minha relação com o objeto de estudo. Essa aproximação me permitiu sentir como o universo da prostituição pode ser tentador e cruel, pois, por um lado, há a facilidade de ganhar dinheiro, a possibilidade de garantir uma renda que jamais seria obtida em outras atividades. Mas, por outro lado, os tristes relatos que ouvi e registrei me levaram à reflexão da perversidade do capitalismo, que leva crianças e adolescentes a se prostituírem para sobreviver.

sandraherbst

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Pedofilia - Turismo sexual - (PARTE 2)
« Resposta #2 Online: Dezembro 28, 2010, 20:15:14 »
CONTINUAÇÃO - PARTE 2

Essas experiências de campo me conduziram a buscar os recursos metodológicos da antropologia cultural. Esses referenciais antropológicos instrumentalizaram-me para romper com os rigores metodológicos das pesquisas que pressupõem a necessidade de afastamento do sujeito e do objeto. Passei então a encontrar as pessoas, ouvir seus relatos de forma mais livre, desenvolvendo a pesquisa conforme essas narrativas apontavam novas questões passíveis de serem investigadas. Aprendi, portanto, que a objetividade do pesquisador não prescinde de seus sentimentos, de sua sensibilidade; neste caso, optei por estabelecer uma relação de diálogo e não de interrogatório com meus entrevistados. Passei a figurar em meus textos como o autor de relatos densos até então considerados descartáveis.

Esta opção não se deu logo e nem foi o primeiro passo no desenvolvimento do estudo. A princípio, busquei sistematizar um modelo semi-aberto de entrevistas visando responder uma questão inicial específica que pretendia determinar o porquê do turismo sexual. Nesse momento, os dados quantitativos foram priorizados, como instrumento de investigação da realidade, pois acreditava ser necessário delimitar o mais rigorosamente possível a abordagem. Assim, os primeiros questionários foram estruturados de modo a conter perguntas que se limitassem a uma investigação sobre as razões do turismo sexual.

A primeira etapa da pesquisa de campo foi realizada no segundo semestre de 2003, e quando passei à etapa da análise pude refletir sobre as possibilidades que o relato livre dessas pessoas poderia ter trazido; percebi a limitação, a insuficiência das metas estabelecidas inicialmente e redimensionei os rumos do estudo. Coloquei o foco principal na dinâmica da exploração sexual infanto-juvenil, procurando desvendar os principais envolvidos nessa trama social que compreende  a comunidade e os turistas, visando a elaboração de uma denúncia.

Em função desse redimensionamento da problemática do porquê para o como, a pesquisa quantitativa foi posta em segundo plano, priorizando-se a pesquisa qualitativa. Entretanto, alguns dos questionários e entrevistas não puderam ser refeitos porque não foi possível reencontrar muitos dos entrevistados da primeira fase. Por esse motivo, algumas entrevistas mostram-se bastante limitadas. Mas mantive esses registros no anexo do trabalho, justamente para mostrar o processo de desenvolvimento da pesquisa e não apenas o resultado final.

Foi justamente a experiência da pesquisa de campo que mostrou o quanto seria contraditório reivindicar uma importância social para o turismo, referir a responsabilidade ética do profissional da área e tratar as pessoas como simples objetos para um levantamento estatístico. Pelo mesmo motivo, não seria pertinente apresentar um resultado final sem apontar os caminhos que levaram a ele. Ao propor uma discussão, um debate sobre a questão do turismo sexual, não poderia apresentar uma conclusão fechada em si mesma. Além do mais, esse processo interpretativo se construiu muito mais pela prática, pelas experiências, pelos erros e acertos dela decorrentes.

As informações bibliográficas sobre a região, suas formas de cultura e lazer, sobre a sociedade, economia e turismo, foram importantes na construção da metodologia de pesquisa, bem como na fundamentação das reflexões sobre a prostituição infanto-juvenil e sobre o turismo sexual. Mas foi na experiência vivida que encontrei os caminhos para definir e desenvolver meus objetivos. Por isso, em vários momentos no decorrer deste trabalho sempre que me referi diretamente às questões observadas em campo, expondo-me na primeira pessoa do singular e rompendo algumas das convenções normalmente utilizadas em trabalhos acadêmicos. Incluo minha experiência entre as outras relatadas nos depoimentos e entrevistas, pois a interação com essas pessoas foi fundamental para a realização do projeto.

Esse tipo de abordagem metodológica fundamenta-se nas orientações de pesquisa de campo propostas pela antropologia cultural, de observação participante e de entrevistas. A observação participante permitiu a interação com crianças e adolescentes e o convívio com a comunidade das regiões onde ocorre a prostituição . As pesquisas nas fontes bibliográficas e nas fontes documentais tiveram um caráter exploratório para uma comparação com a realidade encontrada.

O vídeo, que também segue a metodologia proposta pela antropologia visual, foi a última parte deste trabalho, e, através de recursos de áudio, imagens fotográficas, filmagens e produções digitais de animação, buscou-se viabilizar uma outra forma de exposição do problema deste estudo. A diversificação dos suportes utilizados visa atingir de maneiras diferentes o público, possibilitando uma nova forma de motivar discussões e reflexões sobre o tema. A imagem editada no vídeo, neste caso, foi constituída como uma representação, pois não é a realidade em si. O vídeo foi a maneira encontrada para registrar um olhar pessoal sobre a problemática e interpretar uma dada realidade.

Este trabalho encontra-se dividido em quatro partes principais em formato de texto e um vídeo gerado em sistema digital.

No primeiro capítulo, sistematizamos informações básicas e avaliamos o crescimento do turismo sexual e do envolvimento de crianças e adolescentes nesta prática no mundo, no Brasil e em Fortaleza. A seguir, apresentamos algumas ações de combate ao turismo sexual conduzidas pelos países emissores desses turistas. No segundo momento, anexamos um resumo sucinto das ações oficiais de combate e alguns direitos de crianças e adolescentes baseados no Estatuto da Criança e do Adolescente.

No segundo capítulo, abordamos a questão da construção do espaço urbano de Fortaleza, descrevendo sumariamente o contexto da segregação sócio-espacial implantado na cidade a partir do desenvolvimento da região da avenida Beira-Mar. A seguir, tratamos da consolidação dos espaços e das políticas de desenvolvimento do turismo no Estado do Ceará.

No terceiro capítulo, assunto de principal interesse, enfocamos a exploração sexual infanto-juvenil praticada pelo turismo sexual em Fortaleza. Esse capítulo constituiu-se no principal desafio em função da diversidade de fontes de pesquisa utilizadas: bibliográficas, relatos de moradores e envolvidos na exploração sexual e informações empíricas coletadas a partir das observações participante. No quarto e último capítulo, apresentamos a produção textual que deu origem ao vídeo-denúncia, algumas notas sobre a experiência da produção de um material dessa natureza e a ficha técnica de produção.

•TURISMO SEXUAL
Os avanços no século XXI serão conquistados pela luta humanitária contra os valores que justificam as divisões sociais – e contra a oposição que essa luta terá de enfrentar por parte dos interesses econômicos e políticos estabelecidos.

Este capítulo pretende oferecer subsídios para o debate da polêmica questão do turismo sexual, problematizando, especialmente, o crescimento do turismo sexual infanto-juvenil no mundo. Ordenamos as informações em dois momentos principais. No primeiro contemplamos o contexto mundial e o contexto brasileiro. Apresentamos, por fim, algumas ações oficiais de controle promovidas nos países emissores dos turistas sexuais, visando auxiliar em futuras ações brasileiras.

Neste início de século digitalizado surge uma motivação para os deslocamentos que a cada dia passam a ser mais rápidos e mais eficientes, guiados pelos sistemas de comunicação. Objeto que proporciona relacionamentos palpáveis em um curto período de tempo. Através das novas tecnologias, muitas vezes oferece relacionamentos íntimos proibidos. O hedonismo nos leva a cultuar o corpo, a imagem chegando, a sexualidade transformando seres humanos em bens de consumo, nos guiando até ao primitivo.

O turismo sexual é a atividade de deslocamento organizado para a prática de atos sexuais comerciais com residentes do lugar de destino. Muitas vezes a prática desse turismo vem de uma casualidade da divulgação entre certos elementos na propaganda turística que aguçam o imaginário sexual do turista.

A prática do turismo sexual vem crescendo a cada ano principalmente nos países subdesenvolvidos e envolvendo mais crianças e adolescentes nesse processo. De acordo com Ryan e Hall, o turismo sexual consiste na interação entre dois grupos marginais, a saber: turistas de um lado, e prostitutas, homossexuais, ou categorias similares, de outro. Ambos os grupos se situam em posições ambíguas ou limites, com relação ou à lei, ou aos costumes, ou às convenções, etc. Essas "entidades" podem estar disfarçadas e, ao assumirem esses "papéis", não estão obrigatoriamente renunciando a outras dimensões de sua vida. O turista, por exemplo, está distanciando temporariamente de suas atividades regulares, mas retornará a elas depois de determinado período. O indivíduo engajado em atividades sexuais também não está vinculado permanentemente a esse processo, pois, como já dissemos anteriormente, ele ou ela geralmente assume outras funções sociais.

2.1 Turismo e exploração sexual infanto-juvenil no mundo

O presente subcapítulo foi elaborado a partir das informações sistematizadas através de organismos não-governamentais internacionais, tais como: End Children Prostitution, Pornography and Trafficking, Movement to Prevent Child Prostitution, International Labour Organization e Fundo das Nações Unidas para a Infância. Esses organismos em ação conjunta desenvolvem projetos voltados para a minimização de danos provocados por essa atividade, estimulados pelas análises estatísticas de crescimento da mesma no mundo. No turismo sexual encontra-se o comércio da exploração sexual infanto-juvenil. Essa atividade contraria totalmente a ética do turismo e vem sendo desenvolvida principalmente nos países considerados em desenvolvimento.

Alguns países já atuam vigorosamente no combate dessa atividade, como a Alemanha, por exemplo, que possui uma legislação específica para os crimes ligados ao turismo sexual. Na Espanha, Itália, França e também na referida Alemanha há leis de extraterritorialidade, que permitem processar quem comete abuso sexual contra menores no exterior. Na Itália, a Federação das Agências de Viagens e Turismo lançou uma campanha sobre as conseqüências da atividade no Brasil, Cuba e República Dominicana. Sabe-se que na Tailândia, em cuja capital, Bancoc, as crianças são oferecidas em catálogos aos turistas estrangeiros nos mercados populares. Essa prostituição forçada arrecada cerca de US$1,5 bilhão por ano. A situação no Brasil, comparada com a dos países asiáticos, é insignificante; destinos como Fortaleza evidenciam a necessidade de uma atuação imediata das autoridades e órgãos de proteção da infância e da juventude, para que não passemos a figurar nessa listagem de rotas preferenciais da exploração sexual.

A End Children Prostitution, Pornography and Trafficking(ECPAT), baseada em análises feitas em Bancoc, denuncia que, em diversas localidades turísticas, observou uma associação direta entre o crescimento do turismo e a exploração sexual de crianças. Essa entidade comenta ainda que existem entre 60.000 e 100.000 crianças engajadas na indústria do sexo nas Filipinas. Já no Vietnã, crianças com menos de 18 anos correspondem a aproximadamente 20% da "força de trabalho" vinculada à atividade. No Camboja, essa cifra atinge 31% e envolve crianças com idades que variam entre 13 e 17 anos.

As pesquisas da International Labour Organization (ILO) oferecem dados ainda mais alarmantes. Em 1995, havia pelo menos um milhão de crianças asiáticas envolvidas em algum tipo de atividade relacionada à exploração sexual forçada. Essa situação é especialmente alarmante em sete países da Ásia: Coréia, Tailândia, Filipinas, Sri Lanka, Vietnã, Camboja e Nepal.

Em 1996, o Movement to Prevent Child Prostitution (MPCP) notificou que nações como o Sri Lanka, Tailândia, Filipinas e Taiwan tornaram-se notórios destinos para pedófilos. Estimaram que entre 10.000 e 15.000 garotos, de 6 a 15 anos, foram vítimas desse tipo de comércio.

A expansão da exploração sexual de crianças e adolescentes em redes globalizadas, bem como a indústria do sexo, sustentada especialmente pelo turismo sexual, foi denunciada durante o Seminário Contra a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes nas Américas, realizado em Brasília. O julgamento dos exploradores sexuais de crianças e adolescentes no país da ocorrência e no país de origem do explorador foi uma das recomendações dos participantes desse encontro, que solicitaram a cooperação dos governos de outros países para que esses julgamentos fossem realizados.

No seminário foi proposta ainda a adoção, por todos os países, de leis protetoras e punitivas para eliminar a prática da exploração sexual. A adoção de leis penais extraterritoriais foi incluída no programa de ação proposto no congresso mundial, em Estocolmo. Na oportunidade, representantes de 119 países e de organizações não-governamentais, além do Unicef, comprometeram-se a estabelecer uma associação global contra a exploração sexual de crianças e adolescentes, mobilizando, inclusive, a "indústria turística" para que esta não permita o uso de suas redes para esse fim.


•Turismo sexual no Brasil
Nas ruas o presente nos assedia, traz a marca dos itinerários às vezes dispersos, difusos ou mesmo concentrados, definidos pela vida cotidiana.[...] Na rua encontra-se não só a vida, mas os fragmentos de vida, e é o lugar onde o homem comum aparece ora como vítima, ora como figura intransigente e subversiva. No movimento da rua encontra-se o movimento do mundo moderno.

Neste subcapítulo apresentamos um levantamento preliminar que visa à constituição de um quadro geral do sexo pago nas macrorregiões políticas do Brasil. Para tal, sistematizamos informações sobre o crescimento do turismo de exploração sexual infanto-juvenil em algumas regiões brasileiras, valendo-nos de dados quantitativos e qualitativos, visando mapear os envolvidos nesta prática.

Nesta pesquisa do espaço da prostituição no Brasil, podemos identificar as três principais capitais brasileiras envolvidas nesta prática: Rio de Janeiro, Salvador e Recife. Cabe destacar que estas cidades, por terem atraído um fluxo de turistas sexuais considerável, também ocupam um papel fundamental nos destinos turísticos brasileiros vinculados à diversidade cultural e à beleza cênica das paisagens naturais.

As comidas típicas, as belas praias, o carnaval e os monumentos históricos não são os únicos elementos utilizados na propaganda turística do Brasil no exterior. A imagem da mulher brasileira associada à sensualidade é muito freqüente nessas propagandas, o que colabora para o crescente número de visitantes que chegam ao país em busca do turismo sexual, especialmente no litoral do Nordeste.

A desigualdade social brasileira, com diversas características físicas e políticas sociais de desenvolvimento mal formuladas, acaba levando várias pessoas a se envolverem em situações de risco para a conquista de uma melhor qualidade de vida; muitas dessas pessoas se submetem, tornando-se escravas e escravos de americanos e europeus.

A cada ano que passa cresce a prática dessa atividade no Brasil. Nas pesquisas feitas nas cidades de Fortaleza, Natal, Recife, Salvador e Rio de Janeiro detecta-se que não só de estrangeiros vive o turismo sexual, mas sim de vários turistas domésticos que, em busca de sol e praia, aproveitam para praticar sexo sem compromisso e comercialmente.

As embaixadas brasileiras no exterior estão encarregadas de identificar agências de viagem que vendam pacotes para a prática do turismo sexual e impedir sua operação no Brasil. Estados e municípios que usarem marketing  sexual não receberão verbas da Embratur, que elaborou cartilha em parceria com o Ministério da Justiça e a Associação Brasileira de Hotéis, mostrando que o turista sexual é pouco rentável. Ele gasta menos de US$40 por dia, enquanto o turista convencional gasta US$80.

Na cidade do Rio de Janeiro, em especial, existe nas imediações da Praia de Copacabana, nos postos dois e três, e na Praia de Ipanema, próximo ao posto nove, um grande fluxo de turistas sexuais estrangeiros e domésticos em busca do turismo sexual GLS. Os brasileiros mulatos e negros que estão inseridos na prática do turismo sexual são os mais procurados.

A Bahia passou a se destacar, na última década, como um dos pontos mais procurados na rota do turismo sexual, principalmente na época do carnaval, e passou a ser um dos principais pontos do tráfico de mulheres para o exterior. Observa-se um grande fluxo de turistas sexuais em busca do turismo sexual GLS na cidade de Salvador, nas imediações do Pelourinho, onde uma rede organizada local faz a ligação entre turistas sexuais estrangeiros e adolescentes. Esses turistas são na maioria argentinos e italianos.

Verifica-se na Praia de Boa Viagem, no Recife, um grande fluxo de turistas estrangeiros em busca de turismo sexual GLS com crianças e adolescentes. A atividade se inicia no aeroporto, com uma quadrilha de taxistas que fazem os traslados na chegada dos turistas e do hotel onde os mesmo ficam hospedados, que fornece todos os contatos necessários para a prática do turismo sexual na cidade.


sandraherbst

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Pedofilia - Turismo sexual (CONTINUAÇÃO - PARTE 3)
« Resposta #3 Online: Dezembro 28, 2010, 20:20:10 »
CONTINUAÇÃO - PARTE 3

2.2.1 Turismo e exploração sexual infanto-juvenil no Brasil

A exploração sexual é um dos mais graves problemas que afetam a infância e a juventude no Brasil. Segundo a Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia), de fevereiro de 1997 a fevereiro de 2002 foram denunciados 2.350 casos de abuso e exploração sexual de menores. Estima-se que o número seja muito maior.

A End Child Abuse in Asian Tourism (ECPAT) – Itália, uma organização não-governamental que atua em mais de 30 países na luta contra a prostituição infantil, divulgou o alarmante dado desse tipo de prostituição no Brasil. São cerca de 500 mil menores, em especial no Norte e Nordeste, vendendo o corpo para pagar a conta da miséria, e que investem em seu sonho de  salvação nos braços de príncipes encantados louros e barrigudos. Aventura e prazer a baixo custo atraem por ano a Fortaleza, segundo a entidade, cerca de 70 mil italianos; por valores que oscilam entre dez e mil reais, é possível fazer um bom "programa" na capital cearense. Salvador e Recife também substituíram o Rio de Janeiro na preferência dos turistas sexuais de origem alemã, holandesa, suíça e italiana, que procuram menores acreditando que a idade diminui a possibilidade de contágio pelo vírus da Aids.

Verifica-se, nas cidades turísticas, que existem empresas de turismo atuantes, principalmente na Europa, que oferecem pacotes, incluindo passagens, estadia em hotéis e programas com meninas e meninos brasileiros. Há denúncias de conivência de autoridades com motoristas de táxi, disk-pizzas, doleiros, donos de barracas de praia. O maior número de turistas sexuais vem da Europa, especialmente da Alemanha, Portugal, Espanha e dos Estados Unidos; e são, na maioria, homens com idades entre 30 e 50 anos, de classe operária ou média baixa, que aproveitam as férias para uma temporada de orgia a baixo custo. Segundo informações de uma atendente de uma determinada companhia aérea do aeroporto de Lisboa, os vôos charteiros que têm como destino Fortaleza, Recife e Salvador, decolam com 98% de seus lugares com passageiros do sexo masculino. Considerando essas informações, pode-se inferir que não é um vôo familiar, com interesse em desfrutar a cultura e as belezas naturais do país e sim um vôo com intuito à prática de outro tipo de turismo.

Os espaços de algumas regiões brasileiras não estão associados à prostituição e não temos dados estatísticos sobre elas. As informações dos próximos dois parágrafos são relatadas por depoimentos de moradores das comunidades e análises antropológicas.

Nas regiões da Amazônia verifica-se que existe um grande fluxo de turistas estrangeiros que, em visita à floresta amazônica, aproveitam para explorar sexualmente as meninas das cidades ribeirinhas. Identifica-se uma organização em algumas cidades próximas da fronteira com o Peru junto ao Rio Solimões, onde os traficantes de drogas comandam a prática do turismo sexual, oferecendo meninas a "preço de banana". A situação na região é bastante crítica na prática de atos sexuais comerciais, atingindo principalmente crianças e adolescentes.

Nas cidades ribeirinhas ao longo do Rio Negro observa-se uma organização que leva meninas para serem exploradas em outras regiões brasileiras, principalmente o Nordeste e o Centro-Oeste. Segundo informações de uma adolescente com quem se teve contato na região do Rio Negro, elas são enganadas e levadas para trabalhos domésticos em casas de famílias de classe média dessas regiões; quando chegam, são induzidas a se prostituírem, sendo levadas a uma realidade pior do que a vivida em sua região. A adolescente também informou que uma vez por semana a organização passa de barco pelas cidades de São Gabriel da Cachoeira, São Joaquim, Barcelos, Carvoeiro, Santo Antônio, Novo Airão e algumas comunidades indígenas, contratando meninas entre 12 e 18 anos para trabalhar em outras regiões brasileiras, prometendo melhoria da qualidade de vida.

•Direito e ações oficiais
Hoje, as crianças têm seus direitos estabelecidos pelas leis internacionais, por quase todos os países. "... a ratificação (validação) obriga os governos especificamente a proteger a criança da exploração econômica e da realização de qualquer tipo de trabalho que possa envolver situações de risco, ou interferir na educação da criança, ou ser prejudicial à saúde ou ao desenvolvimento físico, mental, espiritual, moral ou social da criança.

Neste subcapítulo encontram-se algumas ações governamentais e não-governamentais de combate ao turismo sexual e alguns direitos de crianças e adolescentes estabelecidos pelo ECA.

O combate ao turismo sexual infanto-juvenil vem ganhando novas dimensões no Brasil e no mundo, nos últimos dois anos, mas ainda são tímidos os programas propostos para combater o problema. Em fins de 1995, o Brasil começou a agir para mudar a imagem do país no exterior retirando de seus cartazes e prospectos qualquer imagem de mulheres em trajes sumários.

O I Encontro Nacional de Parlamentares Integrantes de Comissões de Combate à Prostituição Infanto-Juvenil, realizado em dezembro de 1996 no Rio de Janeiro, aprovou algumas propostas de alteração do Código Penal, entre elas a mudança na classificação dos crimes sexuais, que hoje estão contidos no capítulo referente aos crimes contra os costumes, para o capítulo dos crimes contra a pessoa. O argumento principal dessa correção legislativa é que nos crimes de estupro ou abuso sexual a vítima é a pessoa e não a sociedade ou a família.

O Brasil é um dos países onde existe uma das maiores incidências de turismo sexual, não se sabe ainda a posição em que o país se encontra no ranking . Os organismos especializados insistem que essa atividade tem crescido a cada ano paralela ao crescimento da atividade turística. A Embratur lançou em fevereiro de 2000 uma campanha de combate ao turismo sexual infanto-juvenil, forçada pelas denúncias das organizações não-governamentais. Foi criado o Disque-denúncia Prostituição Infanto-Juvenil, um telefone de contato entre a população e a direção da campanha. Segundo a Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia), responsável pela coordenação da apuração das denúncias, os brasileiros, e não os estrangeiros, são os que mais favorecem a prostituição infanto-juvenil.

Outra proposta refere-se à ampliação do significado do crime de atentado violento ao pudor, que seria classificado, no Código Penal, junto com o crime de estupro, uma vez que o uso da violência na prática sexual, qualquer que seja a forma, constrange e humilha a vítima. Foram propostas também as trocas da palavra "mulher" por "alguém" na classificação das vítimas do crime de estupro, e a criação de um novo tipo de crime denominado "abuso sexual", que se traduz por "constranger alguém à prática de atos libidinosos diversos da relação sexual".

Os idealizadores da Campanha Nacional pelo Fim da Exploração, Violência e Turismo Sexual contra Crianças e Adolescentes elaboraram um anteprojeto de lei para ser aprovado nos municípios brasileiros. O anteprojeto estabelece penalidades para as propriedades que abrigarem crianças e adolescentes desacompanhados dos pais ou responsáveis. A pena é suspensão do alvará por 30 dias na primeira autuação e cassação se comprovada a prática de violência ou exploração de menores ou se houver uma segunda autuação. Essas recomendações legais já estão em vigor em Porto Alegre.

Natal, capital do Rio Grande do Norte, é a cidade que tem a melhor atuação no combate ao turismo sexual infanto-juvenil, e onde políticas públicas são desenvolvidas juntamente com as Instituições de Ensino Superior para o combate da prática, com o lançamento, nos anos 90, de uma campanha pioneira de combate à exploração sexual de crianças e de adolescentes através do turismo.

Com o aumento alarmante da violência sexual no Ceará, o governo estadual assumiu o compromisso de defender e proteger crianças e adolescentes vítimas da violência sexual. Ao assinar, em agosto de 2003, em solenidade pública, o Termo de Compromisso com a presença dos organismos governamentais, não-governamentais e sociedade civil, representada pelo Fórum Cearense de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, os dirigentes dos setores públicos e privados comprometeram-se a lutar com todos os meios e formas possíveis contra a exploração sexual de crianças e adolescentes.

Em março de 2004, o Governo do Estado do Ceará cria o Comitê Cearense Interinstitucional do Turismo para o Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, instituído pelo Decreto nº 27.391. Tem como objetivo orientar e regular a conduta ética da sociedade e do Estado, através de seus agentes e entidades direta e indiretamente vinculados ao Trade turístico, contra a exploração sexual de crianças e adolescentes.

2.3.1 Direitos das Crianças e dos Adolescentes

Nas primeiras campanhas de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes através do turismo, os apelos pela redução dessa atividade eram de pouca importância para a sociedade e para o estado e eram deixados de lado pela pressão dos lucros e da realidade da vida comercial como forma de sustento para várias famílias.

A legislação brasileira estabelece no Estatuto da Criança e do adolescente que:


•Art. 2° –  "Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade";

•Art. 3° – "A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de Ihes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade";

•Art. 4° –"É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária";

•Art. 5° – "Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais";

•Art. 6° - "Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento".
As crianças e os adolescentes envolvidos no turismo sexual não estão com todos os direitos estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, bloqueados pelo sistema de vida. Não existe proteção da família, da sociedade e do governo. Seu desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social é interrompido pela atividade nas ruas, que os priva de sua liberdade e dignidade.

O esporte, o lazer e a educação, tal como está previsto no Código, não são garantidos a todos, tornando-se um privilégio das classes mais favorecidas. O governo não utiliza seus equipamentos para promover a educação que é a única fonte de informação e inserção social no começo da vida do ser humano. Essas crianças e adolescentes são objetos de exploração, violência, crueldade, opressão, fazendo parte da massa dos excluídos produzidos pelo progresso.

As crianças e os adolescentes, objetos deste estudo, pertencem a um grupo que não conhece os direitos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente; eles são formados na miséria das ruas das cidades brasileiras.

3 A CONSTRUÇÃO DO ESPAÇO TURÍSTICO NO CEARÁ
Às vezes penso que nasci na cidade errada e que aqui não é lugar para ninguém morar; só consegue viver aqui quem já foi para a escola.

As pessoas que visitam Fortaleza só conhecem o lado de fachada da cidade, não conhecem o que está atrás da beira-mar.

Este capítulo analisa o desenvolvimento da atividade turística no Estado do Ceará. Primeiramente, apresentamos um breve histórico da cidade de Fortaleza e da evolução dos espaços geográficos da cidade e da região metropolitana, suas mutações no decorrer dos anos e alguns dados estatísticos ligados aos índices econômicos e sociais. Em seguida, tratamos das políticas públicas relacionadas ao turismo cearense.


1.Entre a construção e a mutação dos espaços urbanos de Fortaleza
Fortaleza teve sua origem nos fortes levantados na Barra do Ceará e às margens do Rio Pajeú, sendo hoje considerada um pólo turístico e uma cidade cheia de complexidades sociais.

Situada na região Nordeste, Fortaleza, não só é conhecida como terra das belas praias, a cidade revela-se como um espaço marcado por fortes contrastes que expressam em significativas desigualdades sociais, no modo de crescimento da cidade e na vida cotidiana de seus habitantes.

A prática do lazer nas praias teve início em Fortaleza nos anos 20, timidamente na Praia do Peixe, que é a atual Praia de Iracema, quando as roupas de banho eram saiotes godês por cima de um calção. Ainda na década de 1940, o banho de mar era uma exceção e um sonho quase inatingível das populações urbanas da cidade. Os primeiros bares foram surgindo à beira-mar, e a moda de ir à praia começou a dar uma nova característica à região da orla. O Hotel Iracema Plaza e o restaurante Lido começaram a exibir lançamentos de artistas e produtos trazidos de fora e, como isso é um demonstrativo de status, o desenvolvimento da orla seguiu-se desenfreado, mudando sua característica de vila de pescadores aos poucos e utilizando os espaços para empreendimentos progressistas luxuosos.

Em 1971, o alargamento da rodovia de acesso à serra de Guaramiranga prolongou a avenida Santos Dumont e a avenida Beira-Mar, fazendo a ligação entre vários bairros e modificando a estrutura já existente na região. Com essas modificações estruturais na cidade, o bairro da Aldeota e a Praia do Futuro sofreram um processo de ocupação intensa, com a construção de edifícios e casas luxuosas e a ampliação de áreas de lazer e turismo.

A construção de prédios na orla marítima, com mais de dez andares, desencadeou mudanças climáticas na cidade, como modificações da circulação dos ventos para o centro da cidade, gerando o aumento da temperatura.

1.A região metropolitana de Fortaleza
Embora tenha alcançado elevado índice de crescimento nos últimos 20 anos, a concentração de renda de sua população aumenta significativamente, de modo que os 10% mais pobres ganham em média 0,76% do salário mínimo, enquanto os 10% mais ricos ganham 45,7 salários mínimos.

Estes desequilíbrios têm se refletido em várias frentes de expansão da miséria social e da violência, através da segregação dos espaços da cidade. Dados de 1995 revelam um contingente de 720 mil favelados, o que corresponde a 36% da população de Fortaleza.

Os espaços de Fortaleza são segregantes, sendo nítida a cidade dos turistas e a cidade dos miseráveis. Essa característica deixa alguns habitantes locais irritados com a invasão dos turistas, enquanto outros pensam que o turismo desenvolve a cidade, econômica e socialmente, por ser uma atividade geradora de empregos e de renda. A cidade reúne belas praias, e conta com a receptividade de seu povo e outros atrativos culturais.

A cidade é um pólo industrial e um centro turístico, sendo uma das cidades que mais cresce na região Nordeste. A Grande Fortaleza é a quinta maior metrópole do Brasil, e passa por todos os problemas urbanos comuns às cidades brasileiras. Entre as regiões metropolitanas é a segunda maior em proporção de pobres, logo atrás do Recife e um pouco à frente de Salvador. O rápido crescimento urbano-econômico de Fortaleza, que possui 336 km 2de área totalmente urbanizada, e a firme deliberação dos governos municipais e estaduais, a transformaram numa moderna urbe, em um pólo turístico emergente, mesmo sendo uma cidade cheia de contrastes e sem solução de seus problemas sociais e culturais.


1.As políticas públicas do turismo cearense
A partir do chamado milagre brasileiro, Fortaleza descobre que pode transformar seus 30 quilômetros de praia em espaços de bons negócios e passa a se voltar fortemente para atividades turísticas desenvolvidas a partir do seu sol o ano todo e de suas praias. A oferta turística passa a englobar pontos comerciais à beira-mar, núcleos específicos de comércio de artesanato, hotéis, restaurantes, bares e boates.

No ano de 1971, foi criada a Empresa Cearense de Turismo S/A (Emcetur), entidade de economia mista, com 51% das ações pertencentes ao Estado. Acreditava-se que seria o órgão que faltava para o desenvolvimento da atividade turística no Estado.

Em 1975, o Ceará é governado pelo coronel Adalto Bezerra, com o Primeiro Plano Qüinqüenal de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Plandece), tentando destacar o Ceará como modelo de desenvolvimento turístico no país.

O turismo foi inserido na economia do Ceará, programado por políticas governamentais, na década de 80, com o Plano de Mudanças do governo Tasso Jereissati (1987-1991). Esse plano destacava a importância do planejamento turístico, a potencialidade do Estado para a atividade, a implementação de uma infra-estrutura adequada e viabilização dos fluxos turísticos domésticos e internacionais. O governo Virgílio Távora, por seu secretário de Planejamento, que seria o seu sucessor, elabora o 1º Plano Integrado de Desenvolvimento Turístico do Estado do Ceará (1979). E esse governo começa a partir daí analisar o turismo como forma de desenvolvimento econômico para o Estado.

No governo seguinte (Ciro Gomes), o Ceará passa a integrar o Programa de ação para o Desenvolvimento do Turismo do Nordeste – Prodetur Nordeste – em 1992, juntamente com os demais estados da região Nordeste, incluindo o Norte de Minas Gerais ou a área mineira pertencente ao Nordeste, que é definida pela Sudene como Polígono da seca.

Antecede ao Prodetur-CE o Prodeturis – que é o Plano de Desenvolvimento do Turismo no Litoral Cearense, gestado com verbas do próprio Estado, cobrindo todo o litoral cearense. Desde então, o turismo vem contribuindo para o desenvolvimento econômico do Estado, trazendo recursos para a infra-estrutura básica através do Prodetur e contribuindo para a multiplicação das atividades econômicas, por ser um serviço de ação global, que desenvolve uma cadeia de ações paralelas.

Segundo dados do IBGE, na década de 70/80, a população da cidade cresceu 69,5%; entre 80/90, o crescimento populacional foi de 53,26%. Também é significativa a expansão da indústria do turismo na cidade, que a coloca, na atualidade, como terceiro pólo turístico do Nordeste.

A falta de planejamento na construção do espaço urbano gerou vários desequilíbrios para a cidade. Verifica-se que, durante toda a estruturação do turismo do Estado do Ceará, na cidade de Fortaleza só se preocuparam com ações progressistas e não com o desenvolvimento cultural e a preservação das comunidades que viviam à beira-mar.

Verifica-se com o tempo que as questões ligadas a políticas de expansão da atividade turística no Estado do Ceará não foram bem formuladas, no que diz respeito aos impactos provocados pelo turismo, tais como, a exploração sexual de crianças e de adolescentes, temática abordada por este estudo.

Fortaleza é pólo receptor e emissor de turistas ao mesmo tempo; uma parte de sua população também viaja; o governo do Estado do Ceará trabalha para firmar o estado como pólo receptor, colocando-o como grande potencial para a atividade turística.


sandraherbst

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Pedofilia - Turismo sexual (CONTINUAÇÃO - PARTE 4)
« Resposta #4 Online: Dezembro 28, 2010, 20:28:11 »
CONTINUAÇÃO - PARTE 4

1.TURISMO E EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTO-JUVENIL ENTRE O LITORAL E A REGIÃO METROPOLITANA DE FORTALEZA
O problema da exploração sexual está associado à pobreza, à desigualdade e à exclusão social. Mas sabemos, também, que existem outros fatores, como os de natureza cultural que dizem respeito a formas tradicionais e familiares de organização econômica. Sabemos que não podemos esperar mais para oferecer alternativas de mudança que permitam atuar tanto sobre a pobreza quanto sobre as exigências familiares.

Este capítulo aborda o assunto de principal interesse, tratando dos relatos elaborados a partir das pesquisas de campo e de crianças e adolescentes envolvidos na exploração sexual em Fortaleza. A primeira parte foi dedicada a uma análise preliminar do problema, quando se utilizou uma metodologia de entrevistas semi-abertas e quantificaram-se os depoimentos, visando um futuro estudo que dimensione a extensão dessas práticas através da atividade turística.

A beira-mar de Fortaleza é composta pelas Praias de Iracema, Mucuripe e Meireles, que são pontos privilegiados de atração turística tanto para brasileiros quanto para estrangeiros. Com seus três quilômetros de extensão, a praia concentra a maior parte dos hotéis e mistura ofertas de lazer, compra e entretenimento. Tem calçadão para caminhadas, quadras de esporte, feira de artesanato, barracas, bares, cinema e o mercado de sexo que funciona dia e noite sem parar.

De acordo com a pesquisa realizada pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia), Fortaleza é a cidade brasileira da região Nordeste com o maior índice de exploração sexual de crianças e de adolescentes. No ranking nacional é a terceira capital do país em número de denúncias de exploração sexual infanto-juvenil depois do Rio de Janeiro e São Paulo. Entre fevereiro de 1997 e setembro de 2001, foram registrados ao todo 117 casos. No mesmo período, São Paulo teve 158 ocorrências e o Rio de Janeiro, 340. As causas ligadas à oferta são numerosas e complexas, ainda que a pobreza seja um dos fatores principais.

Para um melhor desempenho dessa pesquisa, fiz algumas entrevistas com crianças e adolescentes envolvidos no turismo sexual, com identificação da problemática que leva à prostituição. No decorrer do envolvimento com essas crianças e adolescentes, houve contato com pessoas das comunidades da região metropolitana da cidade.

Em uma dessas localidades, na favela Serve Luz, alguns moradores colocam que o principal problema das crianças e adolescentes envolvidos com turistas é a aquisição de algum recurso para a compra de drogas, principalmente as drogas sintéticas. A necessidade do consumo de drogas induz essas crianças  e adolescentes a se prostituírem com turistas estrangeiros, que trazem consigo uma moeda mais forte que dá mais autonomia para aquisição de drogas com os traficantes.

No contexto de nossas pesquisas, foram realizadas entrevistas com 10 crianças e adolescentes entre nove e dezoito anos na Praia de Iracema, no período de 20/04/2003 a 22/05/2003. Nas entrevistas foram colocados os seguintes questionamentos: Sexo, Idade, Grau de Instrução, Situação Familiar, Endereços, Ocupação Profissional, envolvimento com algum tipo de droga e envolvimento sexual.

Os 10 entrevistados declararam que já tiveram relacionamento sexual com turistas vindos de outros países e que a maioria era constituída de portugueses, italianos e holandeses.

As entrevistas foram feitas somente com 10 crianças e adolescentes, pela dificuldade de se conseguir mais envolvidos que estivessem disponíveis para passar as informações que se fazem necessárias para essas conclusões. Os  traficantes e agenciadores ficam ao redor durante toda a abordagem, as crianças e os adolescentes sempre pedindo para terminar logo as perguntas, para que eles pudessem sair sem que seus agenciadores percebessem que estavam sendo entrevistados. Alguns deles não são dominados por agenciadores, mas estão vinculados de alguma maneira aos traficantes de suas comunidades de origem.


1.A engenharia da exploração sexual infanto-juvenil de Fortaleza
Durante algum tempo teve-se contato com alguns portugueses que, em visita à Fortaleza, utilizavam casas localizadas nas favelas e bairros afastados para a prática do turismo sexual infanto-juvenil. A maioria deles já conhecia o Brasil e o único objetivo da viagem era o agenciamento de meninos e meninas para a prática de atos sexuais comerciais. Como esses turistas visitam mais de uma vez o Brasil, já na segunda viagem vêm com contatos para hospedagem.

Por essa e outras realidades dos deslocamentos para a prática do turismo sexual, verifica-se que não são utilizados os equipamentos disponíveis para o turista que vem conhecer e desfrutar da cultura, do sol e das praias do país. O turista sexual utiliza meios de hospedagem fora da rede hoteleira convencional, às vezes até mesmo favelas e bairros periféricos, enquanto os outros turistas gastam com os meios de hospedagem, traslados, passeios e bons restaurantes.

O turista, com fins dedicados à cultura e ao lazer, utiliza os traslados nacionais, redes hoteleiras, bons restaurantes, compra artesanato local e, com isso, movimenta a economia da cidade. O turista sexual vem para o Brasil utilizando companhias aéreas internacionais, em vôos charteiros originados das cidades de Lisboa, Milão, Paris, Roma e outras. Quando chega, pega algum tipo de transporte até o local destinado à hospedagem, que geralmente já é de propriedade de europeus instalados no país.

No desembarque internacional do Aeroporto de Fortaleza, é fácil observar pessoas aguardando os passageiros dos vôos internacionais charteiros sem nenhuma identificação dos receptivos convencionais da cidade. Logo após o desembarque, não existe uma organização turística dos passageiros desembarcados; cada um procura pelo nome indicado no receptivo, e segue em carro comum ou em táxi que o leva até seu local de hospedagem.

O turista sexual doméstico aproveita seu deslocamento para a prática da atividade na cidade, mas geralmente não tem como motivação principal a prática dessa atividade e sim a procura de sol e praia.

O grande objetivo das organizações de combate à exploração sexual infanto-juvenil através do turismo é chegar às agências emissoras de pacotes para turistas estrangeiros e brasileiros que vêm a Fortaleza em busca de sexo fácil e barato. A partir dos relatos de crianças e adolescentes envolvidos com o turismo sexual na cidade de Fortaleza é possível chegar a alguns dos agenciadores e praticantes desse tipo de turismo.

Durante algum tempo de observação na Av. Beira-Mar, identificamos barraqueiros ao longo do calçadão oferecendo aos turistas crianças e adolescentes indiscriminadamente. Os barraqueiros das Praias do Mucuripe e Iracema foram identificados como os principais agenciadores de crianças e adolescentes na cidade. Geralmente o turista sexual escolhe o menino ou a menina e paga o programa para o barraqueiro da praia. É sempre possível observar essa situação nas praias urbanas da cidade na época de alta temporada.

A preparação de profissionais para atuação na atividade turística receptiva na região metropolitana da cidade de Fortaleza não é adequada para a formação de um turismo de qualidade. Na recepção de alguns hotéis, os funcionários intermediam a prostituição de pessoas do sexo feminino e masculino de qualquer idade para programas. Na maioria das vezes, a prestação de serviço desses recepcionistas está direcionada a executivos, especialmente homens que estão na cidade a negócios e que já são clientes do hotel.

Na identificação desse tipo de turismo, observou-se que é quase nulo o envolvimento sexual de crianças e adolescentes do sexo masculino com turistas do sexo feminino; geralmente essas crianças e adolescentes estão envolvidos no turismo sexual GLS.

Além da atuação de menores diretamente nos hotéis, pode-se observar na Avenida Beira-Mar e na Avenida Historiador Raimundo Girão a presença de um grande número de menores entre doze e 16 anos também envolvidos na rede ilícita da prostituição.

Os adolescentes que se prostituem nesse local utilizam produções femininas para atrair clientes. Durante algum tempo de observação identifica-se turistas sexuais parando ao longo da pista em carros alugados na busca desse tipo de programa. A maioria dos menores tem seus pontos fixos, e é mais visível a atuação de meninos travestidos do que com caracterização masculina que são os famosos garotos de programa: "Michês".

O problema dos "meninos jornaleiros", é que eles não são vistos pela comunidade local em suas insalubres situações de trabalho, durante as madrugadas, vendendo jornais nos sinais de trânsito. Expostos, esses meninos são explorados sexualmente por turistas estrangeiros que, no final da noite, passam de volta das boates e bares para suas localidades de hospedagem.

Nesse tipo de exploração sexual dos "meninos jornaleiros", observa-se também uma falta de interesse das organizações emitentes de jornais, que, por serem veículos de comunicação diária para toda a população, não deveriam esconder essa situação, que acontece todas as manhãs na distribuição de seus produtos, com seus funcionários, nas principais avenidas da cidade.

No anexo A, na página 76, encontra-se um mapa da exploração sexual infanto-juvenil da Avenida Historiador Raimundo Girão, alguns pontos da Avenida Beira Mar e de outras ruas próximas à essas avenidas.

ANEXO C

Entrevista de crianças e adolescentes envolvidos com o turismo sexual

Entrevista elaborada para abordagem de crianças e adolescentes envolvidos na prática do Turismo Sexual:


1.Sexo,Idade;

2.Grau de instrução;

3.Situação familiar - Casa dos Pais, casada(o), filhos;

4.Endereço fixo;

5.Tipo de trabalho;

6.Se trabalha, Qual a renda mensal?

7.Outro tipo de trabalho;

8.Algum envolvimento com drogas;

9.Algum envolvimento sexual.
Entrevistas

1ª Entrevista - Sexo feminino

Tenho 13 anos, não estudo mais, estudei até a 5º Série do 1º Grau, moro no Mucuripe, aqui bem pertinho! Moro com minha mãe. As vezes não durmo em casa, mais não posso dizer onde durmo não!

Eu trabalho nos feriados e período de férias em uma agência de modelos numa barraca lá na Praia em Iracema, eu ganho uns 60 reias por dia, não dá para tirar mais do que isso não.

Eu conheço alguns traficantes l

Á da minha rua, da casa da minha mãe, meus amigos da rua fumam muita maconha mas eu nunca tive vontade de experimentar não!

A maioria dos homens vem de Portugal e alguns são holandeses que passam férias aqui no estado, tem um deles que quer me levar para a Europa quando eu fizer 18 anos.

Eu sei falar Italiano mais não sei escrever nadinha.

2ª Entrevista - Sexo masculino

Tenho 15 anos, eu nunca estudei não! Minha mãe nunca deixou não! Meu pai morreu, eu tinha 12 anos de idade, minha irmã morreu na rua atrás de drogas.

Moro lá no Bairro de Pecém, sabe onde é? Muito longe daqui! Moro com a minha tia, meus pais moram no interior, lá em Camocim.

Eu presto serviços em uma empresa de construção, eu tiro por mês 1200 reais.

Quando eu não tenho dinheiro eu vou para a Beira Mar ganhar algum trocado para mandar para os meus pais no interior.

Eu trabalho com uns portugueses à noite em uma danceteria.

Quando eu tinha 12 anos, eu fumava muita maconha, hoje em dia eu não fumo muito mais não.

Quem é você? Porque me pergunta tudo isso? Sabe qual é o problema! É que no Ceará não tem emprego para todo mundo e às vezes trabalho como garoto de programa na danceteira dos portugueses, acho ruim?

Cara esses caras que na época do verão saem das suas cidades e vem pra cá e arruma emprego pra gente na danceteria deles.

3ª Entrevista - Sexo feminino

Tenho 11 anos, nunca fui para a escola, moro na Barra do Ceará com meus pais, trabalho vendendo frutas na Praia de Iracema, eu ganho uns 35 reais por dia. As minha amigas usam muita droga, todo dia eu vejo alguém usando.

Vem uns caras que não falam igual eu, eles me dão um trocado e querem me comer, não querem nem saber se eu estou menstruada. Depois eles me dão um trocado e marcam no outro dia no mesmo lugar, se ainda não estiverem indo embora.

Quando eu não consigo vender as frutas, eu apanho quando chego em casa, ai eu tento conhecer e conquistar algum desses caras para conseguir o dinheiro.

Meu irmão tá vindo ali, preciso ir embora, meu irmão vai dizer que estou conversando demais.

OBS: Isso aconteceu em uma noite ás 22:40 onde já era impossível alguma criança de 11 anos ir trabalhar.

4ª Entrevista - Sexo feminino

Tenho 12 anos, não estudei não! Moro lá no Papicu, com minha mãe e meu pai.

Ganho dinheiro lá na Beira Mar quando peço do turista, eu ganho uns 15 reais por dia. Quando meu irmão tem, eu fumo maconha e volto pra casa para dormir, lá não tem comida de noite.

Eu só faço sexo se o cara pagar, em troca de dinheiro lá na Praia de Iracema, sabe onde é?

5ª Entrevista - Sexo masculino

Tenho 14 anos, estudei até a 3ª série. Sabe onde eu moro, lá naquela favela, quando vamos para a Praia do Futuro, sabe onde é? Lá na Favela Serve Luz, conhece? Lá mora eu, minha mãe, meu pai e mais 5 irmãos.

Lá no bar do meu tio , onde eu trabalho de dia, é muito ruim! Ele não me paga, ai eu passei a roubar lá na caixinha de dinheiro dele.

Eu tiro 20 reais por dia.

Todo dia eu vejo os traficantes daqui na Beira Mar, os gringos gostam muito de drogas.

Eu tenho um primo que tem um apartamento lá na Praia de Iracema onde tem uns homens de outros países, e é lá onde acontece de tudo.

6ª Entrevista - Sexo feminino

Tenho 16 anos, estudei muito até a 6ª série, eu moro na casa dos meus pais. Trabalho em uma casa de família, cuido de duas crianças lá! Lá eu ganho 285 reais por mês.

Na rua a gente mexe com drogas, os gringos sempre tem e dão pra gente.

Nas horas que eu não tô trabalhando vou até a Praia de Iracema ganhar uns trocados para ajudar minha mãe em casa.

7ª Entrevista - Sexo feminino

Tenho 17 anos, fiz até a 7ª série do 1ºgrau, né? Eu não moro com meus pais, moro em uma casa de prostituição no Bairro do Mucuripe. Trabalho como modelo na Agência. Ganho uns 800 reais por semana.

Meus pais se mudaram para Aracati, aqui no Ceará mesmo! Eles acham muita violência aqui em Fortaleza. Eu uso drogas quando estou com dinheiro pra comprar.

Os estrangeiros usam muita droga, eu vivo do sexo que eu faço com os estrangeiros.

8ª Entrevista - Sexo feminino

Tenho 14 anos, eu nunca estudei, já fui à escola, mas não gostei não!

Minha mãe me batia, porque eu não ia para a escola, eu moro com minha mãe e meu pai. Ainda não trabalho não.

Eu ganho uns 10 reais por dia aqui na Praia mesmo. Aqui sempre aparece um gringo querendo trocar sexo por dinheiro.

9ª Entrevista - Sexo masculino

Tenho 13 anos, eu nunca estudei, tenho que trabalhar na minha casa tenho mais 6 irmãos. Moro aqui no Papicu com minha mãe.

Eu vou lá pra Praia do Futuro vender coco todos os dias, quando eu não tenho dinheiro. Tiro uns 30 reais.

Credo nunca experimentei drogas não. As vezes eu transo com uns caras estranhos lá, eles transam sempre por dinheiro.

10ª Entrevista - Sexo feminino

Tenho 12 anos, estudei num negócio da Alfabetização Solidária aqui por uns seis meses, mas eu não gostei não.

Minha mãe fala para eu ir para a escola mas eu não quero ir não, prefiro ficar aqui na praia, aprendendo outras coisas. Aqui eu aprendo fazer rede, um monte de coisas. Ganho uns 10 reais por dia.

Não, não conheço drogas não!

Lá na Praia do Futuro em uma barraca que eu não vou falar tem uns cara lá que me dão dinheiro, mas eles não moram no Brasil não, eles moram muito longe daqui!

OBS: Essa entrevista foi feita as 22:40 na Praia de Iracema onde o fluxo de turistas em busca de sexo é intenso.

sandraherbst

  • Visitante
Re:Pedofilia
« Resposta #5 Online: Dezembro 28, 2010, 20:40:11 »
Oss,
Caros
Segue a postagem de um artigo sobre pedofilia, produzido por uma equipe de estudiosos que investigavam esta situação no Ceará. O artigo cita um vídeo cujo link não foi postado, em função do acordo para a postagem de artigos. A ausência do vídeo ou do link nada fica devendo  às informações contidas no artigo.
Sem mais
Sandra

Dan

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Re:Pedofilia
« Resposta #6 Online: Dezembro 28, 2010, 21:01:00 »
Pedofilia é um flagelo global que não poupa nenhum país. Em todos os estratos da sociedade a criança abusada é aquele que é vítima de abuso físico, abuso sexual, a crueldade mental, abandono, negligência pesada, com graves consequências na sua saúde física, patológico e psicológica.

- Uma menina sobre 8 e um menino sobre 10 são vítimas de abuso sexual antes dos 18 anos;

- Uma menina sobre 25 e um menino sobre 33 disseram ter sofrido estupro ou incesto;

- Um atacante sobre dois é um amigo ou conhecido da família;

- 8 vezes sobre 10 a criança é vítima de repetidos abusos sexuais;

- 3 milhões de crianças desaparecem a cada ano em todo o mundo (Unicef);

- Uma criança é abusada a cada 30 segundos;

- Um milhão de novas vítimas são empurradas para o comércio de pedofilia em cada ano;

- Uma criança pode ser comprado....... entre 20,00 U$ e 20.000 mil dólares U$, dependendo de suas características e trazer vários milhões, dependendo do uso feito.


A vida das crianças é sagrada e sua protecção deve vir antes de qualquer outra consideração...
« Última modificação: Dezembro 28, 2010, 21:16:19 por Dan »

sandraherbst

  • Visitante
Re:Pedofilia
« Resposta #7 Online: Dezembro 28, 2010, 21:22:11 »
Oss Dan,
Seus dados são bastante expressivos.
O karatê pode servir como instrumento de reforço para a auto estima e autoconfiança destas crianças e adolescentes.
Postei estes dados, porque nestes locais, com certeza, temos dojôs, Senseis e com certeza gente de boa vontade, que talvez esteja disposta a realizar algum trabalho dentro desta área com estes adolescentes. A idéia de denunciar e do Karateca.net ser um site de abrangência nacional, é transformar este tópico em um instrumento pró-ativo de cidadania.
Obrigada.
Agradeço também ao Renê, que disponibilizou o espaço para os debates e, por que não, transformação de debates em ações como as do Akev e Sensei Juarez.
Gde abç
Sandra

Offline Farkatt

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Re:Pedofilia
« Resposta #8 Online: Dezembro 29, 2010, 03:33:01 »
Inacreditável... Difícil de aceitar, mas é verdade...

o consolo é que conheço, graças a Deus, vários casos de professores de karate que trabalham com crianças carentes, a maioria voluntário sem remuneração. O trabalho aqui em PE, no RN e na PB com o karate no Lar Fabiano de Cristo era exemplar, inclusive com meninos retirados de lares destruídos e situações de risco e terem conseguido ser campeões (e referencia) brasileiros,  participando de sul-americanos e pan-americanos em outros países... hoje, alguns desses antigos alunos são professores de karate, continuando o processo.

Assim de cabeça posso lembrar Prof. Germano Pimentel que durante mais de uma década deu aulas no Lar Fabiano de Cristo na PB e em PE, sempre lutando contra a insanidade do ditador dirigente filiado a CBK daqui, tem tb o Prof. André Calixta que tem um trabalho em escolas públicas no RN, Fabricio Pimentel do Piaui que tem uma turma de inclusão de alunos excepcionais no karate, Prof. Lú Lobato, voluntária do Lar Fabiano de Cristo no RN e Prof. Genilson que está hoje a frente do mesmo. E muitos outros que engrossam a lista do tipo de trabalho que o Prof. Willian está desenvolvendo e certamente ajudando outros jovens a não se incluir nessa pavorosa estatistica postada nesse topico.

Independente do "tipo" de karate ensinado, da federação (ou falta dela), espero que o exemplo do prof. William e outros prof. façam com que se use cada vez mais o karate e outras artes marciais como o judo, para retirar o jovem da situação de risco.

Offline Vinteedois

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Re:Pedofilia
« Resposta #9 Online: Dezembro 29, 2010, 07:55:49 »
Eu não li o tópico todo ainda (na verdade não li nada mesmo) (mas vou ler).. mas tenho algo a dizer..
Aqui onde eu moro é o inferno...

Agora mesmo, tem uma menina de 12 ou 13 anos grávida (e não é daquelas meninas de 12 ou 13 que parecem mulheres mesmo não.. é daquelas de 12 ou 13 que parecem ter 9 ou 10).
A $%&! é  o seguinte: tem um maluco aqui de uns 40 anos, que fica sempre de conversinha com as garotinhas na faixa de no máximo 14 anos, no meio da rua.

Eu já vi ele indo pra casa dele, levando essa menina que tá grávida e mais uma outra mais nova ainda...
Porém não tenho provas, não tenho evidências físicas, e não tenho como fazer nada...

Os pais, acham normal. os vizinhos acham normal. só eu que sou diferente...
dá pra fazer praticamente nada...

Tem gente que acha até legal.. e tem gente que acha que vocÊ quando fala que tá errado, que isso não pode, que tem que denunciar, que é porque você está com ciúmes, inveja ou queria estar no lugar do pedófilo.. (dá vontade de dar umas porradas...) (continua) enfim, quando  dá eu denuncio.. mas tem vezes que a única coisa que podemos fazer é assistir passivos...

agora eu falo, se fosse um parente meu (precisa nem ser uma filha ou filho meu) basta ser um parente.. não ia prestar não... ia dar $%&! pro pedófilo e pro filho da $%&! do meu parente que não sabe cuidar de filho e deixa a moda $%&! no meio da rua a mercê de qualquer desgraçado pedófilo  dos infenrnos...
DENUNCIE A PEDOFILIA! (disque "100")
www.musicaart.wordpress.com

("às vezes é melhor ficar calado e deixar que pensem que você é um idiota, que abrir a boca e não deixar nenhuma dúvida" - autor desconhecido)

sandraherbst

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Re:Pedofilia
« Resposta #10 Online: Dezembro 29, 2010, 09:01:54 »
Oss ,
Independente de qualquer posicionamento dentro do karete, o bem sempre pode e deve ser feito. Ontem buscando artigos sobre pedofilia encontrei o site de um deputado que continha vários sites de interesse, inclusive de denuncias, perfil psicológico e modo de agir do pedófilo é do Deputado Antonio Bulhões, não sei a qual partido pertence mas parece ser um dos que junto ao Senador Magno Malta realmente tem uma luta séria contra a pedofilia.
Tem mais uma coisa, crimes cometidos contra menores, independente de filho(a) de quem for, não tem nada a ver com iniciativa dos pais em denunciar. Qualquer um pode fazer isto e, se comprovada, a participação ou a "vista grossa" destes, objetivando ganhos ou ignorando pura e simplesmente, respondem junto com quem praticou o crime.
Gente, a situação do Ceará é grave, mas a do Pará é muito pior.Vou esperar a passagem do ano e selecionar uns artigos e vcs verão a gravidade do que ocorre lá. Espero que, com a saída de Ana Júlia Carepa, que deixava trancafiar meninas de 13 anos junto com marmanjos em celas sendo estupradas por até 28 dias, isto melhore. Não é só em Estados pobres (se bem que Ceará e Pará, pelos padrões atuais estão longe disto) que isto acontece, em SP a situação também é grave, só que ela não ocorre tanto como prostituição infantil e sim na forma de abuso por familiares. Tivemos, há questão de uns anos, um renomado médico pediatra que tratava de crianças e adolescentes de classe média e alta que abusava sexualmente de seus pacientes, chegando ao ponto de filmar seus abusos.
Oss
Sandra

Dan

  • Visitante
Re:Pedofilia
« Resposta #11 Online: Dezembro 29, 2010, 09:06:23 »
Prezada Sandra, André, Vintedois, Prezados,

Assunto extremamente sensível e,........ muito mais complexa do que se imagina !

Às vezes, os pedófilos não são sempre aquelas que se acredita... às vezes há toda uma organização por trás disso: uma rede. As pessoas são apanhadas nesta rede, raptados, torturados psicologicamente e fisicamente, como crianças, adolescentes, mas também em qualquer idade são incapaz de lidar e, por muito, muito raro e muito difícil de viver livre ou... e em total sanidade mental. Estas redes são construídas em uma organização quase perfeita e, transformar suas vítimas em culpados, aos olhos da Lei. Para que ninguém pode reclamar contra eles, e estranhamente difícil, nunca cai em verdadeiros culpados (personalidades => muito poderoso).

Em 2004, na Seleção Brasileira de Karatê CBK tive um grande problema (escondido...) sobre caso, da pedofilia ea homossexualidade !
Eu trabalhava na época para o programa Alem do Esporte, alguns sabem de isto. Breve, na Diretoria tive ficamos extremamente chocados, eu me candidatei a um inquérito judicial, mas o caso foi em re-condução. Eu estava enfurecido, sabendo que um dos meus atletas da Seleção permaneceu preso no "pote de M....".

Aldo Lubes, Diretor Técnico na CBK da época pediu o levantamente do véu e quer uma transparência total sobre esta questão. Quando pedimos um inquérito judicial sobre o assunto e que os culpados devem ser fortemente condenado... As pessoas começamos a olhar para mim de outra forma, especialmente na diretoria da FGK e da CBK. Depois, Aldo Lubes estava tentando, em vão, resolver esta questão, além do problema que todo mundo sabe ! Este caso conhecia de pouca gente, coloca um enorme problema de Ética. No final nimguem realmente sabia a verdade sobre este caso porque estava completamente........ escondido pôr os bens do Karatê.

De certa forma, fiquei muito chocado com a atitude da CBK e da FGK, mas isso não me surpreende. É a partir deste momento comecei a ver realmente o que estava acontecendo. Porque a evidência estava escondida e que os verdadeiros culpados continuam a exercer legalmente. Você vão entender que eu estava ficando totalmente... nauseado não só para alguns líderes da CBK, mas seu fascínio com o domínio e poder em si. Muitas pessoas vão me levar para um tolo.........., mas eu sei que eu tinha realmente a assustá-los, preferi ficar longe de certas coisas, não só sobre esse tipo de problema, mas também nas suas "travessuras" financeira...

Esquecemos de dizer que a pedofilia é em grande parte um ato de dominação subliminal sobre o outro....
« Última modificação: Dezembro 29, 2010, 09:58:16 por Dan »

sandraherbst

  • Visitante
Re:Pedofilia
« Resposta #12 Online: Dezembro 29, 2010, 09:36:38 »
Oss,
Pedófilos, muitas vezes , passaram por abuso sexual na infância. Muitas vezes este fica bloqueado para o consciente, mas fica gravado em seu subconsciente. Os sintomas manifestados por quem sofreu abusos sexuais vão desde a negação da própria sexualidade até manifestação do mesmo comportamento do abusador, criando um ciclo de violência e abuso. Por isto a detecção do abuso é importante, para interromper o ciclo que se forma tratando psicologicamente daquele que sofreu abuso.
Quando se sofre violência sexual a autoconfiança e a auto estima despencam, a médio prazo o comportamento submisso com o mais forte transforma-se em um comportamento de dominação contra o mais fraco, derivando para isto que vc falou Dan.
Quanto ao que ocorreu com vc, eu não posso dizer nada, pois não conheço os fatos. Contudo, posso lhe assegurar que é hábito arraigado do Brasileiro, deixar para lá para evitar os prejuízos de um escândalo (escolas, famílias, organizações...este comportamento é geral e conta com muito apoio das autoridades).
É lamentável e precisa ser mudado. Todo o homem de bem tem o dever de contribuir para a construção de uma sociedade melhor.
Gde abç

Sandra

sandraherbst

  • Visitante
Re:Pedofilia
« Resposta #13 Online: Dezembro 29, 2010, 10:07:15 »
Oss,
Gente encontrei um site que fala sobre comportamento do pedófilo e do que é abusado por este, dentro dele existem orientações de prevenção, comportamento e denúncia, bem como alguns dados estatísticos. É um site sério de psicologia. Vou postar o link, pois já me certifiquei de não haverem vídeos que remetam à pedofilia ou pornografia.
www.virtualpsy.org/infantil/abuso
Conhecer o problema é a melhor forma de combatê-lo
Oss
Abç
Sandra

sandraherbst

  • Visitante
Re:Pedofilia
« Resposta #14 Online: Dezembro 29, 2010, 10:37:33 »
Oss,
Desta vez tem o link de um projeto bacana de um professor de karatê do Paraná, com um artigo interessante sobre a importância do karatê para conter a violência em ambientes escolares. A pedofilia entra subliminarmente em tópico que fala sobre confiança. É muito legal e cheio de ótimas referências bibliográficas. O link é www.slinestorsantos.seed.pr.gov.br/redeescola/escolas/11/2590/17/arquivos/File/projeto_zilmar_tramontin.pdf
Boa leitura
Oss
Sandra