Autor Tópico: Longa Herança do Militarismo japones  (Lida 2316 vezes)

Offline foustine

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Longa Herança do Militarismo japones
« Online: Abril 03, 2007, 00:10:08 »
http://ekarate.wordpress.com/2007/03/29/a-longa-heranca-do-militarismo-japones/

Quero convidar todos a lerem na integra o texto que está no link que vos deixo acima. Autoria de Maria Camarão, uma companheira de guerra minha... no entanto discordo de algumas das opinioes contidas no texto. E sei que ela tambem, mas como boa profissional que é distanciou-se... separou a razao...

leiam na integra....


....
Temos portanto uma operação histórica de institucionalização de uma modalidade que com o passar dos anos constrói uma herança diferente: uma herança de valores conotados, onde os indivíduos e os seus valores podem ser julgados, padronizados e analisados, consoante a curva da sua espinha dorsal permita ter uma atitude mais estética, num marcial “yame”, num voluntarioso “yoi”, e porque não reforça-lo, num sonoro pungente e quasi-religioso “Oss”.

Voltando à citação inicial de Nietzsche, o que é então a “Verdade”. Está no reishiki, ou será o resíduo de um conjunto das tais “metáforas que foram gastas e que ficaram esvaziadas do seu sentido, moedas que perderam o seu cunho e que agora são consideradas, não já como moedas, mas como metal”.
Não existe virtude alguma em provavelmente 80% das práticas ritualizadas no dojo, desde a saudação colectiva ao alinhar. Estas práticas foram decalcadas do arregimento militar do exercito japonês da segunda metade da do século XIX, que copiava, por sua vez a disposição em campo dos exércitos europeus.

Vemos assim que o Karaté que hoje temos, com o seu manancial de saudações e tiques começou bem longe com a tentativa de Itosu de o introduzir no meio escolar, numa época em que predominavam os modelos militaristas e higienistas de educação física importados da Europa. O erro que continuamos a perpetuar, não é o de ter modelos, pois estes têm o seu valor operativo no dojo, mas sim o de atribuirmos significados éticos e filosóficos a práticas que historicamente, têm um fundamento que não se prende nem com o desenvolvimento do carácter (outro tema “difícil”), nem com a natureza essencial da arte marcial. “Moedas que perderam o seu cunho…”

Suguri

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Longa Herança do Militarismo japones
« Resposta #1 Online: Abril 03, 2007, 02:38:02 »
muito legal o texto... mas como para todas as outras coisas, tudo tem o valor q damos a aquela coisa... pq no karate seria diferente. Eu pelo menos aprendi q o karate tinha mesmo muitas influencias militares, em q isso diminui o valor dos rituais q aprendemos? o q eu quero dizer eh, o q aconteceu foi o oposto a moeda q perdeu o valor, mas sim colocou-se valor demais (santificou, como a autora utiliza).
concordo com ela q a utilizacao de modelos naum eh errada, e concordo qnd critica a atribuicao de valores eticos em rituais q tinham outro objetivo. mas discordo q isso tenha prejudicado o karate como arte marcial, e discordo mais uma vez da citacao escolhida pela autora, afinal os ritos foram incorporados ao karate, isso eh fato, e isso trouxe a visao de q no karate se exige disciplina, respeito, o q considero como positivo.
mais uma vez muito bom o texto.

Offline Simoes

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Longa Herança do Militarismo japones
« Resposta #2 Online: Abril 03, 2007, 10:56:17 »
Rossana,

Eu concordo com quase tudo do texto!

Se a idéia é ter um esporte competitivo de alto resultado, para que cultuar tradições?

É um esporte profissional cujo objetivo é vencer competições, tem que utilizar das mais modernas técnicas de preparo físico e mental, tem que romper completamente com o arcaico e tradicional, romper até no nome, poderia mudar o nome de Karate para, luta olimpica de pé e mão, sei lá vou deixar isso para os marketeiros.

Olha se esse esporte for criado rompendo com toda tradição Japonesa e tal, visando o marketing esportivo, você acabou de ganhar o primeiro fã, e se tiver o campeonato Brasileiro ou Portugues no Pay per View lá de casa, eu compro.

Offline Arivaldo

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Longa Herança do Militarismo japones
« Resposta #3 Online: Abril 03, 2007, 15:50:40 »
Texto interessante e mexe numa velha ferida. O problema não são os ritos ou comportamento exigidos dentro e fora do “dojo”, mas a subserviência que os mestres japoneses exigem dos alunos e que é combatida pela maioria.

Cada um deve procurar por suas virtudes e valores e querer impor um comportamento e como um sujeito ir a uma igreja (contra sua vontade) e rezar da boca para fora...........senão tiver tiver coração e alma não adianta nada.

Infelismente é muito comum mestres manterem seus alunos com cercas invísiveis impedindo de crescerem. Por que não podemos aprender ? Por que é interessante que não saibamos nada ? E o conhecimento, porque deve permanecer na mão de alguns...........poucos ? E quem não segue a cartilha vira “persona non grata”......................


Oss,

Ari - Santos/SP

Offline yama

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Longa Herança do Militarismo japones
« Resposta #4 Online: Abril 03, 2007, 15:59:23 »
Oss

Excelente texto.

As moedas podem perder o cunho,sim com o tempo, mas o valor de seu material nunca.

Como muito dos valores que nos é passado,depende de nós tirarmos o de melhor deles.

Oss
alberto/Santos.
yama-Alberto S. Almeida

Offline Zkorpione

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Longa Herança do Militarismo japones
« Resposta #5 Online: Abril 03, 2007, 16:43:34 »
Texto interessante, porém concordo em parte com ele.

A autora tratou sobre um assunto interessante, mas não teve a abrangência necessária para deixá-lo melhor exposto.
Veja bem, foi afirmado que não só expressões verbais (yoi, yame, naore e mesmo o OSS), mas também como muito da etiqueta no dojo (reishiki) foram cópias do militarismo europeu (isso me parece aquela velha postura imperialista dos europeus em achar que todos os copiam porque são melhores), isto está parcialmente correto e errado; parcialmente correto porque não foi cópia, mas sim adaptação; errado, pois   já havia organização militar no Japão antes dele abrir suas fronteiras, ou seja, parte do comportamento militar era já nativo.
O cumprimento inclinando-se é uma prática exclusivamente asiática, com significado exclusivamente asiático, não se encaixa nos padrões europeus, assim não há como fazer comparações ou analogias.
Agora, no texto também não foi falado sobre algumas práticas que estão intimamentes ligadas ao Zen.
A cerimônia do chá (Cha-Do) é uma prática zen que iniciou-se nos mosteiros com os monges, seguindo o princípio de encontrar a perfeição em cada momento do cotidiano, sem desperdícios de movimentos e sempre com moções simples e eficientes, ou seja, Cha-Do pode ser considerado Kata. E Kata é inerente ao Karate, assim, é no kata onde eu vejo mais da filosofia e significância real da nossa arte.

OSS [OSU (Pressão, pressionar) + SHINOBU (Suportar, perseverança)]
http://www.budokan.com.br/filosofia/oss.htm
Coração de Karateca não bate, faz ippon.