Autor Tópico: Texto do Gustavo Poli (poderes e responsabilidade) (inspirado no goleiro Bruno)  (Lida 1522 vezes)

Offline Vinteedois

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Fonte: http://globoesporte.globo.com/platb/gustavopoli/2010/07/08/poderes-e-responsabilidades/

Poderes e Responsabilidade

Quem acertou na mosca foi Ben, o tio de Peter Parker. Sabe, Peter Parker, aquele fotógrafo? Bom, pouco antes de expirar, Tio Ben olhou para seu sobrinho Pete e disse:

-       Não se esqueça, Peter. Grandes poderes trazem grandes responsabilidades.

Peter Parker, nas horas vagas conhecido como Homem-Aranha, levou a lição consigo por toda sua vida de herói de quadrinhos e telinhas e telonas.  Pois é, tio Ben estava certo, mais que certo. E é essa a lição que nossos heróis modernos teimam em não entender ou aprender.

Vivemos a era da celebridade veloz – um tempo em que evidência vale dinheiro. Mais que isso, uma era em que a vida alheia se tornou um objeto de consumo. A narrativa da vida real substitui a ficção – seja numa jaula de BBB ou nas revistas de sorriso & botox que infestam as bancas de jornal. Fulana casou! Beltrana abriu seu apartamento! Sicrana emitiu um flato e moveu a sobrancelha!

No início deste ano, a Newsweek publicou um excelente artigo sobre o tema – que discutia até o valor artístico da “narrativa real” – com todos seus dribles e temperos.  Mas isso é tema para outro debate. O que se discute aqui é a fronteira entre publicidade e privacidade. Nunca se viu um jogador de futebol ou sub-celebridade afim abrir seu apartamento e coração ou casamento e reclamar, correto? Mas quando o caldo entorna – ah, invasão, crime, ninguém pode sair na rua!

Vivemos também a era da conspiração full-time. A profusão de fóruns e blogs na internet alimenta e retro-alimenta nosso Fox Mulder interior. Em todo assunto debatido – seja ele Nardoni, Dourado, Dilma, dedo médio do Ronaldo ou Serra, existe aquele “algo estranho aí”. Tudo tem motivo oculto. Toda notícia publicada tem uma agenda. Se publicou, é por esse interesse. Se não publicou, ah, alguém segurou lá em cima. Como se houvesse sempre uma razão inconfessável – uma articulação nos bastidores – seja para convocar um Ronaldinho Gaúcho neymarizado… ou para destruir essa ou aquela reputação. Ao que parece, todo mundo desconfia mesmo que vivemos num cruzamento de Arquivo-X  com Fringe – e que todos somos marionetes.

Talvez porque a era da notícia veloz favoreça o açodamento e desafie o jornalismo sério. Apurar, checar, confirmar informação não é tarefa simples. Requer trabalho e tempo. Por vezes, a notícia que prometia uma manchete sensacional se transforma em poeira depois de apurada e checada. E, na imprensa correta, poeira não é publicada . Por isso, a preguiça, quando falamos de jornalismo, é inimiga da seriedade. E parceira número um dos achocratas – os burocratas do achismo – que adoram um “ouvi falar” e um “teria sido”.

A tragédia que tem como pivô o goleiro Bruno traz uma lição. No início do ano, quando reportagens em diversos veículos no Rio de Janeiro, apontaram a vida desregrada que levavam alguns jogadores do Flamengo, a reação geral foi desconfiar da imprensa. Jogadores e torcedores (e até alguns colegas) criticaram um suposto jornalismo-de-perseguição. Sob essa ótica, não haveria nada de anormal na relação de Wagner Love e Adriano com traficantes. Nada demais nas festas com sexo exótico e bebida. No filme “8 milímetros”, Nicholas Cage é um detetive que mergulha no submundo para investigar o assassinato de uma atriz pornô. Numa das cenas, ele se olha no espelho e ouve sua voz, em off, dizendo:

- Se você dança com o demônio, o demônio não muda. Mas você muda.

Hoje, vale lembrar que muitos torcedores chegaram a dizer “querem derrubar o Flamengo” e sandices outras.  Existe uma fronteira que separa o interesse público do privado, claro. Mas, quando o sujeito escolhe uma vida pública, essa fronteira é difícil de precisar. O caso de Adriano foi o mais criticado. Não interessaria, a priori, ao público esportivo, saber se havia anões besuntados e asnos na festa de ninguém. As preferências sexuais e zoológicas (ou zoológico-sexuais) de cada um… pertencem à esfera privada – embora possam indicar uma vida desregrada. Mas… dizer que que não é esportivamente relevante, por exemplo, saber que Adriano tinha uma serpentina de chope em casa… bom, zagallemos aqui – essa é difícil de engolir.

Vale a pena recapitular. Foi a imprensa que disse que Adriano tinha problema com bebida? Não. Foi ele mesmo – em carne imperial e osso. E depois a sua noiva, Joanna (“quando ele bebe, não sabe o que faz”). E depois o então vice de futebol de seu clube, Marcos Braz. Logo, se alguém que deixou de treinar 11 vezes – e ficou fora de jogos importantes por “problema público e notório”, alguém que  “quando começa a beber não consegue parar”… tem uma serpentina de chope em casa… e isso não é relevante… é melhor voltarmos ao tempo dos focas amestrados – ou do jornalismo assessor de imprensa.

Ah, Williams brigou no bar, e daí? É, Cabañas também brigou no bar e – engraçado – você viu algum torcedor reclamar dessa notícia? Caro torcedor rubro-negro, qual foi sua reação quando Ronaldo teve seu entrevero com travestis? Ou quando sumiu na noite em Presidente Prudente? Conspiração também? Mas a teoria conspiratória não é o pior dos males. Ela é apenas ingênua. Pior é a teoria sub-sociológica – que enxergava nas reportagens sobre Adriano, Love e Bruno uma perseguição ao “negro e pobre que volta às origens”. Onde estava essa teoria quando o branco e rico Júlio Cesar apareceu no grampo com um traficante? Ou quando Edinho (preto e rico), filho de Pelé, foi preso?

Adriano cresceu na favela – e é mais que louvável sua relação com a Vila Cruzeiro. É um exemplo bacana – por dois lados. Primeiro, porque sublinha que dinheiro e luxo não compram a proverbial felicidade. Segundo, porque defende o próprio conceito de favela – e de favelado – vitima de tanto preconceito. O Imperador de chinelo e bermuda, sem camisa, soltando pipa, fazendo churrasco na laje… é uma imagem que diz muito para milhares de pessoas.  Se parasse por aí, não haveria um senão. O problema é que não parou por aí.

Adriano foi criado com meninos que viraram bandidos. Isso é natural na cidade partida de São Sebastião. Ninguém precisa de telescópio para observar nossa tragédia social. Uma favela dominada pelo tráfico é uma fábrica de ilusões. Na favela, o traficante é sinônimo de sucesso; a arma é um símbolo de poder.  E infância abreviada é a norma.

Façamos um breve corte para uma cena recente na favela da Rocinha. No início de março deste ano, a policia civil do Rio fez uma operação surpresa para capturar (ou matar) o chefe do tráfico no local, conhecido apenas como Nem. Houve tiroteio. Três helicópteros sobrevoaram a favela – atirando. Imagine por um instante uma criança nessa favela. Ela está acostumada com a vida regida pelo tráfico de drogas. Existem armas, um código de conduta particular – mas há relativa tranqüilidade. O que a policia traz quando invade essa favela? Tiroteio, barulho, desordem. Uma óbvia sensação de terror. Para essa criança, a polícia é um símbolo do mal.  E o traficante representa o poder que ela conhece – com todos seus códigos particulares.

Claro, essa equação perversa só será desfeita quando as favelas voltarem a fazer parte da cidade oficial – quando houver polícia, saúde e educação dentro das comunidades. Enquanto isso não acontece, voltemos ao tio do Homem-Aranha. O jogador de futebol que deixou a pobreza é o cara que realmente deu certo – que através de um talento legal conseguiu sucesso, dinheiro e status. O poder dessa imagem é muito grande.  Ben Parker puro: grandes poderes, grandes responsabilidades. Ah, mas eles não querem ser exemplos – dizem uns. Podem não querer – mas são.  Simples assim: podem não querer – mas são.

Quando um jogador de futebol se relaciona com bandidos… ele está chancelando, na mente de cada criança (favelada ou não), o tráfico como uma coisa cool. Está dizendo “esse cara aqui é maneiro”, assinando embaixo de uma pretensa rebeldia contra o “sistema”.  Dizendo “eu venci, esses caras aqui também… eles também derrotaram esse sistema vil que nos condena – nós, favelados; nós, meninos pobres – à pobreza e à falta de oportunidade”.

Cada menino da favela vive, desde pequeno, esse mundo duplo – a atração do tráfico, do tênis maneiro, do dinheiro fácil… contra o mundo despossuído, da educação ruim, do trabalho escasso, das oportunidades poucas. Qual o significado na mente dessas crianças dessa imagem?  O símbolo do sucesso “lá fora” ao lado do símbolo do poder “aqui dentro”?

Nossos tristemente jovens traficantes  – filhos da nossa fábrica social de bandidos – deixaram há algum tempo de ser apenas vítimas do sistema. Eles, infeliz regra geral, aprenderam cedo as regras da barbárie.  Podemos lamentar a sina de cada senhor das moscas carioca – e entender que nada disso acontece por acaso. Mas ninguém obriga ninguém a ser bandido. É sempre uma escolha. É essa fronteira que nossos heróis modernos precisam entender. A cada passo pro lado de lá – o crime agradece, uma mãe na favela tem mais chance de ver seu menino escolher o rumo do status súbito, da grana rápida, do fascínio pelas armas.

Vagner Love é o maior doador do Natal sem Fome da Rocinha – e isso é elogiável. Mas alguém acha que ele foi ao Baile Funk para “visitar suas raízes”? Logo ele, que nasceu em Bangu? Ele tem todo direito de se divertir na favela – mas ele sabe, muito bem, que nenhuma celebridade vai a local assim sem conhecimento do chamado movimento. Ele sabia o que estava fazendo. Esse vínculo é o pior recado que um ídolo pode passar. A proximidade com o crime é sempre perigosa. É a frase de Nicholas Cage –  o demônio não muda – mas você muda. O lastimável caso Bruno é algo completamente fora da curva – tem pouco a ver com futebol e muito com a ilusão da celebridade – dos poderes que o status de herói moderno traz – o hábito de viver longe das regras – seja acima ou abaixo delas.

No gibi número um do Homem-Aranha, acontece uma tragédia. O jovem Peter Parker, feliz com seus novos poderes, resolve ganhar dinheiro num festival de lutas. No caminho, vê um assalto, mas resolve não perseguir o ladrão, pensando “isso não é problema meu”. O mesmo bandido a seguir, assalta e atira em seu tio. Peter chega a tempo de ver o velho Ben Parker agonizando. E ouve, culpado, suas últimas palavras. Grandes poderes, grandes responsabilidades, Peter. Neste momento, no mundo maravilhoso da Marvel, o Homem-Aranha começa sua luta contra o crime.

Cada ídolo ou símbolo escolhe seu caminho. Você pode ser Pelé ou Maradona. Pode ser Michael Jackson ou Madonna. De alguma forma, você tocará milhares de pessoas – e de alguma forma elas serão influenciadas por suas mínimas atitudes – queira você ou não. Você pode não gostar disso, pode não querer isso, pode dizer “é minha vida, eu faço o que quiser”. Pode. É um direito. Quantos meninos estão olhando para suas camisas autografadas por Bruno, hoje, com horror?

Alguns escolhem a demagogia. Outros a hipocrisia. E há aqueles rebeldes quase sempre genuínos – como Romário. Todos são, afinal, humanos – erguidos por uma habilidade específica a um movediço panteão. Adriano e Vagner Love não são vilões modernos, pelo amor de todos os impérios (Bruno talvez seja, infelizmente). São ídolos imperfeitos – como Peter Parker, que deu de ombros. Dar de ombros tem preço, amigos.  É essa lição que nossos heróis modernos precisam aprender.


O que você acha do pai que fuma diante do filho?

Ou se droga diante do filho?

Pois é.
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Offline DElia

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Vinte e dois,
o Sr. Gustavo Poli descreveu a vida dos "heróis", com muita inspiração, como ela é de verdade ... uma verdade triste!
Oss
Ricardo

Offline yama

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Oss 22 san

o HOMEM foi perfeito,mais uma ferida aberta.....

dá vontade de chorar sem o menor constrangimento ........

cada dia a coisa está mais inaceitavel.....até qdo vamos tolerar isto    ??????????????


Oss
alberto
yama-Alberto S. Almeida

Offline PSekiMG

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Off,

22,

Boa contribuição. Boa, mesmo!

-//-

Ainda fico num dilema quanto a esta afirmação trazida no texto: "Mas ninguém obriga ninguém a ser bandido. É sempre uma escolha".

Óbvio que, apesar de não ser Cristão, opto pelas grandes palavras do "Rei de Jerusalém" (o "Rei Leproso"), que dizia, mais ou menos, que cada homem é responsável pelos seus próprios atos, mesmo aqueles que forem a "mandado de Deus" (o que de fato aconteceu na época das Cruzadas, onde matava-se em nome do "Senhor").

Entretanto, hoje assisti ao filme sobre a Aileen Wuornos (prostituta), considerada (de fato) uma Serial Killer nos EUA. Ela cometeu crimes terríveis para manter sua relação homossexual. Contudo, dois fatores só foram constatados após a sua execução por injeção letal em 2002: ela era Borderline (um distúrbio psicológico grave decorrente de grandes traumas do passado, por exemplo) e, associado a esta personalidade, se escorava sua companheira - uma psicopata. No caso, Aileen já sofreu por violências passadas - como estupro - e, ao longo do tempo, desenvolveu essa personalidade doentia, o que a levou a cometer crimes (não letais). Mais tarde, a sua associação com uma psicopata - que é a "cara-metade" para uma pessoa que possui essa personalidade (Bordrline) -   desencadeou a doença (Borderline). Daí em diante, os crimes (letais) foram praticados para sustentar esta doença - a pessoa Borderline tinha de fazer os gostos da psicopata. Simplificando, a psicopata usou das características já desenvolvidas pela Borderline (que já tentou seguir uma carreira de trabalho normal, mas que não conseguiu por conta da doença) para atingir seus objetivos. Não é que estes objetivos já estivessem programados, mas como boa psicopata que era, fez deles o próprio acaso.

O exemplo acima é complexo e um pouco confuso - eu sei. Mas estou mostrando como coisas tão detalhadas podem mudar a trajetória de uma pessoa, que neste caso, tinha problemas psicológicos gravíssimos. A dependência emocional doentia que Aileen tinha por uma pessoa psicopata me levou a pensar se ela tinha opção de escolha. Não estou sendo Advogado do Diabo, pois o que ela fez foi feito (e lembro-me do que dizia o "Rei Leproso"), mas apenas abrindo um paralelo para outro tipo de análise: e se ela não tivesse sido fruto de uma relação já doentia (pois teve até um filho de seu próprio irmão - incesto) ou se ela não tivesse conhecido uma psicopata?

As vezes não há escolhas?

Quem tiver curiosidade de saber sobre este caso que eu cite, que é interessante, visitem os links abaixo:

- Aileen Wuornos> http://pt.wikipedia.org/wiki/Aileen_Wuornos
- Transtorno de Personalidade Borderline> http://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_de_personalidade_lim%C3%ADtrofe
- Psicopatia> http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicopata
- Filme sobre> http://www.adorocinema.com/filmes/monster

-//-

Já sobre o crime do Bruno (que deveria ser o espelho para várias crianças do nosso país, onde cada uma delas, no mínimo, adora vestir a camisa do jogador favorito e brincar com seus amigos num joguinho de futebol) apenas confesso que não consigo compreender a motivação para os atos de barbaridade...

... apenas prefiro reler o texto postado pelo 22 e refletir sobre as Responsabilidades que deveriam ter aqueles que possuem Poderes (de fato).

Off.

Ps.: desculpem pela postagem enorme e confusa, mas é triste ter insônia!
A força física sem respeito nada mais é que força bruta, e para os seres humanos não tem nenhum valor ― Shoto.

Offline Vinteedois

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$%&! Pseki, agora me deu vontade de assistir a esse filme que eu nunca quis assistir na minha vida.. é um filme com a Chalize Theron (a SulAfricana)...

agora vou assistir sim.. valeu..

não sabia que era disso que tratava o filme...
bom saber!

Oss!
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Offline Vinteedois

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Exemplos
 

Fala aí rapaziada!

 

Com todo esse bafafá aí envolvendo os nomes de um certo goleiro sem escrúpulos, Flamengo e  o de uma $%&! assassinada brutalmente (fodam-se os politicamente corretos), fica meio difícil passar sem tocar no assunto. Fica difícil escrever sobre alguma outra coisa.

Mas enfim, não vou ficar aqui atacando o cara mais ainda, achincalhando a situação mais do que já tá zoneada a parada, nem vou defender “A” ou “B”, nem $%&! nenhuma disso.

Só acho uma coisa: As mesmas pessoas, que oportunamente, estão agora se esbaldando em falar mal do cara, que o Goleiro é isso, que o cara é aquilo e tal, tenho quase que absoluta certeza que são as mesmas pessoas que acham o Kaka um verdadeiro bom exemplo, em 99% dos casos.

Não é pra parecer diferente não, nem estou tentando comparar uma coisa com outra, mas exemplo, exemplo dos bons, isso com certeza o Kaká não é.

Que o goleiro acusado de envolvimento com um assassinato bárbaro e cruel não é exemplo pra ninguém, isso todo mundo sabe (ou deveria ter sabido com antecedência). Sempre esteve na cara, só não via quem não queria. O cara sempre se mostrou ser um desajustado, sem o menor controle emocional, com valores morais altamente contestáveis e deploráveis, de caráter altamente reprovável, uma figura patética, um ser desprezível... independentemente de envolvimento em crime ou não, muito antes disso, de culminar nesse fim trágico, esse cara sempre se mostrou ser uma pessoa das mais vis e desprezíveis, um cara que nunca mereceu o status de ídolo que tinha, jamais foi digno das honrarias das quais gozava. Em resumo, ele sempre foi um cara que toda vez que teve uma chance de se mostrar as pessoas, fez questão de ser babaca.. Sempre!

Então, só se espanta com isso, só fica puto, quem quer, quem não quis ver o óbvio. Aqueles que compraram camisas com o nome dele e o autógrafo, têm mais é que se fuderem mesmo. Pois, como pode venerar um crápula desses?

Enfim, há quem vá dizer: “falar isso agora é mole. Depois que o caldo entornou... falar agora é mole.“. Né por nada não gente! Mas eu já falava nisso, há muito tempo. Sempre critiquei esse cara, e a forma como ele era tratado dentro do clube (braçadeira de capitão pra um imbecil desses? Camiseta personalizada e tudo? francamente) e até pela torcida, que sempre encheu a bola desse cara.. enfim.. sempre falei isso e vários de meus textos publicados nesses blogs e fóruns da vida tão aí pra comprovar o que eu estou dizendo (não é oportunismo não. Eu já falava disso há muito tempo, e as pessoas que convivem comigo no dia-a-dia também sabem disso).

“Mas e o Kaka?”  vocês devem estar se perguntando. Eu respondo... KAKA É OUTRA BESTA! Ponto. Tá certo que um besta pacífica, porém, ainda assim, uma besta (enquanto o outro, é uma besta violenta, agressiva, inconsequente). E gente burra não deve ser exemplo pra ninguém. E com um detalhe: nem é um burro tão inocente assim também. Acrescentando já mais um personagem nessa história: se pessoal mete o pau no Imperagordo (Adriano) por suas ligações com traficantes e marginais e tal, por que aliviam, ou melhor, nem tocam no assunto em relação ao Kaka? É! isso mesmo. Kaka sim. Pra quem não sabe, ele é membro da Igreja Renascer, do casal Hernandes, que está preso nos EUA, por uma treta envolvendo lavagem de dinheiro.. grana.. muiiiita grana. Dinheiro, pra não falar de coisas piores e das quais eu não tenho como provar, dinheiro de fieis, dinheiro de crentes abestalhados, de gente idiota, porém dinheiro. De gente besta, que não questiona $%&! nenhuma, assim como o Sr. Ricardo (vulgo Playboy do Real Madrid). Ao continuar dando dinheiro, pagando dízimo a essa igreja criminosa, a essa quadrilha, ele tá compactuando com o crime, está alimentando o crime, está provendo subsídios a criminosos, a pessoas que não valem $%&! nenhuma, a pessoas cujo o lugar mais adequado que tem a ficar é realmente na cadeia. E se você se mete com esse tipo de gente, que tipo de exemplo você tá dando? Esses pastores são uns exploradores da fé alheia, tomam tudo que o pobre (e o rico) desgraçado e desesperado tem.. e quando arruma um garoto propaganda como é o Real Madrid Boy, aí fudeu de vez.. o poder que esses caras passam a ter nas mãos é incalculável. Então, pra concluir, cada vez que esse playboy com cara e jeito de $%&! faz propaganda desses pastores (ou qualquer outro filho da $%&! que faça propaganda de igreja), manda mensagens de apoio via twitter ou facebook , ou até mesmo em carta aberta, através de assessores de imprensa, a esses estelionatários, o dano causado na cabeça das pessoas é de proporções homéricas. Porque ele endossa, avaliza o comércio da fé, da exploração e principalmente da ALIENAÇÃO. Por si só a religião já é um câncer.. e nesse nível de exposição então, rapaz, a coisa vira mesmo um monstro.

Um não é exemplo? Lógico que não. E o outro? Tampouco!

Não tô comparando crimes... nem falando do que um fez ou deixou de fazer... estou falando de exemplos... e enquanto exemplo, nenhum dos dois presta.. pra exemplo, nenhum dos dois serve... a não ser que seja de mau-exemplo. Aí sim...

http://seqvme.zip.net/arch2010-07-01_2010-07-31.html#2010_07-14_15_53_44-105640901-0
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Offline PSekiMG

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Off,

Primeiramente, o "Caso Bruno" está fora, neste momento, da minha pauta de discussão, pois o que ele fez, embora à uma pessoa que procurava este fim a todo momento, foi muito bárbaro, porém digno de uma mente doentia. Por isto, me adentro na deixa do caro amigo 22, que se posicionou acerca do que vem a ser "Exemplo".

Óbvio que Bruno, hoje, não será mais exemplo.

Já o Kaká, jogador reconhecido e renomado internacionalmente, peça chave para o Marketing de muitos patrocinadores, tem se mostrado muito afim (por afinidade) da fé Protestante, que nada teria eu de contra se não houvessem casos onde os líderes deste seguimento religioso utilizassem da baixa qualidade de vida e mínimo esclarecimento intelectual (por carência educacional) de nossa população para, simplesmente, lucrar.

Ora, após saber que o porteiro do meu prédio deixou sua filha pequena (de no máximo 5 anos) sem assistência médica (por uma semana inteira) por conta do dinheiro ter sido investido na "Fé" de sua "Igreja" - que prometeu curá-la a todo custo com verdadeira macumbas -, não dá para justificar a propaganda que a nossa "Estrela" da Copa (leia-se Kaká) anda fazendo, tanto nos seus agradecimentos (quando surge um gol) como em suas entrevistas e depoimentos pessoais.

Me entristeço por ver que a mente de uma pessoa dominada pela falsa "Fé" não acreditou que um médico pudesse ser, para a sua filha, um instrumento daquele que ele tanto adora (ou teme), citado várias vezes em cultos como "O Salvador".

-//-

Na enchente, um crente (aquele que crer - não é preconceito, tá?) estava preso a um galho, vendo a correnteza do rio levar sua casa, seu cachorro, sua geladeira e etc. Em pouco tempo, uma equipe de resgate se aproxima ao galho onde se encontrava o crente e disse:

- Vamos, pule no bote!
- Não, Jesus vai me salvar!

Depois de insistirem muito, o resgate não pôde mais permanecer no local. Alguns minutos se passaram e um barulho ia crescendo, ficando cada vez mais audível - era um helicóptero de resgate.

- Entre no cesto para nós puxarmos você aqui para cima, viemos lhe salvar!
- Não, Jesus vai me salvar! Eu tenho fé!

Putz, começou a chover e o helicóptero teve de retornar a base.

Enfim. Depois de mais uma hora, a chuva carregou o crente do galho e ele morreu afogado. Chegando no "Paraíso", vai logo se queixar com Jesus:

- Mas Jesus, eu orei tanto pelo Senhor, eu entreguei minha vida, dei minhas riquezas profanas para sua casa e o Senhor não me ajudou!

Jesus então simplesmente disse:

- Sua "Fé" lhe cegou, pois até helicóptero eu mandei para lhe socorrer!

-//-

Não tenho opinião contra ou a favor a qualquer Religião. Entretanto, essas "Fé" que movimentam montanhas (de Dólares) são craques em Marketing e venda de terrenos no "Paraíso" - e na minha opinião, não são exemplos, mas sim Facções. Daí, não são exemplos nem seus "Pastores", muito menos seus "Membros", incluindo o Kaká.

Daí, prefiro as FARC.

Religião é uma coisa; Religiosidade é outra completamente diferente - e esta segunda eu possuo assim como várias outras pessoas. Cada pessoa tem sua Religiosidade, mas se esta se encontra numa determinada Religião - que seja! O que não se pode haver é o domínio das "Massas" por intermédio da picaretagem, venda de ilusão ou puro roubo. Ora, daqui há pouco estamos nós, voltando às Cruzadas e Inquisição.

Off.
« Última modificação: Julho 14, 2010, 18:01:51 por PSekiMG »
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