Autor Tópico: A globalização das Artes Marciais  (Lida 12959 vezes)

Offline Shaolin do Norte

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A globalização das Artes Marciais
« Online: Abril 22, 2010, 18:26:34 »
As artes marciais no mundo globalizado de hoje, é algo que realmente impressiona.  Para complementar o texto abaixo, primeiro gostaria de contar-lhes uma breve história.

Quando tinha meus 16 anos de idade, e já praticava Kung-Fu por horas todos os dias na academia do Grão-Mestre Chan Kowk Wai e ficava sonhando em um dia poder ter a oportunidade de conhecer e treinar no famoso Templo Shaolin localizado no Norte da China, jamais imaginei que isso, nos dias de hoje seria algo bem simples. Mas primeiro, o que é o Templo Shaolin?

O Templo Shaolin, é na verdade uma série de mosteiros Chan budistas (Zen em japonês) onde seu primeiro templo foi fundado em 386 Dc. Depois da chegada no templo por um monge indiano chamado Tamo, junto com os monges locais iniciaram o desenvolvimento do que hoje é chamado de Kung-Fu ou WuShu. Com o passar dos anos (e das guerras por séculos a fora) muitos templos construídos e também foram destruídos porem, o primeiro templo, localizado na província de Henan no norte da china, ainda está por lá com seus monges guerreiros. Sabe-se que no século passado, alguns ocidentais já estiveram por lá e foram aceitos como noviços no monastério. Além disso, alguns chineses não monges aprenderam as técnicas e passaram a ensinar.
Foto atual do templo com um monge realizando um Kati.


No Brasil o Shaolin foi trazido pelo Grão-Mestre Chan,
Foto do Mestre Chan
 que nunca treinou no templo Shaolin, porém, aprendeu o estilo com o Mestre Yim Sheung Mo. Mestre Yim foi aluno de uma lenda no Kung-Fu, o Grão-Mestre Ku Yu Cheung, tipo o Mestre Gichin Funakoshi para o Karate.
Grão-Mestre Ku Yu Cheung
Grão-Mestre Ku Yu Cheung e os 12 tijolos
Sobre Mestre Yu Cheung há histórias lendárias como levar coices de cavalo em treinamentos, quebrar 12 tijolos refratários com uma leve espalmada e agüentar o peso de uma meia tonelada em seu abdome... A figura do Mestre Yu Cheung ficou mais lendária pela forma de sua morte. Ele foi morto em 1952 no auge da revolução comunista chinesa. Sabe-se que ele foi preso político e foi covardemente assassinado a tiros depois de matar um soldado com as mãos.

E onde Mestre Ku Yu Cheung aprendeu a arte de Shaolin? Este sim, treinou com o monge Yin,  da vigentésima sexta geração de mongens Shaolin.

Com essa breve história do Kung-Fu Shaolin, pego carona para o tema que é o assunto desse tópico.

Na virada do século 21, começaram a pipocar em programas de TV, revistas e etc, notícias sobre os misteriosos monges shaolin e seus templos. Sabe-se que hoje, visitar o templo, que um dia foi um lugar fechado aos olhos que não eram budistas, tornou-se uma atração turística, cobrando entrada como em um parque temático, e com direito a um show dos monges que fazem inveja ao Circo du Soleil.
Apresentação dos monges.

Parece que assim como na idade média chinesa onde os monges iniciaram a difundir em seu país sua religião, sua doutrina e sua arte marcial, hoje, os monges descobriram a globalização, e como um CIO de uma multinacional o Abade Mor de Shaolin vem como Bento XVI, difundindo e incentivando a propagar de forma mais aberta os segredos que um dia foram guardados a sete chaves.

Hoje, o estilo o templo Shaolin possui monastérios fora da china, mais especificamente em Londres e Nova York. Na Grã-Bretanha, o estilo Shaolin está representado pelo Grão Mestre Monge Yan Lei. Um cara bem sinistro que inclusive, divulga para quem quiser ver, vídeos com técnicas de treinos. Basta compra-los, claro...

Grão Mestre Lei

www.shifuyanlei.co.uk

E quem diria, que em plena Big Apple, hoje encontra-se um monastério Shaolin! É isso mesmo... Caso você queira raspar a cabeça e ser chamado de “gafanhoto” sem precisar se despencar para China, pode se candidatar a noviço no USA Shaolin Temple! Onde, à frente como seu Abade, está o simpático Grão Mestre Monge Shi Yan Ming (que inclusive já foi até garoto propaganda da HP).

Grão Mestre Yan Ming


O Grão Mestre Yan Ming é um monge de 34 geração, e teve como o mestre do mestre do mestre (caraca... tem que voltar para 26 geração), o mesmo monge que ensinou o lendário Mestre Yu Cheung (o tal que morreu na prizão do Mao Tsé Tung, que ensinou o Mestre Chan que ensinou para mim...).

No monastério de Nova York você poderá se inciar-se como monge, ou somente praticar a religião budista Chan ou treinar um Kung-Fu e Tai Chi. Há programações de horários para visitar, palestras e etc. Tudo isso, por um precinho camarada!

É a globalização meus amigos, chegando até para os monges...

www.usashaolintemple.org

Oss.
« Última modificação: Abril 22, 2010, 18:33:44 por Shaolin do Norte »
      Gustavo

Offline Vinteedois

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Re:A globalização das Artes Marciais
« Resposta #1 Online: Abril 22, 2010, 19:03:13 »
"Por um precinho camarada"

rsrsrsrssrsrs

imagino.. imagino...

srsrsrrsrrsrss
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Offline yama

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Re:A globalização das Artes Marciais
« Resposta #2 Online: Abril 22, 2010, 22:33:49 »
Oss Shaolin san

O Mestre Li é forte pra cacete .....

voce já fez este treino de ficar retesado com estas lanças de acupuntura gigante,te espetando,para fazer isso tem de ter um controle muscular gigante para se travar ao extremo ..... ???

Oss
alberto
yama-Alberto S. Almeida

Offline Shaolin do Norte

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Re:A globalização das Artes Marciais
« Resposta #3 Online: Abril 23, 2010, 00:55:44 »
Oss Alberto Yama San,

Tá de brincadeira!?!? Shaolin só meu "nick" no forum. Cheguei a aprender algumas respirações que funcionam de forma extraordinária para canalizar o Chi Kung (ou Ki em Japonês) mas me pendurar em lanças... deixo para os monges. Na verdade isso não tem muita relação com a capacidade muscular e sim com a canalização da energia.
Têm uns alunos do Mestre Chan que são capazes de fazer coisas como empurrar carro com a ponta da lança e etc. Um sujeito que faz coisas impressionantes que você também conhece é Toninho Sensei.

alguns exemplos com os monges do que chamamos no kung-Fu de Qi Gong ou seja, manipular o Ki para fazer coisas como as abaixo.

Na Pratica, veja Mestre Yan Lei mostrando

      Gustavo

rapha.m.g

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Re:A globalização das Artes Marciais
« Resposta #4 Online: Abril 23, 2010, 01:19:57 »
acho sensacional... do $%&! mesmo... mas tenho certeza que não é tudo, tudo mesmo revelado ao público

Offline yama

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Re:A globalização das Artes Marciais
« Resposta #5 Online: Abril 23, 2010, 07:48:21 »
Oss Shaolin san

depois o Gustavo da Portelinha CAMPEÃO em cima do Mengo do Império do Amor do 22 san diz que,não existe o KI.

se eu fizesse isso,com as lanças ia ser banha para tudo que é lado  ::)

Oss
alberto
yama-Alberto S. Almeida

rapha.m.g

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Re:A globalização das Artes Marciais
« Resposta #6 Online: Abril 23, 2010, 22:27:23 »
se eu fizesse isso,com as lanças ia ser banha para tudo que é lado [2]

Offline BigBoy

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Re:A globalização das Artes Marciais
« Resposta #7 Online: Abril 24, 2010, 23:56:19 »
Fala Shao Lin,

   Excelente notícia para o Kung Fu. Ótimo tópico
pela riqueza das informações. Só o interessante
seria mudarmos o tópico para "Globalização do
Kung Fu".

   É um momento interessante para os apaixonados
por determinadas artes marciais voltarem às suas
origens, passada a febre do MMA.


   Esquecendo um pouco a referida globalização,
já sabemos todos, por abundantes exemplos, da
superioridade e eficácia do Muay Thai, do Jiu-Jitsu
e do Boxe e temos hoje em dia o direito de não
termos mais dúvidas.  Lutas que, combinadas,
mostram muito mais resultados do que contos,
estórias e outros artifícios que quem é velho
(era aluno de 1x anos na década de 80), sabe
que era prática insistentemente aplicada nas
academias "tradicionais" (Kung Fu, Karatê, Tae
Kwon Do, ficando de fora desta história a
Capoeira e o Judô).

   Finalmente caiu por terra o velho jargão
"Não há melhor luta, mas sim melhor lutador...
não interessando que luta ele represente, que
os jiu-jiteiros só filmam suas vitórias, que
MMA não é realmente um Vale-Tudo, que um dos
dois terá de sair morto...hahahaha..., blá e
blá...".

   Temos hoje representantes de base de diversas
lutas tradicionais, que como não são loucos,
praticaram as técnicas de grappling e acrescentaram
em pé os golpes que de verdade só eram praticados
no Muay-Thai: Lyoto, George San Pierre, Chuck
Liddel e por aí vai.

   Passada a febre, agora pode cada um voltar ou
continuar em seu Aikidô, Kendô, Kempo, Karatê,
Kung Fu, Pa Kua, Krav Maga, Tae Kwon Do, etc e
saber que não pode entrar em um octógono com
o conhecimento que recebe até ganhar a preta, do
contrário pode morrer ali dentro. Mas seguramente
pode defender-se na rua.

   Qual a única coisa chata que ocorre na prática
das artes marciais tradicionais? Quem insiste em
achar que aquilo ali (arte marcial pura) é coisa
séria de "vida ou morte". O público pagador, um
bando de trabalhador que colou pôsteres do Bruce
Lee com nunchaku na parede (o único propagador,
que na grande verdade deu origem aos "outros" filmes
de Kung Fu, da série Shao Lin, etc...), que paga
de verdade, a cada mês, que faz o professor pensar
em abrir um financiamento para uma casa própria,
sair do aluguel... este público pagador, que não
tem como explicar chegar ao trabalho com supercílio
rompido, nariz quebrado, costela quebrada com
perfuração de pulmão, que quer um condicionamento
físico, cujos voluntários podem até entrar um quebra
pau mais contundente, ficar sem espaço! Sem espaço
por causa dO BABACA, daquele que acha que quebrando
alguém dali de dentro, está abafando. Pobres diabos
como estes, dizem ser loucos mas não rasgam notas
de 100. Se a gente convida-lhes para mostrarem seus
dotes mortais em uma academia onde haja um time de
competição de MMA, o "cara violento" não vai.

   Ninguém precisa por à prova estas palavras.
Basta constatar que acabaram aqueles famosos treinos
em parques, ao abertos, com kimonos, dobôs, etc,
correndo de peitos estufados, em meio a gramados
de parques, com o povo, atônito, observando golpes
de saltos, todos mirabolantes (e obviamente impossíveis
de serem aplicados na vida real, exceto sobre
embriagados) e pegando os papéizinhos de propaganda
para chegarem em suas academias e assinarem contratos
de seis meses, mesmo menores de idade. GRAÇAS A DEUS
ESTES TEMPOS ACABARAM. Graças a Rorion Gracie.

   A globalização das artes marciais, pra mim,
ajudou na verade para a pessoa afirmar-se em sua
arte marcial básica, saber que jamais terá tempo
pra praticar como os profissionais o têm, terá
ciência que é basicamente uma arte marcial que
permite-lhe se defender de um ataque de um leigo
em alguma eventualidade e pronto.

[]´s
BigBoy

rapha.m.g

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Re:A globalização das Artes Marciais
« Resposta #8 Online: Abril 25, 2010, 15:08:56 »
tá ficando chata essa coisa do octógono ser o novo "altar" das artes marciais...

Offline BigBoy

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Re:A globalização das Artes Marciais
« Resposta #9 Online: Abril 25, 2010, 19:02:39 »
pedra lascada; pedra polida; invenção da escrita; ... do dinheiro; vajra mushta; descoberta do Estreito de Magalhães; prensa de Gutemberg; o telefone; a lâmpada; o rádio; o http para a Internet; o octógono.

Antes do Octógono
Mestres que derrubavam alunos com o bafo, lutadores que arrancavam a casca das árvores com os dedos (para exibir o que
seriam capazes de fazer com as vísceras de algum infeliz), aquecimentos com spacatos aos saltos para impressionar seus
belos chutes (cujos estilos de luta não usavam ashi-barais), 10 aulas seguidas de karatê só de katas, treinos em clubes com
kiais de 150 decibéis quando viam mocinhas treinadoras de vôlei passando por perto, caras fantasmagóricas ao "interpretarem"
os katas, lutas com kiais de Bruce Lee... estes dois últimos eventos sem as pessoas que passem por perto darem risadas, etc.

Depois do Octógono
ACABÔÔÔÔ....ACABÔÔÔÔ....ACABÔÔÔÔ (ao estilo Galvão Bueno no É TETRÁÁÁÁÁÁ)....

Sinto-me feliz ao ver nosso Lyoto mostrando como é útil nosso karatê quando combinado com as principais lutas atuais, usando
de-ai, ma-ai, mantendo a cara limpa, etc. Pra mim... tá bom demais.

Existem ainda lunáticos que lançam as velhas bravatas? Existem: "Qualquer um que quiser fazer um vale-tudo comigo... é só
entrar aqui na academia e me desafiar... " (gordo, tomando 3 remédios pra pressão alta, cheio de Grecin 2000 nos cabelo....).

[]'s
BigBoy

Offline Vinteedois

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Re:A globalização das Artes Marciais
« Resposta #10 Online: Abril 25, 2010, 19:30:01 »
Eu já refleti um bocado sobre esse assunto: "mistificação das artes marciais" que muitos apregoam por aí, e depois de muito pensar, pensar e avaliar, eu tendo muitíssimo a concordar com o "Garotão" (vulgo: Big Boy).

Pode ser que de fato, tanto eu quanto ele, estejamos nos esquecendo de algum fator preponderante e decisivo para a conclusão do assunto... mas com todos os dados que eu tenho, a conclusão que eu chego é que é sim, o MMA, o octógono, é o que há em termos de artes marciais.
Se o cara é bom, e "anseia" por se dizer "bom", então tem que mostrar que é mesmo... e o melhor lugar pra mostrar isso, pra mim é lá no evento de MMA.

Sabe por quê, rapha.m.g?? (por que digo isso?)
Porque falar é muito fácil.. quero ver provar!

(e como provar suas teorias e suas histórias mirabolantes de superioridade, sem precisar "matar" o cara? é lá dentro....)

Oss!
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Offline BigBoy

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Re:A globalização das Artes Marciais
« Resposta #11 Online: Abril 25, 2010, 21:56:11 »
Não há coisa melhor do que dyu kumites (obrigado, Mr. Emanuel, pela correção da escrita!) e shiais kumites praticados até o kimono ficar azedo nas sextas-feiras, todos marcando um barzinho pra comer um espetinho e umas ampolas depois, tudo regado a boas
risadas... uma amizade que depois de 20 anos você não esquece o rosto.

E agora? O que há? Aulas "quase teóricas" de karatê por dois motivos:
1) os kumites assustam os abobados que entram em uma luta e não esperam lutar ali dentro da academia. Para manter tais
abobados, ---> e promovê-los de faixas, é preciso "diminuir" a intensidade de tais coisas incômodas;
2) os "karatê-kids": jovens, todos de marrom pra cima, metem guiaku pra quebrar o nariz pra impressionar os outros membros da
academia, não falam com quem é laranja pra baixo, empurram-os para saírem da frente em durante as variações de treino, quando
são forçados a fazerem treino frente a frente com eles, fazem caras e bocas, tiram sarro, agem de forma absolutamente
desrespeitosa. Isso faz o quê? Mestres, até respeitáveis, diminuírem a intensidade das lutas para que os coloridos não se
machuquem tanto. Isso quando não faz treinos separados (como se isso tivesse sentido). É verdade que há eventualmente a
necessidad de serem dadas aulas para pretas shodan em diante. Mas isso é pra mestres que têm mais de 50 pretas formados...

Quebrados estes dois tabus, banindo os babacas (1) e (2), não tenho a menor sombra de dúvida que voltaremos a ver aqueles
Heyan-go-dans feitos por três filas de faixas pretas, quatro filas de marrons, 5 filas de roxas e aquele exército de faixas coloridas
atrás (vi isso, em 85, numa antiga academia que havia em Curitiba, num prédio que hoje é o shopping Garcez, com o sensei
Julio Arai só no "ich ni san chi....".

EU ERA CRIANÇA QUANDO SENSEI ALDO LUBES PARAVA A AULA PARA SAUDAR OS VISITANTES.
Minha rotina de piá estúpido quando íamos no centro era obviamente torrar tudo no fliperama e ir na Galeriz Ritz ver as
aulas de sensei Aldo, porque ele parava tudo quando a gente chegava.

ISSO VAI FAZER COM QUE TENHAMOS SAUDADES NOVAMENTE DAQUELE DOJO, COM OS TACOS BRILHANDO DE ENCERADOS, AS
FOTOS PRETO E BRANCO DAQUELES SALTOS EM TOBI-GUERI, LUTADORES TODOS COM AQUELAS COSTELETAS, QUEM NÃO USAVA
KIMONO ESTAVA COM AQUELAS CALÇAS BOCA LARGA... E NÓS SENTINDO ORGULHO DE ESTAR FAZENDO PARTE DA 3A OU 4A
GERAÇÃO DE UMA FAMÍLIA DE UM SENSEI, GRITAR COM FORÇA SIM, COM ENERGIA SIM UM KIAI COM TODO O ÓDIO, TODA A RAIVA
ACUMULADA.

MMA? Vale-Tudo? Não importa. O meu espírito estaria preparado. "Caráter, Sinceridade, Honestidade, Respeito, Auto-Controle".
Nada me derrubaria. Se minha namorada (ou filha pra nós mais velhos) for assediada por um lutador de muay-thai ou jiu-jitsu?
hahaha... isso não interessa. Podemos até apanhar. Mas um guiaku de Lyoto eu vou ter a chance de dar, pelo menos vou dar trabalho,
pro cara pensar duas vezes antes de incomodar. E que ninguém venha com papo furado de "pólvora", porque não vai usar... na hora
do pega? Família passando necessidade porque foi pro Xilindró por causa de um infeliz?

E pelo outro lado: a certeza de ter um treino intenso, um treino em que eu tenha certeza que não vou receber um fumikomi na
minha cara por causa de um desequilibrado... liga a minha vida real ao meu hobby, me faz comprar livros de karatê, me faz
me orgulhar da minha luta, me faz chorar (exceto a última luta e as últimas entrevistas) sempre que vejo um Lyoto desses
levantando os braços (Lyoto vs Rashad... gritando de madrugada... vizinho batendo com cabo de vassoura na parede... FÔDA-SE
se fosse jogo da seleção... podia né?).

Além do que, dá pra trancar a garagem, depois de tomar todas no domingo, vestir só a calça do kimono, tocar um heavy-metal
e ficar fazendo katá, viajando nos movimentos, em câmera lenta... porém é preciso ter tranca na garagem por dentro pra
filharada não filmar e chantagear depois. E convidar aquele camarada de confiança pra experimentar umas luvas de 22 onças
(luva de palhaço de circo) e trocar porrada. Acreditem: não mata ninguém. Em 1978/79 ou 80, não lembro exatamente, com as
aulas que meu amigo guinho tinha com um tal de Nélio Naja de boxe tailandês (*), resolvemos fazer nosso próprio ringue em
casa: colocamos nas mãos dezenas de sacos plásticos de mercado, o chamado Mercadorama na época (o plástico de mercado
naquela época, era plástico mesmo). O detalhe é que tais plásticos levavam um logotipo de um palhaço segurando uma faixa
"Mercadorama". A gente contava os pontos depois da porradaria pelo número de palhaços que cada um tinha na cara, no peito ou na
pança.

Um grande abraço. Amo todos vocês.
[]'s
BigBoy... com duas garrafas de Almadén Cabernet consumidas


(*) Nélio Naja é tido como o precursor do Boxe Tailandês, o Muay-Thai, no Brasil. A questão é que essa figura não foi
precursor de $%&! nenhuma. Ele era faixa preta de tae-kwon-do, adorava full-contact, comprou alguns pares de luvas,
alugou alguns horários de uma academia de goju-ryu em Curitiba (rua Ermelino de Leão, quase em frente ao antigo cine Lido)
e misturou o Tae-Kwon-Do com rudimentos de boxe. Tempos depois foi para uma academia própria, pintou-a internamente
inteira de camuflado, meteu umas caixas acústicas com som jovem (Heavy-Metal + aquelas músicas onde se usavam topetes
no cabelo, tanto homens quanto mulheres... aqueles vídeos da década de 80 que o Marcos Mion tirava sarro na MTV), criou um
sistema de faixas (branca, vermelha, azul e preta, todas com pontas até chegar na preta. Na década de 90 o Rudimar inventou
a azul clara entre a vermelha e a azul), deixava os rapazes acima da vermelha usarem um macacão preto com uma naja nas costas
(o nome da academia era Thai-Naja... o nome "naja" vem do queixo deslocado do Nélio que ele deslocava intencionalmente de
brincadeira pra abrir a boca feito uma serpente). QUALQUER PIÁ LARGARIA TUDO PRA FAZER MUAY-THAI NA THAI-NAJA. Na época, o
Nélio tinha alguns alunos mais destacados... um tal de Rudimar... que depois, se não me engano criou uma academia +/- famosa
hoje em dia... a tal da Chute-Boxe... talvez alguns a conheçam... e no Rio, local onde o Nélio também atuou, formou também um tal
de Narami, outro tal de Luís Alves... esse último parece-me que formou alguns caras famosos... mas deixem pra lá.
-->Mas de onde esse meu ousado "$%&! nenhuma"? É o seguinte: ele não conhecia Muay-Thai! Tirou da cabeça dele! Lutas da
época (vejam uma das primeiras lutas de Marco Ruas contra o próprio Luís Alves: )
mostravam que a luta era praticamente um full-contact com rasteira! Não havia chutes com canela, cotoveladas, etc.
CADA UMA DAS TÉCNICAS DE MUAY-THAI FORAM LENTAMENTE INCORPORADAS COM A RIQUEZA DOS PIONEIROS, VIAJANDO PRA
HOLANDA, PRA PRÓPRIA TAILÂNDIA, VENDO VÍDEOS, ETC. Esta é a minha explicação.



rapha.m.g

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Re:A globalização das Artes Marciais
« Resposta #12 Online: Abril 26, 2010, 16:30:36 »
o provar vai depender da finalidade 22... (eu sabia que o assunto ia chegar nisso)

meu pai tinha um comércio pequeno e certa vez, ele sozinho, um certo rapaz o assaltou... passados uns 2 meses, o mesmo rapaz voltou, o assaltou novamente e mandou que ele se deitasse no chão e disse: "agora eu vou te matar"

numa situação dessas, como a maneira com que é praticada uma arte marcial num octógono poderia ajudar? não sei... sei que meu pai não sabe nada de artes marciais, não reagiu e está vivo... mas, poderia não estar... sei que numa situação dessas, se fosse pra reagir, eu me sentiria mais confiável com o karatê... pra mim uma arte marcial serve pra isso, pra uma situação em que você pensa: "fodeu, ou eu tento, ou eu morro e nada mais pode me ajudar"

sinceramente, o que vale do karatê, é aquele momento que você tá frente a frente, naquele "xadrez" em que você está estudando o cara e o cara está te estudando e quanto mais rápido é o seu ataque e a sua possível intuição de como evitar algo que ele possa fazer diante do seu ataque, que é o que pode te ajudar numa situação adversa... é meio que uma coisa de tornar a explosão muscular controlável, ao limite, ao comando do seu raciocínio... EU acho mais útil um treino com a sensei me batendo com a shinai, testando meus reflexos e coisa do tipo, do que um treino com boxe x jiu jitsu x muay thai...

certa vez eu estava andando na av. paulista com uma amiga, de madrugada e um grupo com uns 5 moleques meio que nos cercou, nos acompanhando... minha amiga olhou com cara de medo e eu abri um sorriso e puxei uma conversa tentando ser natural, fingindo que não tinha ninguém perto da gente... resumindo: perguntaram se nós poderíamos ajudá-los a comprar um vinho, eu disse que não, perguntaram se éramos da região, eu disse que sim e continuei conversando com a minha amiga... por fim olharam com cara de estranhamento e foram embora... se não tivesse um bom desfecho, sendo 5 moleques, já grandinhos o suficiente pra bater com força, eu confiaria muito mais numa "viradinha" de katá, bem executada, associada a alguns chutes, pra tentar dominar a situação ou ao menos dar espaço pra pessoa que está comigo sair correndo, do que boxe x muay thai x jiu jitsu... estou dizendo o que eu preferiria tentar...

em ambas situações, a maior probabilidade é de se $%&! muito, sabendo lutar qualquer coisa e sabendo lutar muito bem, mas se for pra ter uma tentativa, só por esperança mesmo, prefiro que a minha seja pelo karatê... meu karatê é ruim, é fraco, é de kohai, mas confio nele mais do que se fosse outra arte marcial fraca...

resumindo: octógono é legal... testam-se vários golpes, associados, confrontados com outras artes e tudo mais e em muitas vezes bacana parar pra assistir, com minha namorada dormindo no meu colo, mas pra mim, é entretenimento.. é meramente pra colcoar sob teste, aptidões físicas extremas, moldadas sob a forma de artes marciais e confrontadas...

essa é a minha visão pessoal, da finalidade de uma arte marcial... pra mim é na seguinte ordem... se for pra se defender, usa o que tiver na mão: tijolo, pau, pedra, ferro.. se não tiver nada, aí vai de arte marcial... é o último do último recurso... e como último do último, dentro das que conheço e vejo, eu preferiria que o meu fosse o karatê...

não é necessariamente a visão certa, nem quero estar certo, mas é o meu jeito de ver as coisas, minha visão muito pessoal...

$%&! que pariu, escrevi pra $%&!... foi mal aí pra quem ficar puto ao ver um textão, fiquei pensando em tudo isso quando tava ontem fazendo o molho pra massa dominical...

abraços   :D

Osu!

Raphael

Offline Shaolin do Norte

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Re:A globalização das Artes Marciais
« Resposta #13 Online: Abril 26, 2010, 16:39:31 »
BigBoy, meu irmão, Voce escreveu um bocado!!!

Gostaria de comentar algumas coisas.

... Só o interessante seria mudarmos o tópico para "Globalização do Kung Fu"...

É verdade que falei da história de monges que na época que iniciei a treinar (que para mim tem já um tempinho mas para Delia e Pendro Sensei foi ante-ontem) era inconcebível ver um ocidental treinando com um monge, quanto mais "filiais" do monastério Shaolin em NY. Porém, hoje, o maior centro de Jiu Jiutsu Brasileiro não está no Rio de Janeiro, está na Califórnia! No Karate, os grandes mestres ganham uma bela grana viajando o mundo dando cursos. A moral da história é que hoje em dia, tem ara todos os gostos no mundo a fora, basta ter mercado.

...já sabemos todos, por abundantes exemplos, da superioridade e eficácia do Muay Thai, do Jiu-Jitsu e do Boxe...

Aí vou descordar! Não é o estilo A, B ou C que pode ser chamado de superior... muito menos que o lutador que hoje é o campeão do UFC é o melhor do mundo. Primeiro que esses eventos são comerciais ao extremo. Como em tudo que envolve muita grana, passa a levar interesses que de longe são os de desenvolver as Artes Marciais e sim dar LUCRO! Luta combinada, resultado contestado, isso tudo rola solto em campeonatinhos que valem uma medalhinha de plástico, que dirá em eventos que movimentam milhões de dólares.

Agora, acho que sai na frente o lutador que tem mais conhecimento? Acho que esse cara tem vantagem sim, estando em boa condição física e boa cabeça (vide Adriano Imperador no futebol)... Eu mesmo não sou um "fiel"... Kung Fu sempre treinei desde moleque. Sou graduando pela ISKA em Full, mas sou também verde de Judo, Roxa de JuiJitsu. Já treinei Kendo e Shorin-Ryo. Quando moleque, tinha tempo e não tinha problemas, casa nem família para cuidar e como curtia artes marciais fazia o que aparecesse... Hoje, treino apenas Kung Fu e Karate Shotokan. Quando estou fazendo meu treininho de shotokan, não vou ficar fazendo a posição Ton Long (aquela que imita um louva-deus!) porque isso não tem nada a ver... e quem não sabe para que é aquilo, vai achar uma palhaçada. O que importa é o conhecimento do cara.

O Lyoto luta shotokan em pé, não Thai. É notório em sua base e nos golpes... no chão é Jiu brasileiro, afinal o cara é preta nisso também. Não foi de araque que o Belfort foi treinar Karate! Para mim, o cara que fala que treina MMA sofre um sério risco de virar um pato, nao nada bem, não voa bem e nem anda bem...

...Se o cara é bom, e "anseia" por se dizer "bom", então tem que mostrar que é mesmo...

Será que é assim mesmo? Vocês andaram vendo os videos do Mestre Kagawa? Incluindo as lutas? Acha mesmo que um cara daqueles não é "bom" por que nunca lutou em um UFC comercial desses?!? Façam uma pesquisa para saber quem é o Mestre Yan Lei, que treina também o San Sho ( que tem muita gente que pensa que é Thai)... O cara é monge! Pode ser que um dia um monge vá a um torneio desses já que o dindinho manda... mas se o cara ainda não lutou em um treco desses, vou falar o que? Que ele não é "bom"?



      Gustavo

Offline BigBoy

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Re:A globalização das Artes Marciais
« Resposta #14 Online: Abril 26, 2010, 16:44:18 »
Foi culpa minha. Fui em quem se desviou do assunto principal do tópico.
Esse assunto é engraçado, pois a cada vez que ressurge em fórum, mesmo
que nascendo da mais inocente "qual é a arte marcial mais eficaz?", vinda
de um noviço ou de um leigo.... rapidamente assume  no mínimo quatro
páginas de posts e, dependendo dos debatedores, lá pela 6a página já
partem pro pessoal e o tumulto começa.

Eu concordo também que o karatê tem como uma característica impressionante
é a explosão, tanto pra defesa instintiva quanto pra ataque surpresa (por isso
são tão importantes aqueles dois kumites chamados (hippon-kumite e
jyu-hippon-kumite. O próprio sanbon-kumite é o passo inicial, quando levado
a sério e sem a cadência anunciada). Tanto aprecio isso que coloquei a
informação de que o Lyoto é visivelmente um lutador de karatê pela sua
postura e pelo de-ai e ma-ai que apresenta durante as lutas.

[]'s
BigBoy

Isso aqui é uma terapia durante o trabalho pra dar um scape e desestressar
de vez em quando, né?