Autor Tópico: Sobre a evolução no uso de faixas no Gracie Jiu-jitsu  (Lida 1306 vezes)

Offline GUICOMES

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Sobre a evolução no uso de faixas no Gracie Jiu-jitsu
« Online: Outubro 02, 2012, 20:53:01 »


Bem interessante, foi dito que até 1967 não existia faixa preta.

Em inglês.
Treine o que funciona, descarte o que não funciona ou é menos prático. Quem treina igual aos outros tende a ser como o resto.
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Offline BigBoy

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Re:Sobre a evolução no uso de faixas no Gracie Jiu-jitsu
« Resposta #1 Online: Outubro 03, 2012, 09:35:27 »
   Eu acompanho com uma ponta de tristeza estes atuais documentários normatizadores sobre o JJ, pois quando a fonte vem de um "descendente" direto do Hélio, há um movimento sistemático para apagar-se da história o nome do criador da luta, Carlos Gracie.

   A pontinha disso nesta entrevista pode ser constatada em 06:23, onde o valente filho começa a dizer que Hélio era espiritualista, que isso, que aquilo. Hélio era um cavalo. Um grosso. Foi o grande responsável pela diluição do poder da família em diversas facções. Rolls, que vinha fazendo este papel antes de morrer, finalizando Rickson diversas vezes na fazenda de Teresópolis, foi chacoteado pelo véio, no dia de sua morte na asa delta. Tanto que a viúva entrou cozinha adentro xingando-o de tudo. Quem era espiritualista era o Carlos. Porém, após sua morte em 1994, ... , parece-me que resolveram recontar a história do JJ.

   O que me deixa curioso é realmente onde que o Hélio deixou este sistema que ele usou na academia que o mestre Carlos comprou (com o dinheiro da sociedade que ele tinha com Oscar Santa Maria) na na Av. Rio Branco. As aulas eram enumeradas e o aluno passava por um rígido sistema de aprendizado.

   Os instrutores, com as tais faixas azuis, tinham seu tempo rigidamente monitorado pelo Hélio e todas as aulas eram individuais. Tanto Álvaro Barreto quando Pedro Hemetério fizeram estes pacotes de aulas e foram direto para os ringues de Vale-Tudo. O principal problema foi que Hélio eram tão coisa-ruim que um a um, a maioria dos instrutores foi saindo e montando seus próprios negócios, alguns deles já com o primeiro rebelde: Carlson Gracie.

   O destaque deste tempo eu dou pro hoje grande mestre de Judô Georges Mehdi, sorrindo na foto, como um belo instrutor da academia Gracie. Era roupeiro e o Hélio foi dando chances para que ele fosse aprendendo. Hoje em dia, mete o pau no Jiu-Jitsu... vai saber.

   Rorion, "o pai do apagamento da história de Carlos Gracie do JJ", tem na Universidade do JJ pacotes de aulas, mas ele não se refere a tal sistema enumerado. Eu queria saber mais, pra ver se ficou alguma vertente deste trabalho.

   Agora falando das faixas, em específico, foi um sistema impecável. Antigamente se pegava faixa ou na porrada na academia, finalizando a turma ao redor e um belo dia o professor tirava de dentro do kimono a faixa nova ou ia pro campeonato e fazia um estrago bom. Não tinha jeito. O clímax deste tempo foi quando Mestre Carlson conduzia a academia dele.

   Hoje, ... , dez faixas pra crianças, ... , exames periódicos... tá até parecendo algumas artes marciais que a gente conhece... hehehe.

   O que dói é que Valente filho, quando diz estas coisas na entrevista, tem ciência do papel de Carlos Gracie, pois quando filmam sua estante, o livro mais grosso deles, escrito GRACIE na lombada, é uma biografia, narrada por Reyla, sua filha, onde os detalhes mais sórdidos destes dados podem ser encontrados.

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BigBoy

Offline Bodhi

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Re:Sobre a evolução no uso de faixas no Gracie Jiu-jitsu
« Resposta #2 Online: Outubro 03, 2012, 16:03:00 »
Big, não entendi isso que vc escreveu:
"O que me deixa curioso é realmente onde que o Hélio deixou este sistema que ele usou na academia "


Em relação ao assunto do Carlos, quando eu li o livro (assim que saiu) me espantei um pouco com as reclamações de falta de reconhecimento. Não que a história contada na mídia e vulgarmente seja justa, mas quem deu a cara a tapa literalmente com mais frequencia foi o Mestre Hélio. Desde o meu primeiro contato, ainda adolescente, escutei pessoalmente "meu tio foi o responsável pelo meu pai aprender, ah, e leva essas folhas aqui que tem uma combinação de alimentos que meu tio aplica na familia. é meio dificil, mas...veja aí, meu tio é  ummuito estudioso desse assunto".

Então fico achando que essa história tem pelo menos 3 versões: uma popular, da mídia; outra do lado do Carlos que se sentiu injustiçado, entre outras coisas, com o que mídia fez com o Hélio (heroi nacional); e a última, da familia do Hélio.

Me parece, a distância, que o Carlos era o low profile ("espiritualizado") e se distanciou voluntariamente (?), enquanto seu irmão o oposto. Nunca saberemos o que aconteceu, pois as questões de familia são sempre complicadas, imagine numa familia tão numerosa etc.

Comparando com uma situação bem distinta, no Shotokan, vulgaremente fala-se apenas de Funakoshi como marco inicial, enquanto....É comum fotos de Nakayama na parede das academias?

Aqui pelo Rio algumas academias estão colocando fotos do Carlos ao lado do Hélio.

Big, li o livro tem tempo e vou reler, mas qual a percepção que vc ficou de qual seria o tipo de reconhecimento que o Carlos deveria ter (hoje, por exemplo, já que não podemos voltar no tempo) ?

Muito boa sua postagem e do Guicomes! Vamos continuar essa prosa.

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Offline BigBoy

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Re:Sobre a evolução no uso de faixas no Gracie Jiu-jitsu
« Resposta #3 Online: Outubro 03, 2012, 16:26:13 »
Bodhi,

  Estou estou pra reler com o intuito de marcar algumas páginas com base nos dados relatados. Observe que, o fato da Reyla não ser lutadora, seu relato ficou parecido com o do Felipe Awi ("Filho Teu não Foge à Luta").

   Para que o relato dela seja refutado, os jornais precisam ser queimados e algumas pessoas precisam sumir do mapa.  :)

   Tal livro é tão "inconveniente" que o povo no sherdog (talvez o maior site e fórum de lutas dos EUA) até hoje está atrás da versão em inglês.

   Hélio, grosso que só ele, talvez só desta forma foi capaz de estar à frente de dezenas de filhos e sobrinhos (o Carlos ia fazendo os filhos e o Hélio que era o "pai" - Rolls Gracie chamava-o de "pai branco").

   Mas tal jeito truculento foi responsável pela "diáspora" lá na década de 60, lá na academia Rio Branco, com cada um indo pra um canto. Enquanto o Rolls estava vivo, ele recebia todos em seu tatame (dividia a academia com o irmão mais velho Carlson) e, com uma visão futurista, não parava de pesquisar novas técnicas resultantes de cross-trainning.

   Após a morte do Carlos, em 1994, os grandes talentos, que +/- cada um já conduzia seu ensino como que se fosse sua própria empresa, aumentaram o distanciamento. Sobrou quem? Rickson e Royler? Faça-me o favor.

   Só por curiosidade, conte o número de lutas que Carlos fêz, que George fêz e compare o número com o número de lutas com as do Hélio.

   Quanto a este método que você perguntou, é uma curiosidade que tenho. Pelo que entendi das narrações, Hélio aplicava um sistema de ensino bem formatado, com aulas definidas em unidades crescentes de grau de complexidade. Não vi em canto nenhum mais este tal sistema.

   Leia o livro, com um marca-texto. Vou fazer isso. Há ainda outras histórias que não foram abordadas no livro. Mestre Oswaldo Fadda, por exemplo, pai da Nova União, foi formado por Luís França, que por sua vez foi diplomado (coisa que Carlos não foi) pelo próprio Conde Koma. Por que estou escrevendo isso? Veja só: Hélio começou, após a morte do irmão em 94, a dizer que adaptou o sistema que o irmão ensinava certo (e por isso começou a se auto-intitular o pai do GJJ)? Pois como que Oswaldo Fadda vencia campeonatos com seus alunos usando o jiu-jitsu não adaptado de Hélio? E metiam chave de pé nos playboys (Mestre Fadda dava aulas coletivas nos subúrbios para o povo pobre - totalmente oposto das caras aulas  particulares do Hélio).

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BigBoy


Offline GUICOMES

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Re:Sobre a evolução no uso de faixas no Gracie Jiu-jitsu
« Resposta #4 Online: Outubro 03, 2012, 16:49:27 »
Bom, até alguns anos atrás, o gracie jiu-jitsu não era muito conhecido no RS. Inclusive meus pais nunca ouviram falar dos Gracie. Eu mesmo só conheci por revista KIAI e internet anos atrás, e nem tinha na cidade em que morava.
O que achei estranho de não usarem preta é que não vejo sentido, pois o Maeda usava uma preta e deve ter explicado no primeiro encontro com o primeiro aluno a diferença entre preta e iniciantes.
O Judo e o karate mesmo já eram conhecidos em 1967, e tinham a preta como distinção.
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Re:Sobre a evolução no uso de faixas no Gracie Jiu-jitsu
« Resposta #5 Online: Outubro 03, 2012, 17:06:02 »
   Com certeza eles sabiam deste conceito, da faixa preta, pois em 67 no Rio já havia karatê e eles já tinham tido contato com a Kodokan.

   Mas eles tinham umas manias sim. Talvez a cor da faixa entrasse nessa também. O comprimento dos kimonos era verdadeiro cavalo de guerra disputado pelo Carlos quando estava acertando detalhes de desafios. Eles usavam um kimono horroroso, muito mais curto. Parecia que iam caçar siri no mangue.

Offline GUICOMES

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Re:Sobre a evolução no uso de faixas no Gracie Jiu-jitsu
« Resposta #6 Online: Outubro 03, 2012, 17:19:48 »
hehe. No karate prefiro GI assim. metade da canela e antebraço, e também a jaqueta não muito mais longa de onde está a faixa. Mas acho que este modelo era comum, o Maeda já usava um bem curto, a calça parecia uma bermuda.
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Offline Bodhi

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Re:Sobre a evolução no uso de faixas no Gracie Jiu-jitsu
« Resposta #7 Online: Outubro 03, 2012, 17:38:08 »

   Quanto a este método que você perguntou, é uma curiosidade que tenho. Pelo que entendi das narrações, Hélio aplicava um sistema de ensino bem formatado, com aulas definidas em unidades crescentes de grau de complexidade. Não vi em canto nenhum mais este tal sistema.

   

Não seria o método de aulas particulares que seus filhos aplicam até hoje (acredito que com adptações/atualizações) ?
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Offline BigBoy

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Re:Sobre a evolução no uso de faixas no Gracie Jiu-jitsu
« Resposta #8 Online: Outubro 04, 2012, 12:43:53 »
Bodhi,

   Com o $ RORION $ tendo podido aproveitar isso? Duvido.

   Mas eu sou culpado por ter desvirtuado o tópico.

   O sistema de faixas, principalmente para as pretas é interessante por permitir visivelmente quem é um faixa preta com conhecimentos de professor (a faixa tem uma ponta vermelha) e outro faixa preta que seja somente um praticante (a faixa tem uma ponta branca).

   Porém, conversando com meu sensei, ele relatou que a banca na CBK recebe informações a respeito dos candidatos à faixa preta: se é cardíaco, se tem perna mecânica, se é um praticante simples, etc e, principalmente se pretende ser professor de karatê.

   Se e o exame marrom -> preta for para um candidato a professor, o rigor referente a diversos outros aspectos é cobrado de forma diferenciada.

   Portanto, penso que também haja implicitamente este quesito no karatê, porém, sem distinção na faixa. O que, sinceramente, na minha opinião, chega a ser bom. Uma faixa preta simples, como o sensei Pedro comenta.

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Offline GEM

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Re:Sobre a evolução no uso de faixas no Gracie Jiu-jitsu
« Resposta #9 Online: Outubro 04, 2012, 16:42:12 »
   Porém, conversando com meu sensei, ele relatou que a banca na CBK recebe informações a respeito dos candidatos à faixa preta: se é cardíaco, se tem perna mecânica, se é um praticante simples, etc e, principalmente se pretende ser professor de karatê.

   Se e o exame marrom -> preta for para um candidato a professor, o rigor referente a diversos outros aspectos é cobrado de forma diferenciada.

   Portanto, penso que também haja implicitamente este quesito no karatê, porém, sem distinção na faixa. O que, sinceramente, na minha opinião, chega a ser bom. Uma faixa preta simples, como o sensei Pedro comenta.

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Big,

Na FPrK também existe este critério.
A idade do “aspirante” a preta (por razões de limitações físicas) e contribuição ao karatê também são consideradas.
No nosso dojo, já adotamos estas considerações desde os exames para iniciantes.
Embora eu tenha certeza de que já já aparece alguém dizendo que isto é um absurdo, que um faixa preta tem que matar dez numa cuspida, senão não é preta.:P
Karate Wado Ryu

Offline Mestre Luciano

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Re:Sobre a evolução no uso de faixas no Gracie Jiu-jitsu
« Resposta #10 Online: Outubro 26, 2012, 13:17:14 »
Sinceramente, do papo todo a única coisa legal foi REALMENTE a diferença entre faixa preta ATLETA, PRATICANTE de PROFESSOR.

Achei uma coisa bem interessante, pq sabemos que são artistas distintos com habilidades diferentes.

No resto posso dizer que os Gracie me enojam...

Aff
ルチアーノ - Luciano - Karateca e Judoca.
Kyokai Karatê Dojo        www.kyokai.com.br

O Karatê deve ser treinado e não discutido. OSS