Autor Tópico: Sohaku Bastos  (Lida 11555 vezes)

Offline Landeira

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Re: Sohaku Bastos, a Lenda sua História.....
« Resposta #15 Online: Maio 22, 2009, 17:06:32 »
Caro Isaias.

Vc realmente mostra que é muito equilibrado e segue a risca o caminho do bushido.

 "Seguir o bushido, é dar ênfase à lealdade, fidelidade, auto sacrifício, justiça, modos refinados, humildade, espírito marcial e honra acima de tudo, morrer com dignidade".

Parabéns meu amigo.

OSS!

Marcos Landeira

Meu caro Adriano,
Que bom que possamos chegar a este nível de discussão em termos tão cordiais, sem que necessáriamente tenhamos que abrir mão das nossas convicções.
Fico com a impresão que o currículo do Prof. Sohaku Bastos prescinde de presciosismos como o que levantei. Pelos méritos citados, o professor dispensa essas ranhetices. Retornando ao meu primeiro post, só ouvi falar bem dele pelo meu dai sempai Antonio Aderne, de forma que espero um dia ter a oportunidade de conhece-lo pessoalmente.
Espero que possamos trazer a este forum outros assuntos da mesma importância e trocar informações sobre este assunto que, quer queira ou não, faz parte da nossa história, e porque não dizer, da nossa vida,
Um grande abraço

Isaias

Offline Gakusei

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Re: Sohaku Bastos, a Lenda sua História.....
« Resposta #16 Online: Maio 22, 2009, 19:14:46 »
Caros Senseis Isaias e Landeira,

Esse tópico, além de trazer a extraordinária trajetória do Sensei Sohaku Bastos, acabou também levantando outros fatos notáveis do primórdios do karatê no Brasil, durante os anos 60, mostrando a importância da liderança do Sensei Caribé e da Bahia, na consolidação da boa técnica do karatê em nosso país.

A perda do Sensei Caribé no acidente de automóvel que sofreu em 1985 não foi só trágica pela grande pessoa que foi Caribé mas pelo que representava para o karatê. Nosso karatê de hoje seria outro, muito melhor, se ele ainda estivesse entre nós, com sua forte liderança e constante busca pelo aperfeiçoamento técnico. Agora entendo melhor a dimensão da colocação sobre isso que fez o Sensei Ricardo D'Elia em outros tópicos.

Gostei de ler o texto "História do Karatê na Bahia", de Ramiro Oliveira,  que pode ser baixado de
http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/158385, sugerido pelo Sensei Landera. Esse texto e a discussão geral do tópico, mostram uma parte fundamental do início do karatê no Brasil,  acho que quase desconhecida pela maior parte dos que estão nesse forum.

Isso merece ser divulgado, até mesmo para que se atribua o mérito a quem realmente merece, algo que raramente acontece.

Oss,


Gakusei - A. Azevedo-Filho

Offline yoda

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Re: Sohaku Bastos, a Lenda sua História.....
« Resposta #17 Online: Maio 22, 2009, 19:49:43 »
Meus caros amigos,

Aproveitando a sugestão do Prof. Adriano, voltei a ler o texto do colega Ramiro (que infelizmente não conheço pessoalmente) e transportei-me no tempo pois as matérias que foram transcritas do jornal "A Tarde", eu as li quando da sua edição. Fiquei muito emocionado ao "ouvir" as palavras de Caribé sensei (muitas "politicamente incorretas" hoje em dia) e senti o quanto o tempo é implacável. Denilson morreu aos 45 anos, quando eu tinha 26. Uma semana antes do seu fatídico acidente, estávamos em Aracajú, onde o Prof. Fernando Rocha (grande karateka) promovia um curso com o saudoso mestre e Inoki sensei. Eu tinha sido "recrutado" literalmente na rua. O professor Denilson passou por mim, perto da minha casa e perguntou"Mosquinha, vai fazer o que no fim de semana?
Tivesse eu que assumir a presidência da república, teria imediatamente mudado os meus planos, pois naquela época, a importância desse convite era superior a tudo.
Caribé sensei era uma figura paterna para os da minha geração. Largava-se qualquer programa para estar junto a ele. Apanhar de Denilson era um "privilégio" que se ostentava com muito orgulho (embora deva declarar que o grande mestre nunca se deu ao trabalho de me encarar como um adversário, dada a diferença abissal de técnica e força).
Hoje, aos 50 anos, sinto falta da presença do mestre, se não por outos motivos, pelo menos para ouvir seus "causos" e privar da sua companhia.
Até hoje, na Bahia, os velhos karatekas se reunem para relembrar a época em que tínhamos um sensei.
Desculpem o tom sentimentalóide, mas é o que dá mexer nas reminiscências da gente.
]Abraços a todos

Offline Arivaldo

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Re: Sohaku Bastos, a Lenda sua História.....
« Resposta #18 Online: Maio 23, 2009, 09:16:49 »
A primeira vez que ouvi falar do Sohaku, foi através de um aluno dele Paulo Bruno capitão de mar e guerra que veio transferido para Santos, para comandar a Guarda Portuária e passou a treinar comigo, enquanto comissionado na cidade. Foi através do Paulo que os aspirantes a oficiais da marinha japonesa treinaram conosco uma semana em Santos, conforme citado, pelo yama (depois eu posto as fotos). As informações que tive dele (Sohaku) e que era um praticante muito bom e que Nakayama Sensei tinha uma profunda amizade por ele.   

Com relação aos pioneiros do karate nacional...Desde a fase de implantação do karate em território nacional, tivemos em diversos estados e em períodos diferentes, pessoas abnegadas que tudo fizeram para divulgação e organização do karate.  Agora designar essa ou aquela pessoa pai do karate nacional é um pouco de exagero, pois estaríamos cometendo injustiças com outros que também muito fizeram. O Caribé com certeza merece destaque, no karate nacional, mas principalmente pelo seu trabalho realizado em seu estado, que sem ajuda do Machida Sensei, não teria chegado ao nível que chegou. Sei das dificuldades que os professores  José Rebouças  e Ari Pina, tiveram para implantação do karate Shorin na Bahia, e também não conseguiam filiar a Federação Baiana, porque o Caribé não aceitava filiação de outros estilos de karate, chegando inclusive ao ponto de darem aula armados. Devemos sim, lembrar  com respeito das pessoas que muito trabalharam, para que  o karate alcançassem o status que tem hoje, mas também não podemos esquecer “das muitas politicas incorretas” para que não caíamos nos mesmos erros.  O Ricardo (D´elia) viveu os dois lados da moeda, primeiro como aluno do Yanaguisawa Sensei e depois como aluno do Okuda Sensei e deve  lembrar bem, como era no anos 70 a politica reinante na época e o tratamento dado aos professores das outras linhas de karate. 
O Akira Taniguchi citado no livro não era da Wado e sim da Goju.

Ari - Santos/SP

Offline katsumoto

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Re: Sohaku Bastos, a Lenda sua História.....
« Resposta #19 Online: Maio 23, 2009, 12:33:29 »
O Caribé tinha essa moral, porque era muito respeitado no japão.
Os proprios Japoneses o consideravam o Patrono do Karate do Brasil. Ouvi isso da boca do proprio Masahiko Tanaka.
KATSUMOTO-Prof. Roberto Sant Anna

Offline DElia

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Re: Sohaku Bastos, a Lenda sua História.....
« Resposta #20 Online: Maio 24, 2009, 03:55:51 »
A primeira vez que ouvi falar do Sohaku, foi através de um aluno dele Paulo Bruno capitão de mar e guerra que veio transferido para Santos, para comandar a Guarda Portuária e passou a treinar comigo, enquanto comissionado na cidade. Foi através do Paulo que os aspirantes a oficiais da marinha japonesa treinaram conosco uma semana em Santos, conforme citado, pelo yama (depois eu posto as fotos). As informações que tive dele (Sohaku) e que era um praticante muito bom e que Nakayama Sensei tinha uma profunda amizade por ele.   

Com relação aos pioneiros do karate nacional...Desde a fase de implantação do karate em território nacional, tivemos em diversos estados e em períodos diferentes, pessoas abnegadas que tudo fizeram para divulgação e organização do karate.  Agora designar essa ou aquela pessoa pai do karate nacional é um pouco de exagero, pois estaríamos cometendo injustiças com outros que também muito fizeram. O Caribé com certeza merece destaque, no karate nacional, mas principalmente pelo seu trabalho realizado em seu estado, que sem ajuda do Machida Sensei, não teria chegado ao nível que chegou. Sei das dificuldades que os professores  José Rebouças  e Ari Pina, tiveram para implantação do karate Shorin na Bahia, e também não conseguiam filiar a Federação Baiana, porque o Caribé não aceitava filiação de outros estilos de karate, chegando inclusive ao ponto de darem aula armados. Devemos sim, lembrar  com respeito das pessoas que muito trabalharam, para que  o karate alcançassem o status que tem hoje, mas também não podemos esquecer “das muitas politicas incorretas” para que não caíamos nos mesmos erros.  O Ricardo (D´elia) viveu os dois lados da moeda, primeiro como aluno do Yanaguisawa Sensei e depois como aluno do Okuda Sensei e deve  lembrar bem, como era no anos 70 a politica reinante na época e o tratamento dado aos professores das outras linhas de karate. 
O Akira Taniguchi citado no livro não era da Wado e sim da Goju.

Ari - Santos/SP


Ari,
estou de acordo com seu comentário sobre a dificuldade, quase impossibilidade, de outros estilos estarem nas Federações de Karatê de seus Estados, assim como em São Paulo onde fui um dos que bloqueava o acesso à comunidade em geral. Vc descreveu com propriedade e conhecimento de causa a história da Federação na Bahia, já que ouvi do meu amigo Professor Denilson, algo parecido acrescido de inúmeros detalhes pois ele mesmo era o grande articulador da FBK.
Para que todos tenham uma idéia do que aconteceu vou postar novamente fatos ocorridos em 1973, antes da fundação da FPK.

A fundação da FPK ocorreu num momento crítico da vida nacional, sob o regime militar, sendo na época, entre outras coisas, vedada a reunião ou associação de pessoas sem autorização prévia, por outro lado no aspecto técnico, propriamente dito, haviam mestres e professores abrigados, e agrupados, sob diversas metodologias ou estilos, com objetivos e interesses não alinhados.
Sem dúvida, o grande mentor e líder do movimento que fundou a FPK foi o Professor Okuda, sua obstinação surda e cega, fez com que todos os obstáculos fossem superados ou esmagados.
Vale ressaltar que o processo para regularização do Esporte foi iniciado pelo Sagara Sensei, na Federação Paulista de Pugilismo, com um departamento especializado e auxiliado pelo Professor Sasaki. Quando o Okuda Sensei (por fortes razões pessoais) abandonou a academia do Sagara Sensei, foi seguido pelo Professor Sasaki, e criou uma nova liderança para o Shotokan, inclusive usando a sigla NKK Nihon Karate Kyokai e não o nome Shotokan. Neste processo o Sagara Sensei foi excluído pelo Okuda Sensei.
Os players na época eram os representantes dos estilos mais influentes como o Shorin-ryu, o Gojiu-ryu, o Wado-ryu, o Shito-ryu e a NKK do Okuda Sensei e seu grupo de trabalho, onde existiam “cabeças e peões”, os “cabeças”, indivíduos ligados ao regime vigente (pessoas leais e amigas que deram uma contribuição fundamental) e os “peões”, karatecas Antonio Gomes Martins, Ennio Vezulli, Morio Seki, Yasuiuki Sasaki e eu, (deram meses de trabalho, tempo e dinheiro). As portas eram abertas pelos “cabeças” e os “espaços” ocupados pelos peões, ou seja, uma reunião no CND antigo Conselho Nacional de Desportos (a entidade máxima do Desporto no País), era agendada pelos cabeças, os peões iam para fazê-la, era obtido um modelo para o estatuto, os peões tinham incumbência de datilografá-lo (eu tive a honra de realizar o trabalho datilográfico em 3 vias do primeiro estatuto da FPK), alguém seria homenageado num jantar, os peões rateavam a conta , e por aí vai!
A primeira reunião foi realizada na Butoku-kai, academia do Okuda, estavam presentes o nosso time e representantes das outras linhagens, como o Mestre Shinzato, o Mestre Buyo, o Mestre Matsumi, o Professor Ito, o Professor Yanaguisawa, o Professor Castanho, e alguns outros, e discípulos destes mestres e professores eventuais candidatos à dirigentes da FPK.
Momentos antes da reunião, percebi o clima da parada, (pensei f...) o Okuda Sensei estava com aquela cara quando chegava para puxar o treino da manhã, e um de nós cinco (Ennio, Gomes, Robson, Sasaki e eu) faltava ou “ele tinha respirado fundo”(sim porque para ele ficar puto não precisava de nada), ele ficava literalmente amarelo e mal abria os olhos, pode parecer redundância, mas é a expressão da verdade, o cara ficava transtornado. Ele tinha por vezes reações estranhas, estávamos todos ali para tentar estabelecer um objetivo comum, consolidar o Karatê, porque uma entidade federativa mesmo que esportiva, independente da qualidade técnica, deve adotar princípios democráticos. Só que com ele não era fácil, dizia na cara de todo mundo que só o nosso Karatê prestava e tinha valor, o dos outros não era nada ... ele balançava a mão na frente do rosto como se estivesse sentindo um cheiro desagradável ... percebi que, aquela primeira reunião onde havíamos investido muito tempo, muito trabalho, e muito dinheiro, poderia virar um desastre.
Pela minha origem no Karatê ser em outros estilos, eu era visto pelos outros mestres como uma cara amiga naquele monte de gente fazendo careta, é isso mesmo, os mestres foram recebidos de forma nada gentil. Eu tinha por todos e, especialmente, pelo Shinzato Sensei, um grande apreço e respeito. No grupo que o acompanhava aquele dia, como sempre, estava um político cassado pelo AI5 que foi logo identificado por integrantes do nosso grupo que faziam parte do regime vigente. Criou-se um clima que excedia toda e qualquer previsão, uma coisa era Karatê e seus descompassos técnicos, agora coisas de política na época não se podia medir as conseqüências. Mas felizmente as coisas tomaram um rumo de equilíbrio e realizou-se a primeira reunião ...
Não foi fundada a Federação, durante aquela reunião, já que o Okuda Sensei no meio do caminho deu uma guinada na trajetória e fez com que apenas cinco associações assinassem a ata “em cima do joelho”, meses depois, que foram a Associação Butokukai, Associação Ito, Associação Matsumi, Associação Augusta e Associação D’Elia.
Reafirmo, que o mérito da criação e fundação da FPK é do Okuda Sensei, nós, seus seguidores, apenas trilhamos o caminho ditado por ele, já que só víamos o que ele queria e ouvíamos o que ele falava ... afinal ele era o Sensei e nos ensinava o melhor Karatê do mundo.
Oss
« Última modificação: Maio 24, 2009, 12:05:04 por DElia »
Ricardo