Autor Tópico: A nova "velha" revolução  (Lida 1417 vezes)

Offline Shaolin do Norte

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A nova "velha" revolução
« Online: Fevereiro 07, 2011, 17:07:19 »
Oss Amigos,

Quero abrir um debate que me vem em mente agora em que um Mae Gueri acabou com a luta mais comentada dos últimos tempos.

Gostaria de debater a opinião dos colegas do fato da aplicação das técnicas clássicas em detrimento ao que hoje vemos nas academias e nas disputas de Kickboxing como o K1 e também MMA em geral. Vejam se concordam:

Para colocar meu raciocínio, primeiro quero colocar a minha visão do porque das artes marciais estarem como hoje, principalmente no Brasil:

Hoje, o que se vê é pipocando o surgimento de academias de JJBr, MT e até aquelas que dizem ensinar MMA. Mas onde isso começou?

Não fiz pesquisa mas, acho que sou da geração daqueles que viram o surgimento dos que hoje, ensinaram os grandes astros das Artes Marciais (muitos brasileiros) e pelo que me lembro foi mais ou menos assim. No início dos anos 80 me lembro que no Rio de Janeiro, onde nasci e morei até 1989, havia o Jiu-Jitsu com os Gracie e Mestre Jacaré, o Karate com a Kobukan do Tanaka Sensei, o Tae-Kwon-Do do  Mestre Kin , Mestre Roberto Leitão com a Luta-livre e Nelio Naja com o Full contact e Muay Thai. Naquela época no Rio, as práticas eram bem distribuídas porém, o pessoal do JJ começou a se destacar com vitória em desafios a outras artes marciais Brasil a fora e nas participações dos Gracie em eventos no Japão até que surge o UFC. Isso fez explodir academias de JJBr pelo Brasil no início dos anos 90 e em contra partida, os praticantes de MT iniciaram a participação em eventos de MMA, onde muitos passaram a complementar seu treinamento com as técnicas de submissão para encararem a hegemonia do JJBr  e Wrestling pois, até então, um lutador de contato (socos e Chutes) não estava acostumado a lutar contra um lutador de chão. Isso levou a mais participação dos lutadores de MT em eventos de MMA, além das competições de Full Contack como o K1.

Atualmente, os lutadores de MMA, seja ele brasileiro ou estrangeiro, se preparam basicamente com uma combinação de Chão e Contato, sendo ele composto normalmente por Chão - JJBr  e Wrestling; Contato – Boxe e Muay Thai.

Enquanto isso, alguns mundos totalmente a parte dessa revolução se desenrolavam de forma independente. Era o mundo do Judo, do Karate, do Kung Fu e dos Outros (qualquer arte marcial que não sejam essas). Esses mundos fechados levaram a uma significativa diminuição na procura dessa modalidades e, ao meu ver, tirando o JuDo que sempre foi muito exposto por termos campeões Olímpicos, fez uma seleção onde alguns poucos se refinaram ao ponto de evoluir em qualidade enquanto que a maioria se perdeu em políticas,práticas pouco eficazes e competições esportivas sem o menor conceito marcial.

Alguns eventos como o K1 ainda fez ressurgir um pouco o Kung Fu e o karate, porém, foi com a ascensão de Lyoto Machida no UFC que fez aqui no Brasil, novamente se falar de Karate fora do mundo de nós, Karatecas.

Hoje, esse paradigma está sendo modificado. Está claro que um lutador de JJBr só com sua habilidades não mais pegará de surpresa um Boxer ou um karateca e também, vemos casos como do Lyoto que graduou-se Faixa Preda de JJbr.

Porém, o emprego das técnicas tradicionais estão cada vez mais mostrando que fazem a diferença. Reparem como em pé esses chamados strikers, dentre eles os americanos B.J. Penn, Rich Franklin e Cain Velasquez possuem como armas principais as técnicas do boxe e os lowkicks. Os chutes laterais (não vou chamar-los de Mawashi porque estão muito longe de serem...) as vezes são utilizados e com muito pouca eficácia.

Agora, vemos lutadores como Lyoto, Lidell, Georges St. Pierre, A.Silva, que buscam técnicas mais tradicionais como o Karate e reafirmando a questão de que MMA por MMA, é como um pato, onde o bicho não nada bem, não voa bem e não corre bem...

Será isto uma nova revolução? Será que como Vitor Belfort, teremos mais lutadores do estrelato das artes marcias buscando nos estilos mais tradicionais as técnicas para a vitória?
      Gustavo

Offline bruno_leite

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Re:A nova "velha" revolução
« Resposta #1 Online: Fevereiro 07, 2011, 17:32:19 »
Oss.

Eu acredito que sim, a tendência é que os lutadores de MMA comecem a procurar as artes mais tradicionais, como o próprio Anderson Silva está fazendo. Sendo ele detentor do cinturão, ele procura aprender técnicas eficientes em artes marciais que, anteriormente, não fora treinado, como por exemplo o Karate, com Lyoto Machida e o Aikido com Mr. Steven Seagal. Tomando esta luta do UFC 126 só como exemplo: eu reparei que o movimento das mãos do A.Silva estava muito semelhante à guarda ensinada por Mr. Seagal, com as mãos fazendo movimentos circulares, a espera de uma entrada do adversário para que haja uma torção, por exemplo... Além de tudo, o Anderson estava com uma guarda mais ereta, enquanto o Vitor estava com uma guarda característica do boxe, com as duas mãos protegento o rosto e, com a coluna curvada para frente, o que, apesar do mesmo estar protegendo o rosto, não foi o suficiente para evitar a entrada do mae geri. A guarda do Lyoto, por exemplo, é ereta, com o rosto "longe de perigo", e isso facilita, inclusive, a visão de jogo.
Voltando ao tema do tópico, realmente acredito que os lutadores procurarão artes marciais mais tradicionais, até mesmo porque está se acabando a questão do "que vença o mais forte" no UFC, e se tornando "Que vença o mais técnico", tomando novamente como exemplo o Lyoto Machida, que não tem um porte musculosíssimo, no entando, na disputa pelo cinturão, deu uma surra na montanha de músculos do Rashad Evans.
Oss.
"A victória depende da habilidade que temos em distinguir as vulnerabilidades, naqueles que pensam que são invulneráveis."
Gichin Funakoshi

rapha.m.g

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Re:A nova "velha" revolução
« Resposta #2 Online: Fevereiro 07, 2011, 17:51:59 »
acho que é meio que nem o mercado de moda , consumo e tendências em geral: aparece algo diferente, surpreende a todos, aí todo mundo começa a fazer, se nivelam, até aparecer algo novo, aí de novo todo mundo segue a tendência, pipoca, nivela... aí quando acabam as novidades, o pessoal começa a buscar o que foi esquecido, que reaparece como "novidade" e novamente corre todo mundo naquele caminho, até regatarem outra coisa...

Offline PSekiMG

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  • Não existe atitude ofensiva no Karate ― Shoto.
Re:A nova "velha" revolução
« Resposta #3 Online: Fevereiro 07, 2011, 18:11:54 »
Oss,

As artes marciais, em suas mais variadas vertentes, sempre estiveram de portas abertas para qualquer tipo de público. Contudo, sua maior peculiaridade, que consiste no ensinamento a longo prazo, prezando pela doutrina como um conjunto de valores físicos, mentais e espirituais, pode ter afastado (no sentido de "não ser atraente") os lutadores profissionais...

... mas isso é apenas uma hipótese.

Acredito que isso não seja uma nova revolução, mas apenas uma onda que terá sua duração garantida conforme os resultados trazidos por cada especialista marcial nos combates de estilos misturados.

Oss.
A força física sem respeito nada mais é que força bruta, e para os seres humanos não tem nenhum valor ― Shoto.

julianoferreira

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Re:A nova "velha" revolução
« Resposta #4 Online: Março 04, 2011, 17:14:48 »
Oss!

Então senhores, bem pertinente essa discussão. Apesar de estar parada já a alguns dias, resolvi comentar.

Comentando sobre a luta em específico. O chute foi o básico do básico do básico do Karate, Mae Geri costumo ensinar pros meus faixas brancas e amarelas, a questão é que além de ter sido aplicado por um lutador fora de série (independente da arte marcial que ele pratica), era uma forma de aplicação que o Belfort não conhecia. Aí entra aquilo que o Shaolin comentou, sobre os estilos e técnicas sacramentadas do MMA. Normalmente o chute frontal aplicado é o "pisão" muito comum no Muay Thai, chute fintado, com o metatarso, realmente é difícil de se ver.

Sou praticante de Jiu Jitsu e Karate, mas tenho o Karate como minha "Arte-mãe", no MMA o jiu jitsu hoje é meio que uma cesta básica, é o mínimo que você precisa saber para entrar num octagon. O problema é que hoje em dia qualquer lutador que se aventure no MMA sabe e faz jiu jitsu. No início do vale-tudo, nos primeiros UFC, o Royce levava todas simplesmente porque ninguém sabia o que fazer no chão, hoje em dia, até Karatecas "de raiz" como o Lyoto Machida, sabe escapar de um arm-lock, uma guilhotina, sabe repor uma guarda, raspar, etc... Então eu vejo que o jiu jitsu passou a ser como o idioma Inglês para quem trabalha com tecnologia - deixou de ser diferencial e passou a ser obrigatório.

Como resultado se destacam os lutadores que hoje tem diferenciais, que na minha opinião são as técnicas mais "tradicionais" das artes marciais mais "tradicionais" (entre aspas, pq Muay Thai e Jiu Jitsu tem uma história tão antiga, talvez até mais, que o Karate, por exemplo). Vejam por exemplo o cara que vai enfrentar o Shogun em breve, o Jon Jones, um exímio Wrestler, sabe tudo de chão... mas o diferencial dele são as cotoveladas, as fintas (tem uma luta que ele dá uma cotovelada em um giro que meu amigo, se é na minha cabeça eu estaria procurando ela até hj). Outro exemplo de versatilidade é o nosso José Aldo.

O Anderson é um mestre nisso, li uma entrevista com ele onde ele diz que adora "inventar" - que no caso podemos chamar de inovar. Ele diz que chega a tirar golpes de jogos de vídeo-game. Ele vê no jogo e pensa "pô, isso funciona na luta", vai la na luta e faz.

No caso do Lyoto foi a mesma coisa, ninguém conhecia aquele estilo esquisitão dele de lutar. Cutucar com ashibarai embaixo, soco em cima. O problema é que com o tempo o jogo dele ficou manjado, previsível, ele não inovou. E quando o fez, não fez dentro daquilo que ele sabe, que é o Karate. O resultado: Duas derrotas, um nocaute fulminante. (e ele que se cuide, eu não apostaria 100% de chance de vitória sobre o vovô-Couture).

Para resumir, não acho que o tradicionalismo supere o moderno, e tb não acredito no oposto. Um lutador de MMA pode sim apanhar de um Karateca "old-school" (Sei que isso não foi levantado aqui, mas vale comentar). Eu acho que essa "moda" está na verdade na inovação, pois as pessoas não conhecem, as técnicas mais tradicionais se tornam apenas um detalhe.

De qualquer forma, para nós, praticantes mais "puristas" é bom - ou não - pois populariza aquilo que amamos e nos dedicamos: O Karate.

Oss!