Autor Tópico: karate ensinado para presidiários.  (Lida 8176 vezes)

Offline Andréia

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Re:karate ensinado para presidiários.
« Resposta #30 Online: Janeiro 17, 2012, 06:48:59 »
Acho que seria mais efetivo e mais prático tanto para o presidiário quanto para a sociedade que dentro do presídio fossem realizados cursos profissionalizantes em diversas áreas técnicas, que possibilitariam para o detento recomeçar a vida após cumprir sua pena.
Oss...

Offline Alexander dos santos

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Re:karate ensinado para presidiários.
« Resposta #31 Online: Janeiro 17, 2012, 08:06:22 »
Prezados,

Eu penso que qualquer coisa é possível e válido para se lançar mão na ressocialização de detentos. O que eu vejo como problemático é o sistema penitenciário e pós penitenciário.

Conheci um rapaz, que foi "café pequeno" de tráfico. Foi preso e lá dentro acabou entrando para igreja. As igrejas de uma forma geral ajudam bastante na mudança dos caras dentro da cadeia. Aí o rapaz veio para as ruas, libertado após 4 ou 5 anos, não lembro, em condicional. Eu conversava muito com ele e acabamos estabelecendo uma relação de confiança (dele em mim principalmente) e ele sempre vinha me confidenciar seus receios, angústias, de modo que eu tentava aconselhar e estimulá-lo a seguir no caminho certo.

Uma das maiores angústias dele, era que ele se sentia (palavra minha) "ressocializado sem sociedade". Essa é a melhor forma de resumir o que ele sentia e me confidencializava. Porque ele me contava, que ele entrou na cadeia bicho, se transformou em cordeiro, mas que o sistema (sem comparação ao filme) o empurrava para se tornar bicho denovo. Isso porque ele tinha que trabalhar num subemprego, pois não recebeu uma formação querente e lógica com o mercado de trabalho no RJ, pois as oficinas de trabalho penitenciários além de mal equipadas, levam o cara para funções que não dão condições de ninguém viver dignamente. Não se tem um trabalho governamental de reintrodução social, ele me dizia que só havia trabalhos não governamentais nesse sentido, que acaba não tendo uma abrangência satisfatória (não entendo nada disso, ele que me contava). Além de não se ter um trabalho de apoio pós presídio, aí eu entendo que poderia se ter trabalhos com psicólogos e outros profissionais que ajudariam o cara a se manter forte numa vida reta.

Esse eu acho que é o problema de fato.

Quanto a ensinar karatê ou não, estava pensando comigo, é possível e pode render frutos. Lógico que concordo com o colega que colocou a possibilidade de se fazer uma escolha desses que ganhariam o direito de praticar o esporte. Mas eu vejo que não aceitar a prática do karatê para não dar uma arma a mais para o cara é balela, pois uma grande parte dos marginais sabem ou são iniciados na capoeira... e muitos que estão lá dentro, são ruins de encarar na mão tá...

Quem sabe o karatê não pode ser uma ferramenta legal. Afinal, tem disciplina, hierarquia, e com um professor bem formado, pode usar todas as oportunidades para traçar paralelos entre uma situação de treino e uma situação social. O problema da maioria dos bandidos é não ter respeito pelo próximo, o karatê pode ajudar a dar isso.

Um abraço e fiquem com Deus!

Obs.: Continuo achando que o Brasil precisa de uma reforma política, penal e social, mas nem por isso vou me fechar para possibilidades.

Offline julianoferreira

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Re:karate ensinado para presidiários.
« Resposta #32 Online: Janeiro 17, 2012, 08:59:48 »
Finalmente... alguém entendeu que o problema não é ensinar o Karate... ufa!

Offline BigBoy

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Re:karate ensinado para presidiários.
« Resposta #33 Online: Janeiro 17, 2012, 09:32:59 »
Prezados companheiros do fórum,

   Gostaria de dar meu pitaco também! Logo o que sair nas letrinhas a seguir serão meramente posicionamentos pessoais... frases.

   Creio que as contribuições para este tema devam vir de todos os segmentos da sociedade. Primeiramente por que quem paga somos todos nós. Sendo especialistas no assunto ou não. Não estamos tratando aqui de que forma o bisturi de uma cesárea deva ser cortado para ser discutido somente por um subgrupo. Até porque subgrupos tem trazido resultados positivos de seus estudos, porém também resultados negativos: um exemplo foi a grande reforma da língua portuguesa da qual todos nós estamos sendo vítima. A sociedade somente acordou mesmo para o assunto depois do famoso livro "...nós pega os peixe", assunto pra lá de polêmico. Há um debate no Observatório da Imprensa, simplesmente espetacular sobre este assunto.

   Lutas dentro de presídio não é novidade. Houve até um boxeador famoso, peso cruzador, que saiu de lá. Coisa bonita.

   Foi relatada uma experiência de inclusão cujos resultados foram negativos aqui. Pois ofereço um contrapeso: uma favela de Curitiba fica próxima à Universidade Positivo. Foi oferecido um curso de inclusão digital que oferecia um PC para o 1o colocado. Ganhou um piázinho chamado W.A. Resende (deixem-me preservá-lo, ok?). Esse rapaz, empolgou-se, recebeu uma bolsa pré-vestibular, passou no vestibular de Engenharia Elétrica, era o último a sair das minhas provas, era o único que me procurava pra pedir ajuda, nunca colou. Hoje ele exerce cargo de supervisão da Visum, uma empresa daqui do Paraná. E ganha mais que eu... pôrra. E os outros do curso? Uns ficaram pelo caminho e outros nem saíram da estaca zero. Um, pelo menos um foi incluído. Valeu.

   Estamos sofrendo aqui no país uma "onda de Bacharéis". Todo mundo resolveu fazer curso superior. Resultado? Para cortar a grama da minha casa, preciso enviar uma SMS para meu jardineiro, o qual chega em sua Parati off-road 2011, põe seu macacãozinho de cortador de grama, corta e embala a grama em 90 minutos e embolsa R$ 75,00. A diarista da vizinha, que chega em seu corsa 1.4, fatura líquido R$3000,00 sem trabalhar aos sábados. Não vou subir o nível para os técnicos de reparo, maridos de aluguel, etc, pq senão a gente vai dar risada. Até Max Geringher criou um artigo-anedota sobre esse assunto. O outro resultado é mais perigoso: lido todos os anos com alunos que claramente não têm aptidão para o curso superior. Todavia seriam ótimos artífices, técnicos e outras atividades, todas também honrosas.

   O parágrafo acima foi escrito para convencê-los do seguinte: um curso profissionalizante de artífice, como sempre houve no SENAC e no SENAI. Não sei se ainda existe curso de garçom, cabelereiro, etc. Na cidade onde moro, por exemplo, não há um atendimento de balcão, um garçom, um eletricista cursado. Todos são picaretas. Cursos como estes, para encarcerados, são uma maravilha, pois são atividades com pouca sala de aula e muita ação. Muita. Qualquer sistema de governo atual tem como base o trabalho. E um trabalho destes demandaria um custo baixo para a sociedade, uma absorção rápida pelo nível intelectual médio do presidiário e o faria ver o quão difícil é ganhar dinheiro honesto, tarefa às vezes quase impossível para prostitutas e traficantes. X horas seriam destinadas ao pagamento de suas despesas na cadeia, Y para manter a família lá fora, Z seriam horas extras trabalhadas para seu provento particular. O bicho ia chegar pregado na cela e não iria ter tempo de cavar túnel.

   E, obviamente, uma atividade para o corpo, 1h/dia, seria ótimo. Quem quisesse jogar bola, tudo bem, correr, tudo bem, capoeira, kung-fu, dança, balé, desde que as atividades fossem voluntárias por parte dos ministrantes. Um karatê e judô, penso que seria das artes marciais, a melhor, por cobrar muita disciplina. Não que nas outras não haja, mas é menos rigoroso.

[]´s
BigBoy

Offline julianoferreira

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Re:karate ensinado para presidiários.
« Resposta #34 Online: Janeiro 17, 2012, 10:06:01 »
OSS,

Bigboy, excelente exemplo.
Eu complemento com um comentário, do pq simplesmente ensinar uma profissão não basta:

Se vc ensinar uma pessoa dentro desse contexto a ser um carpinteiro vc dará somente uma fonte de renda para ela quando sair, isso claro, se o patrão quiser contratar um ex-presidiário, é necessário? Claro que é, mas muitas vezes a profissão ensinada não será tão rentável quanto a atividade criminosa. O que precisa, em conjunto com o curso profissionalizante, é de uma atividade que mude a visão e a identidade da pessoa.

Uma pessoa inserida no contexto que estamos discutindo tem como realidade algo bem diferente dos nossos padrões de certo e errado, nesse ponto pq a religião, que o Alexander bem comentou, ajuda? Simples, ocorre uma mudança de valores que é tão essencial quanto uma profissão.

Uma atividade como o Karate, se bem orientado, fará a mesma coisa. Se o sistema carcerário hoje suportaria esse tipo de iniciativa eu realmente não sou a pessoa mais capacitada para afirmar, mas aí é outro problema. Mas se praticamos uma arte marcial que nos proporciona tantos benefícios a nós pq não proporcionaria a eles? Ou pelo menos uma parcela, ainda que pequena deles? Não consigo ver como algo negativo, e acho sim que alegar que estaremos dando armas aos bandidos seja pura balela, bandido aprende a brigar apanhando na rua, e se o cara tiver a disciplina para aprender Karate a ponto de realmente conseguir fazer um estrago a mais, acho pouquíssimo provável que ele saia de lá mais marginal do que entrou. Estamos falando de ensinar KARATE e não ensinar a brigar... e eu pensei que a maioria aqui sabia diferenciar as duas coisas...

OSS!

Offline hkluiz

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Re:karate ensinado para presidiários.
« Resposta #35 Online: Janeiro 17, 2012, 11:59:34 »
Assim vai ser dificil de enfrentar um cara desses desarmados na rua

Offline GEM

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Re:karate ensinado para presidiários.
« Resposta #36 Online: Janeiro 17, 2012, 12:18:27 »
Bom, em tese eu até poderia concordar com o Juliano, Alexander e o BigBoy, porém na prática, com o número de picaretas e "professores" mal preparados que temos no karatê, como garantir que os detentos terão um ensino do verdadeiro karatê, com sua filosofia e tudo mais ou somente aprenderão a lutar melhor?
Muitos aqui mesmo no fórum ficam reclamando que não conseguem um dojo decente para treinar (até você mesmo Juliano).
Então insisto, como garantir a qualidade dos ensinamentos a ser dado, e mais, como garantir que a triagem dos detentos foi feita corretamente (pois sabemos que existem indivíduos que são irrecuperáveis para a sociedade)?
Realmente não acredito que possa dar certo.  :(
Karate Wado Ryu

Offline julianoferreira

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Re:karate ensinado para presidiários.
« Resposta #37 Online: Janeiro 17, 2012, 13:31:38 »
GEM,
então você foi o único dos discordantes que deu um motivo forte para não acontecer.
E perceba que o problema não é o Karate, ou a arte marcial, e sim a estrutura que temos, o tipo de profissional que temos e a picaretagem que rola no Brasil.

Além disso tem toda a corrupção envolvendo o sistema carcerário.

Se você me perguntar novamente se eu considero possível, positivo, te direi seguramente que sim. Se é aplicável com o cenário que temos, te direi que não. Mas perceba que a raiz do problema é diferente. Sai do "ensinar Karate para o detento" e para na mentalidade e na estrutura que temos? O famoso jeitinho Brasileiro.

OSS!

Offline GEM

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Re:karate ensinado para presidiários.
« Resposta #38 Online: Janeiro 17, 2012, 13:45:53 »
Juliano, karatê nunca é nem será o problema, é somente solução. :D
São as pessoas que estragam tudo, principalmente aqui no Brasil.  :(
Mas enquanto ainda existir um único Sensei de bem (e sei que existem muitos, ainda bem) ainda existe esperança. ;)
E aliás você furou nosso treinamento no meu dojo ano passado! Vamos ver se este ano rola.  8)

Abraço
Karate Wado Ryu

Offline julianoferreira

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Re:karate ensinado para presidiários.
« Resposta #39 Online: Janeiro 17, 2012, 14:18:26 »
Sem sombra de dúvidas, inclusive estou agitando um treino em breve com o GUICOMES ou aqui em Floripa ou em Balneário Camboriu. Não dá nem pra vc dizer que é longe :)

Devo ir para curitiba em meados de Março.

Offline biancuzzi

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Re:karate ensinado para presidiários.
« Resposta #40 Online: Fevereiro 07, 2012, 11:22:38 »
Então pessoal,

Estou ressucitando este tópico pois achei uma matéria sobre as consequências do ensino de karate em tais instituições:

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/01/a_gazeta/minuto_a_minuto/1101480-aulas-de-karate-para-internos-da-unis-provoca-polemica.html


Abaixo o comentário do agente:

Um agente - que pediu para não ser identificado - contou que, mesmo em poucas semanas de aula, a mudança negativa no comportamento dos internos foi visível.

"Tudo que você diz a eles sobre comportamento errado é motivo para eles demonstraram que sabem algo a mais do que sabiam antes, e o agente mesmo não é preparado para isso. Eles estão sendo bem mais preparados que a gente", disse.
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http://www.kenshuseikarate.com.br

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Offline Bodhi

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Re:karate ensinado para presidiários.
« Resposta #41 Online: Fevereiro 07, 2012, 11:37:36 »
Então pessoal,

Estou ressucitando este tópico pois achei uma matéria sobre as consequências do ensino de karate em tais instituições:

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/01/a_gazeta/minuto_a_minuto/1101480-aulas-de-karate-para-internos-da-unis-provoca-polemica.html


Abaixo o comentário do agente:

Um agente - que pediu para não ser identificado - contou que, mesmo em poucas semanas de aula, a mudança negativa no comportamento dos internos foi visível.

"Tudo que você diz a eles sobre comportamento errado é motivo para eles demonstraram que sabem algo a mais do que sabiam antes, e o agente mesmo não é preparado para isso. Eles estão sendo bem mais preparados que a gente", disse.


Muito bem ressucitado.

Osu
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心に空手道 Kokoro ni Karatedō

Offline Sato/

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Re:karate ensinado para presidiários.
« Resposta #42 Online: Fevereiro 07, 2012, 12:41:25 »
Presidiários aprendendo karate de graça, começando a ficar crescidos e ameaçadores para um funcionário mal pago como agente penitenciário... Isso é lamentável.

Offline Pedro

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Re:karate ensinado para presidiários.
« Resposta #43 Online: Fevereiro 07, 2012, 14:39:36 »
Olá!
 Caro Sato, discussão inutil é como enxugar gelo.
Uma Arte Marcial como o Karate, não é só  porrada, é muito mais que isso, é disciplina,
estudo, cortezia e principalmente carater para entender a verdadeira essência.
Não posto mais neste tópico.
Oss
Pedro 
Com o "Obi", amarre seu corpo ao seu espirito,e vai em frente.

Offline Sato/

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Re:karate ensinado para presidiários.
« Resposta #44 Online: Fevereiro 07, 2012, 15:29:59 »
Não acho que falar sobre isto seja como secar gelo, mas sim gerenciamento de riscos.

Claro que karate não é porrada Pedro, porém o que se discute aqui é : será que os presidiários irão assimilar a disciplina, o estudo, cortesia e principalmente carater para entender a verdadeira essência ?

Se eles assimilassem isto tudo o Karate seria ideal para ressocialização.

Mas existe o risco do karate ser mal utilizado, apenas para porrada como o senhor disse.
Teria que ter um sensei muito firme para ensinar princípios a essa marmanjada.

A notícia do Biancuzzi de certa forma mostra que esse risco da agressividade pelo karate pode se tornar uma realidade.

Aí é a questão de arriscar ou no karate ou em outros tipos de trabalhos como ensino técnico nos presídios, por exemplo, que oferecem bem menos risco e podem incluir o ex-presidiário na sociedade e lhe dar um emprego quando sair.