Autor Tópico: Consideracoes finais sobre o MUndial JKA...  (Lida 8805 vezes)

Offline katsumoto

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Consideracoes finais sobre o MUndial JKA...
« Online: Agosto 20, 2006, 23:57:07 »
Ola Pessoal,

Depois de terminar o Campeonato aqui na Australia,gostaria de colocar as minhas opinioes sobre o que vi e vivi aqui nessas 2 semanas.
No que concerne ao Karate Shotokan, especialmente da maior escola mundial do estilo,JKA, tecnicamente os paises da Europa,Africa do Sul e nos BRasileiros nao devemos nada ao Japao.
Somos tao fortes no Karate quanto qualquer outro pais.
Porem no Kata, o Japao ainda mantem a hegemonia,estao anos-luz na frente de TODOS os outros paises do mundo. Mesmo que Michael MIlon, que muitos acham ter um Kata melhor do que os japoneses, aqui nao chegaria nem em terceiro lugar. Nao existe artisticidade no Kata da JKA, somente praticidade e eficiencia. Aqueles que enfeitam movimentos sao logo eliminados, entao so sobra pura tecnica mesmo.
No Kumite, o Japao ainda tem maior experiencia,mas muitos lutadores de muitos paises, incluindo o BRasil deram muito trabalho aos Japoneses.
Achei pessoalmente a luta final do Chinzo Machida muito forte a favor do Brasileiro que fez o atleta Ogata(Duas vezes Campeao Japones e MUndial) recuar quase que a luta inteira,tamanha a pressao imposta pelo Brasileiro.
Os Sul Africanos cairam na mesma chave do Brasil e do Japao, que era a chave mais dificil de todas.
Para aqueles que ainda acham que Makiwara nao serve para nada, ontem tive o prazer de tomar um lanche com o homem mais perigoso da JKA, o verdadeiro YANO KENJI, o homem que moldou Yahara SEnsei.
Quando ele viu os meus calos nas maos me perguntou quantas vezes eu batia Makiwara por dia, e qual nao foi a minha surpresa e do SEnsei Stan Schmidt tambem, quando ele disse bater 1000 vezes todos os dias da semana e no Domingo, pasmem.........10.000(5000 cada mao).
Isso para que os nobres colegas entendam o que e o Karate da JKA,puro BUdo.
Os Japoneses disseram que agora o MUndial sera de 3 em 3 anos,pois nao pode-se dar enfase em Torneios, apenas nos treinamentos diarios.
Sobre atualizacao tecnica, fiquei satisfeito de saber que no Kata e metodologia de KUmite,pessoalmente estou muito atualizado.
Estive conversando com Osaka SEnsei(na minha opiniao o Dicionario ambulante da JKA),sobre Yakusoku KUmite(combinado) e ele me confirmou que estamos no caminho certo.
Chegando ao Brasil, sugeri ao Sasaki SEnsei dar um Curso de atualizacao tecnica aos Brasileiros interessados em ingressar na JKA do BRasil.
NO MAIS, ESTAMOS VOLTANDO TERCA PELA MANHA,CHEGANDO EM SAO PAULO A NOITE. OBRIGADO PELO APOIO DE TODOS. OSS!!!
KATSUMOTO-Prof. Roberto Sant Anna

Offline mascs

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Consideracoes finais sobre o MUndial JKA...
« Resposta #1 Online: Agosto 21, 2006, 10:21:08 »
Senhor Katsumoto,

Em primeiro lugar devo lhe dar os parabéns pelo bom resultado da equipe brasileira.

Feito isso, acho que após sua análise resumida sobre o nível do Mundial e do karatê praticado aqui em nosso país, gastaria de saber sua opinião (assim como a dos demais colegas) sobre os motivos que ainda estabelecem uma distância considerável, no que diz respeito ao Kata, entre os “estrangeiros” e os japoneses.

Talvez não devamos considerar apenas a questão da origem ou “apadrinhamento” do Karatê. Ser responsável pela “invenção” de um esporte ou de uma arte marcial, ao menos da forma que entendo, não garante sua prática em alto nível. São inúmeros os exemplos e podemos citar aqui o futebol.  Os ingleses inventaram o futebol da forma que é praticado hoje e ainda assim não são capazes de executá-lo em alto nível.  

Também tenho dúvidas em relação ao argumento que defende que isso se deve a questões quantitativas. Ou seja, quanto mais pessoas praticando, mais atletas de ponta aparecem e, por conseqüência, o país torna-se competitivo internacionalmente. Já citei anteriormente o exemplo do handebol no Brasil que, podem acreditar, é, segundo o M. dos Esportes,  uma das modalidades esportivas mais praticada no Brasil.  

Não estou descartando que quanto mais pessoas praticando uma modalidade esportiva ou arte marcial em um determinado país, maior a chance de se ter atletas tecnicamente qualificados. Aumenta a probabilidade, mas não é garantia. Sem experiência internacional, intermináveis intercâmbios e busca incansável pelo aprimoramento da técnica, a quantidade não significa nada.  

Talvez devamos considerar o que por falta de uma palavra melhor chamarei do “status” e da identidade da modalidade dentro de um país. O futebol, apesar de não ser um esporte inventado no Brasil, está diretamente associado a uma construção de identidade nacional. Ou seja, a ginga o drible, entre outras coisas, são diretamente associados a jeito brasileiro diante de situações concretas do dia-a-dia. Ao mesmo tempo o futebol ocupa um lugar importante dentro da sociedade brasileira. Ele tem um status especial, uma relação de afetividade muito íntima dentro de nossa sociedade.

Talvez o povo japonês possua essa relação de status e identidade em relação ao karatê e ao judô. Mas ainda assim isso não pode explicar tudo. Isso porque também na Inglaterra existe certa relação de identidade e status com o futebol.

Na minha opinião a discussão recai sobre um ponto que me parece o cerne da questão. Especificidade dos treinamentos. Essa opinião é absolutamente arbitrária, já que eu nunca estive com japoneses no Japão vendo-os treinar karatê, e no caso mais específico que tratamos aqui, kata.  Acho que nesse ponto entra a experiência de Katsumoto.

Katsumoto, o que diferencia o treinamento japonês dos demais? Especificamente como se dá o treinamento de kata desde os jovens iniciantes até os personagens mais graduados?

Os katas shotokan, com algumas pequenas variações aqui e ali, são padronizados. Sendo assim o quesito originalidade ou imaginação não tem a menor importância. Não é como na ginástica olímpica, onde apresentação de movimentos originais tem seu valor. Em tese (e de fato), os Tekki que treinamos aqui são iguais aos praticados na Argentina,  Rússia ou Japão.  

Sendo os movimentos os mesmos onde está “o pulo do gato” do karatê japonês? Existe uma seqüência especifica de treinos para kata? Exercícios particulares fortalecem isso ou aquilo?

Digo isso porque certamente não devemos considerar que os japoneses praticam um kata excepcional  devido a questões genéticas. Essa não é nem uma questão.

Bem, desculpe ter me alongado mas temas relacionados a preparação e técnica de treinamento sempre me interessam.

Abraço ao senhor katsumoto e aos demais colegas.

Offline Luiz

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Consideracoes finais sobre o MUndial JKA...
« Resposta #2 Online: Agosto 21, 2006, 16:38:33 »
Talvez o julgamento do kata em relação ao kumite seja mais subjetivo...

OSS...
"Aqui se cultiva o corpo e a mente"

Offline pmax

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Consideracoes finais sobre o MUndial JKA...
« Resposta #3 Online: Agosto 21, 2006, 17:11:04 »
Na minha opinião o kata Unsu do Milon só tinha quime, tecnicamente era muito fraco(cheio de erros), muita explosão e velocidade que vinham da ingestão de Anabolizantes.
Foi 3 vezes campeão mundial da WKF porem pagou um preço caro por estes títulos, morrendo de infarto.

Sobre a performance dos Japas no Kata, na minha opinião é que no Japão não se divide o treino de karate tendo o kata e kihom mesmo atenção que o kumite.

No Brasil só se dá ênfase ao treino de Uchi Kome e Kumite.

Eu conheço poucos karatecas que treinam Kata, posso até arriscar uma porcentagem dos atletas que treinam kumite + de 98 %.

Abraços .......

Offline mascs

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Consideracoes finais sobre o MUndial JKA...
« Resposta #4 Online: Agosto 22, 2006, 10:50:55 »
Caros,
 Nesta altura da discussão nem me interessa mais discutir uma comparação qualitativa entre os katas de Milon em relação aos demais. Gostaria que refletíssemos sobre o processo de treinamento japonês, mais especificamente em relação aos Katas. O que no quesito treinamento e preparação técnica podemos aprender com eles, já que como vimos a partir da fala de katsumoto ainda existe uma distância considerável na execução de katas entre japoneses e estrangeiros.

É observando e incorporando práticas daqueles que o executam com excelência que podemos aprimorar nossas técnicas.

O ponto de vista de pmax é importante. Se não se pratica muito não tem jeito, estaremos em desvantagem. E de fato, onde treino só eu gosto de praticar kata. Se meus companheiros pudessem escolher teríamos unicamente kumite.

Mas será que é só o maior número de repetição que estabelece a diferença entre os japoneses e os estrangeiros? Para mim além da repetição maior também deve ter técnicas especificas de treinamento.

abraço a todos

Neto110

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Consideracoes finais sobre o MUndial JKA...
« Resposta #5 Online: Agosto 22, 2006, 12:40:50 »
mascs, não acredito que hajam técnicas es treino não.

Em toda a cultura corporal o que se faz é decompor movimentos e repetir com mais ou menos força.

No kata, quem quer competir tem que ter uma boa base, por isto vai ter que treinar muito o básico e aí eu acho que os japoneses ganham: eles sabem treinar com seriedade o tempo todo e naõ só apra competições.

marascas

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Consideracoes finais sobre o MUndial JKA...
« Resposta #6 Online: Agosto 22, 2006, 13:39:54 »
Acontece que Kumite qualquer um treina um pouco e já sai dando guiacos. Mas Kata para ser perfeito, precisa realmente de muiiiita repetição.

O que para nós no Brasil é chato, ficar repetindo mil vezes algo, para os Japoneses é prazer, pois eles são um povo de cultura em repetição e insitência em algo fixo.

Offline Juan (opasto)

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Consideracoes finais sobre o MUndial JKA...
« Resposta #7 Online: Agosto 22, 2006, 14:47:08 »
O problema pior é quando querem treinar somente kumite de pulinhos e sem kime.

Acho que o Katsumoto consegue nos esplicar melhor porque os japas estão tão a frente no kata, mas por enquanto concordo com o Marascas.
Eles se sentem mais confortaveis que nos com as repetições.
OSS!
Juan Claudio Martin

Offline mauross

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Consideracoes finais sobre o MUndial JKA...
« Resposta #8 Online: Agosto 22, 2006, 16:10:38 »
como já foi dito antes nesse forum, kata é a alma do karate, acho eu que por isso os japonêses são tão determinados nesse fundamento!
é o criador com medo de perder a guarda da cria!

oss
Uma vassoura velha tem o seu valor.

Neto110

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Consideracoes finais sobre o MUndial JKA...
« Resposta #9 Online: Agosto 22, 2006, 20:46:43 »
Colegas de fórum, pensem comigo: quando um aluno vem treinar e você coloca ele para lutar para ele vincular com a academia (e garantir a sobrevivência dela) todos nós temos certeza que ele naõ tem base para fazer aquilo...mas deixamos.

Quando iniciamos o trabalho de melhorar a base, alguns toparão e outros não. Os que toparem vão se tornar karatekas respeitados e os outros serão o que for possível ser. NO Japão é igual, mas tem amis gente topando o que lhes é proposto.

Offline mauross

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Consideracoes finais sobre o MUndial JKA...
« Resposta #10 Online: Agosto 22, 2006, 21:04:32 »
o que quis dizer é que nem no futebol aqui no Brasil,  ninguém quer ver um outro pais ser pentacampeão...
Então creio eu, que lá eles praticam mais. pois porradeiro por porradeiro o mundo tá cheio!
OSS
Uma vassoura velha tem o seu valor.

Offline Arivaldo

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« Resposta #11 Online: Agosto 23, 2006, 08:39:45 »
O Brasil não fica atrás de país nenhum no karate. Esse negócio que eles treinam mais que nós é uma  bobagem........o que eles tem de diferente é um conjunto e condições financeiras para bancar toda a equipe. Pensem bem, se reunirmos um grupo de aproximadamente 20 a 30 pessoas (com um bom nível)  para treinar e aplicar um treino forte do mesmo jeito que é feito na jka (temos professores para isso (Machida, Sasaki, Carlão, Roberto e outros)  num período de 12 meses. Essa diferença tão comentada por nós não existiria.

O que acontece e que temos bons professores bons alunos e eles se encontram as vésperas de viajar cada um treinando de forma individual e não tem ninguém para orientar e as vezes o seu professor não tem condições de fazê-lo e precisa de alguém mais experiente.  

Enquanto um atleta treina no Rio Grande do Sul outro está treinando no Pará outro em Mato Grosso outro em São Paulo. Nós não conseguimos reunir uma turma grande nem para nossos encontros para treinarmos com o pessoal do fórum pois é difícil a locomoção e o custo da viagem.
E quem tem participado dos treinos já tem notado a diferença que é em treinar com um grupo forte.
E isso ai pessoal, não  tem segredo nenhum.......se vc não treinar com os melhores não vai crescer nunca.

Oss,

Ari - Santos/SP

Offline mascs

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« Resposta #12 Online: Agosto 23, 2006, 10:35:40 »
Arivaldo,

No caso brasileiro é razoável pensarmos na questão financeira. Mas será que Austrália, França, Inglaterra, Rep. África do Sul passam por problemas financeiros?

Offline mauross

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« Resposta #13 Online: Agosto 23, 2006, 11:15:18 »
com certeza se o Brasil treinar durante um ano será imbativel.... só com esse mestres que vc citou Ari, seria um massacre. Treino com o Sensei Carlos Rocha e só que já fez frente a frente com ele sabe o que é receber uma um guiaco dele no abdomen.
 A diferença também é que só o Japão cabe no estado de São Paulo.

E quer saber sei lá, já é uma grande vitória ter um brazuca aparecendo na lista dos finalista, ainda mais ficando em segundo... é uma maravilha!
Um dia terei um herdeiro(a) e quem sabe a geração deles saia um campeão de Kata ou em equipe.
OSS
Uma vassoura velha tem o seu valor.

Offline Arivaldo

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Consideracoes finais sobre o MUndial JKA...
« Resposta #14 Online: Agosto 23, 2006, 11:33:54 »
Acontece que a JKA começou a se re-estruturar recentemente e a maioria dos paises citados são fortes no karate utilizando a bandeira da WKF e não JKA. Assim como os japas tem dificuldades de vencer no sistema da WKF a maioria também o tem com relação os torneios da JKA. Tudo é questão de vc treinar de acordo com a regra que vai ser utilizada (JKA, WKF, ITKF etc).

Fiquei contente com o vice do Brasil............mais brasileiro pra mim é Raimundo, Antonio, Francisco e não Tanaka, Machida etc (sem preconceito).
Ps. os nossos japas do brasil são mais criativos do que os japas de lá.

Oss,

Ari - Santos/SP